GP do Brasil: forza Vettel!

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Vitória no Brasil era quase obrigatória para o alemão (Foto: Getty Images)

Espetáculo do outro tetracampeão à parte, Sebastian Vettel largou em segundo, mas agarrou a ponta do grid na primeira curva e venceu em Interlagos

Já fazia um tempo considerável desde que a Ferrari subiu ao lugar mais alto do pódio – para ser mais exato, desde a Hungria na dobradinha Vettel e Raikkönen. Dali em diante foi só ladeira abaixo. Mas esse final de semana a Ferrari tinha a vantagem de se sair melhor com a temperatura da pista. Hoje não é dia para falar de derrota, hoje ninguém perdeu – nem mesmo Bottas, afinal, o finlandês recebeu seu proporcional.

O circuito de Interlagos prometia incontáveis ultrapassagens, e assim se cumpriu. Foram mais de 50 roubadas de posição durante a corrida mais coerente dos últimos eventos. Ignorando a saga de Hamilton, rasgando o grid inteiro de trás para a frente, a ponta era VET – BOT – RAI – VER: o primeiro lugar do melhor piloto na dianteira; o segundo do melhor carro; o terceiro de um campeão que pode ter melhor desempenho; e o quarto lugar daquele que ainda vai escrever sua história com as mesmas glórias dos três primeiros.

No enrolo de Magnussen, Vandoorne e Ricciardo, e no giro de Grosjean antes de tocar em Ocon, a entrada do Safety Car obrigou a relargada. E Vettel, que já estava na ponta, agora conduziria o ritmo, abrindo grande vantagem na primeira posição e deixando para Bottas ser atacado por um Kimi que marcava a melhor a cada volta.

Vettel: antes vice do que nada

Após a perda da pole no Q3 para Valtteri Bottas, a largada na primeira fila ainda era garantida, mas Sebastian precisava ser impecável quando as luzes se apagassem. E, convenhamos, o que mais tem ocorrido na parceria Vettel e Ferrari são deslizes.

Enquanto Hamilton largava dos boxes e aproveitava a desvantagem para zerar seu carro, o alemão lidava com a pressão de não ser vice no grid para ser vice no campeonato. A tensão logo deu lugar a uma largada coerente, onde Sebastian atacou e ganhou a posição de Bottas na primeira curva.

Desde 2014 – ano da chegada dos motores híbridos – não se via a Mercedes ser ameaçada. Agora, perto do fim da temporada 2017, vale a reflexão: esse ano a Ferrari recuperou a sua tão cantada forza e bateu de frente com a equipe alemã – no sentido seguro da expressão, é claro.

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A Ferrari tomou o pódio para si (Foto: Divulgação)

Alcançando agora seus 302 pontos, Sebastian encontrou o sorriso que perdeu no México e aceitou, feliz, o vice-campeonato que se aproxima. Aos poucos o alemão vai se acostumando com o título do rival inglês, e se concentra em um triunfo pilotado por uma Ferrari. Vettel não quer estar ao lado de Hamilton, mas de Fangio. Para isso, só nos resta desejar “Forza Vettel!“.

Hamilton: tutorial de como ultrapassar o grid inteiro

Lewis Hamilton, rei das poles, largou dos boxes, já que iria ficar em último no grid de largada. Com absolutamente nada a perder – também pelo fato de já ter ganho tudo, o recém tetracampeão aproveitou para fazer mudanças – até troca de motor – e entrou com seu carro parecendo novo, como se estivesse no GP da Austrália, zerado.

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Maior tranquilidade impossível (Foto: LAT Images)

Passava por cada um na pista com um aviso ao próximo. “Hamilton is coming” (Hamilton está chegando) deve ter sido a frase mais falada do dia. Na 27ª volta, a certeza era de que se o inglês ultrapassasse Verstappen, subiria ao pódio. Mas nada é tão certo que não possa estar errado.

Bottas, Vettel e Verstappen trocaram seus pneus, e Hamilton aproveitou para assumir a ponta na 31ª volta tirando tudo o que podia do carro sem parar. Ali estava, provisoriamente, o pódio. O inglês havia escalado 16 posições e a pressão com seus pneus cheios de bolhas o obrigou a ir aos boxes. Ao voltar em 5º e, em seguida, roubar a 4ª posição de Max Verstappen, Kimi era o único obstáculo. Apesar do vôo baixo com os super macios, a experiência dos 90 pódios do finlandês foi suficiente para segurar Hamilton, que não conseguiu brecha para a ultrapassagem.

Ponto para Ricciardo

Dessa vez, Verstappen não nos obrigou a falar dele, mas Daniel Ricciardo, sim. O Australiano largou em 10º, caiu para 17º após um pequeno toque que o tirou momentaneamente da pista, e ainda teve gás para assumir a 5ª colocação em dada circunstância. Só não se manteve ali porque foi avisado para não impedir a passagem do seu companheiro de equipe. Max passou, Lewis também, mas o brilhante trabalho do piloto permaneceu.

A despedida de casa

Massa, emocionado no início da corrida, mal podia esperar o que vinha a acontecer em seguida: foram 3 posições ganhas logo de cara. O brasileiro se estabeleceu na sexta posição com o espanhol Fernando Alonso logo à frente. Apesar da briga forte na ponta do grid, outra batalha era travada na quinta colocação. A despedida de Felipe precisava ser na frente de Alonso – afinal, Massa se viu muitas vezes em desvantagem diante do ex-companheiro de equipe na Ferrari e por muitos anos correu na cola dele e de outros campeões. O brasileiro sabia que seu lugar seria atrás da RBR, mas não atrás de Alonso. Não hoje, não em casa.

Felipe ultrapassou o espanhol na 5ª volta e segurou na traseira de Verstappen até a escalada de Daniel Ricciardo e, inevitavelmente, a chegada do cometa Hamilton, terminando em 7º no grid. O adeus foi um excelente resultado técnico para a Williams, mas acima de tudo, foi consistente e emocionante para o piloto e todos aqueles que estiveram com ele nas últimas 15 temporadas. Ano que vem não teremos representante brasileiro na F1. Interlagos não será a casa de ninguém. Então hoje foi dia de comemorar um sétimo como se fosse um primeiro.

Como disse Felipinho, filho de Massa:

“Tenho muito orgulho de você […] irei apoiá-lo aonde for”.

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Despedida triunfal de Massa no Brasil (Foto: Reuters)

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Izabelle Souza

Izabelle Souza

Estudante de Publicidade, 20 anos, nascida e criada entre Niterói e São Gonçalo. A criança que queria correr na F1, mas acabou nadando até chegar na praia. E ainda bem que chegou! Da areia, não conseguiu evitar se apaixonar pelo surf. Da vida, não foi capaz de separar o trabalho do esporte.



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