Assistimos bestializados

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Marcos Júnior fez o de sempre, com sua dedicação inversamente proporcional à sua qualidade técnica (Foto: Marcos Ribolli)

Após sofrer mais uma virada, Fluminense é mero convidado de honra na festa do Corinthians em Itaquera

“O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava”

Foi assim que Aristídes Lobo descreveu a Proclamação da República, motivo do feriado de ontem. Exatos 128 anos depois, a descrição pôde perfeitamente se aplicar ao torcedor tricolor que se dispôs a ver um duelo cuja festa parecia já programada para o adversário. Serve também para todos os outros descontentes com seus clubes Brasil afora, que hoje são forçados a aplaudir um time que, mesmo sem ter um elenco badalado ou um técnico experiente, fez uma das melhores campanhas da história do Brasileirão. O Corinthians chega ao seu sétimo título no campeonato nacional em menos de três décadas, uma marca impressionante. Nesse meio tempo, superou até mesmo uma crise financeira, que culminou no rebaixamento. O que fica é uma grande lição.

Penetra folgado?

O Fluminense começou colocando água no chopp alvinegro. Talvez o gol de Henrique não tivesse sido sofrido por Cássio, de folga após servir a seleção brasileira. Um início otimista, não fosse a lembrança de que a mesma coisa aconteceu contra o Cruzeiro na última rodada. Diego Cavalieri não saiu nas bolas, parecia inseguro. O goleiro, acostumado a trabalhar com zagas frágeis desde a época de Palmeiras, parece não conseguir dar conta de cobrir o dorminhoco Reginaldo.

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Fluminense conseguiu controlar o jogo na primeira etapa, mas o Corinthians buscou o resultado e o título (Foto: Nelson Perez)

O tricolor esteve mais solto, atuando com qualidade principalmente nas bolas altas e nos contra-ataques – tudo isso devido ao espaço dado pelo Corinthians após sofrer o gol. Se aproveitou do nervosismo do Timão, que errou muitos passes, desperdiçou lançamentos e demorou para se achar em campo. Completamente enrolado, Léo Pelé parece ter como único ponto forte a questionável tática de lançar bolas na área em arremesso lateral. Do outro lado, Lucas foi bem, apesar de algumas infantilidades.

Gustavo Scarpa, infelizmente, perdeu de vista o seu bom futebol. Sua queda de rendimento atesta o erro de não tê-lo vendido o quanto antes. Segurou muito a bola e tentou inclusive cavar pênaltis jogando fora de casa. Sornoza não fez nada – e a entrada de Matheus Alessandro em seu lugar não mudou o panorama.

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Jô passou Henrique Dourado na briga pela artilharia (Foto: Nelson Perez)

Pelo lado corintiano, Fágner apareceu durante um bom tempo como a principal opção ofensiva, mas a equipe paulista voltou renovada do vestiário, e não demorou muito para Jô mostrar o seu oportunismo. Como é que pode o Flu colocar tudo a perder em três minutos? Essa virada foi surpreendente apenas para quem não acompanhou o Fluminense ao longo da temporada.

E fica a grande moral de como se constrói um campeão. Apesar de ter caído de produção no segundo turno, o Corinthians não se acomodou. Apesar de faltar ainda três rodadas para o fim do campeonato, o Corinthians não quis deixar para depois. E não deixou, garantindo o hepta com o Fluminense assistindo de camarote. Na história dos pontos corridos (sistema de disputa que, por sinal, detesto cada vez mais), geralmente o título vem contra um time da parte de baixo da tabela. Foi assim com o Fluzão em 2010 (enfrentando o Guarani) e 2012 (diante do Palmeiras). Dessa vez, os de baixo fomos nós.

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Campeão em 2012, Abel Braga parabenizou o novato Fábio Carille pela conquista (Foto: Nelson Perez/FFC)

Olhando à frente

O próximo jogo do Flu será novamente em um feriado: o tricolor vai à campo segunda, Dia da Consciência Negra, contra a Ponte Preta. Só a vitória garante os mágicos 46 pontos e o fim da agonia.

P.S.: enquanto isso, Fred deixou o seu e se isolou de vez como o quarto maior artilheiro da história do Campeonato Brasileiro, superando ninguém menos que Zico. E falta pouco para o camisa 9 alcançar nomes como Romário e Edmundo nesse ranking. Que saudades do meu ex!

P.S. (2): Peu poderia ter ficado lá na Eslováquia mesmo.

P.S. (3): Até é legal ver a torcida com sinalizadores, futebol “raiz” e tal, DESDE QUE NÃO ATRAPALHE O ANDAMENTO DO JOGO. Os corintianos que soltaram a fumaça podem ser facilmente identificados e punidos. Você quer, @CBF?

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Will Bento

Will Bento

O garoto que narra e comenta suas próprias partidas no videogame agora é jornalista. Torcedor do Fluminense, nasci no ano do tetra e me apaixonei por futebol no ano do penta. Gonçalense de criação de coração. Ser campeão é detalhe, o importante é ser feliz.



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