Tico-tico no Fubá [29ª rodada]: tá jogando o quê, Robinho?

Tico-tico no Fubá [29ª rodada]: tá jogando o quê, Robinho?
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Pronto, Robinho conseguiu desviar o foco de seu mal futebol (Foto: Burno Cantini/Atlético)

Tem 0x0, tem goleada, tem time que não aproveita os moles que o Corinthians dá, tem Robinho falando abobrinha; confira os acontecimentos da rodada

O Tico-tico no Fubá dessa semana está bastante recheado, pois estranhamente, à essa altura do campeonato (literalmente), ainda há muita gente brigando por muita coisa. Menos o Cruzeiro.

Tá jogando o quê, Robinho? – Atlético-MG 2×3 Chapecoense

O nome do Atlético-MG este ano foi sempre precedido de cobrança ou comentário negativo na crônica esportiva. O torcedor atleticano passou muito tempo de 2017 decepcionado com o time, e torce para que o ano acabe logo – mas não sem a classificação para a Libertadores, que parece cada vez mais longe. O grande problema é que com os altos salários pagos aos jogadores do time, as expectativas não poderiam ser outras que não por um título de expressão. Mas isso não aconteceu. E não que a Primeira Liga servisse de prêmio de consolação para o Galo, mas a derrota nos pênaltis diante do Londrina – logo nos penais, tarefa em que a sorte já esteve do lado atleticano – parece ter enterrado de vez os ânimos de time e torcida.

Sem falar no rival Cruzeiro, campeão da Copa do Brasil, com requintes de crueldade.

Se não bastasse, nesta quarta-feira o Atlético foi notícia de forma negativa novamente. E o responsável por associar a marca do Galo à este tipo de coisa foi um jogador que veio para resolver: Robinho, que resgatado por Oswaldo de Oliveira do limbo no elenco, deixou para lá o futebol e preferiu tirar uma onda com um jogador da Chapecoense. Com um 2×2 no placar. Tirando onda. Com um jogador da Chape. O Robinho.

“Jogou aonde?”, perguntou Robinho. Nós todos, incrédulos, nos perguntamos: e você, Robinho, tá jogando o quê pra falar isso? Ok, Robinho mostrou que tem bola para sobrar no Campeonato Brasileiro no passe do gol do Valdívia. Mas um jogador que nós vimos ser vaiado dando entrevista embaixo do túnel do Horto há menos de um mês deveria ter um comportamento mais humilde.

Mas o salto alto demonstrado por Robinho é um pedaço da arrogância que permeou o elenco atleticano durante toda a temporada. E não apenas os jogadores, mas também a diretoria – afinal, toda vez que o presidente vem à público falar tem uma pérola (ou alguém aí esqueceu o “Acabou a brincadeira” após a demissão de Micale?).

A fala de Robinho seria diferente se fosse um clássico contra o Cruzeiro. Seria diferente se fosse um confronto contra um Flamengo ou Grêmio. Haveria rivalidade, mas haveria respeito. A fala de Robinho tripudia de alguém menor. Foi a falta de respeito com o adversário inferior tecnicamente. A falta de cuidado com o jogo. A certeza de que o time tem bola para decidir quando quer. Não fez durante toda a temporada, vai fazer agora, Robinho? O destino premiou a Chapecoense.

Yesterday once more – Corinthians 0x0 Grêmio

O futebol brasileiro de alto nível é cada vez mais assim como mostra a imagem (Foto: Alexandre Schneider/Getty)

Yesterday Once More é uma baladinha um tanto quanto sofrida que foi sucesso nos anos de 1900 e xablau performada pela banda The Carpenters. A música versava sobre um tempo que o eu-lírico tinha saudade e que não voltaria. A vibe era algo como: são as mesmas pessoas, são os mesmos lugares, olhe em volta, vamos reviver isso mais uma vez! Pois é, se traçarmos um paralelo com o Corinthians, este tempo que parece não voltar mais – pelo menos este ano – é o primeiro turno do futebol extremamente eficiente. E que saudade, hein?

Eu estava me recusando veementemente a selecionar como destaque um 0x0. Mas como o Santos resolveu entregar a paçoca acabou cedendo o empate ao Sport na Ilha do Retiro, Corinthians e Grêmio são líder e vice-líder, obviamente, respectivamente. Bom, já que não houve lances aos quais dar atenção, vamos falar do virtual campeão brasileiro.

Parece que o Corinthians esteve desde sempre predestinado a ser campeão em 2017. Desde o início do ano, o time de Fábio Carille tem driblado as críticas e a desconfiança – desconfiança esta com a qual veio se reencontrar agora na reta final. A temporada iniciou com o time do Parque São Jorge sendo considerado “a 4ª força” pela crônica esportiva. Hoje, as outras três forças estão 9 pontos atrás – ou alternando entrada e saída da zona de rebaixamento.

Inteligentemente, a estratégia do Corinthians foi acumular o maior número de pontos possível durante o primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Conseguiu. Conseguiu também a melhor campanha em um turno de pontos corridos na história do Brasileirão. Nada teria se mostrado tão acertado, afinal, o início da competição é marcado por equipes perdendo pontos bobos, na esperança de que mais tarde poderão recuperá-los. Não recuperam. A vantagem do Timão foi tamanha que tornou inúteis quaisquer esforços de Grêmio, Palmeiras e Santos em se aproximarem. Até agora, pelo menos.

Mas algo incomoda os torcedores corintianos: a falta do futebol eficiente que caracterizou o jogo do Corinthians no primeiro turno inteiro. Peças como Jadson, Rodriguinho e Romero tiveram mudança drástica em sua produção em campo. Não se sabe se o motivo é o cansaço ou se aquela história de “correr pelo outro” foi deixada um pouco de lado pela distância cômoda na liderança.

Bem, fato é que com este time, o Corinthians conseguiu dianteira e disputar o Brasileirão em alto nível. Mas, se quiser repetir o feito de Emerson Sheik, Guerrero, Tite e cia. na Libertadores, o Timão vai precisar de contratações – não vai dar para depender de Clayson no segundo tempo (ou de repente dá, Romarinho que nos diga). Enfim, com o desempenho caindo nesta reta final, uma coisa é certa: vai ser com emoção, como sempre é no Corinthians.

Avanti, Palestra – Palmeiras 2×0 Ponte Preta

É sempre interessante quando uma mudança de técnico surte efeito nos ânimos do time. Cuca, que possui temperamento difícil, saiu para a entrada de Alberto Valentim – que deve ser efetivado como técnico do Palmeiras ao fim do ano. E o meu “deve” quer dizer que tenho a fé de que o Palmeiras não vai jogar fora a chance de efetivá-lo, visto que as últimas duas contratações não deram certo. Enfim, com Valentim não é que o Verdão tenha sido perfeito: tomou alguns sustinhos e abusou das bolas alçadas na área no início da partida, algo como um vício do time do Palmeiras. Para a sorte dos torcedores palmeirenses, o time começou a criar jogadas – e sua qualidade prevaleceu em relação à Ponte Preta.

Alguns jogadores têm aparecido de maneira notável no time. Egídio, sempre envolto em críticas, é um que tem acertado vários passes difíceis – de 30, 40 metros. Há alguns jogos o lateral já vem jogando bem, mas lembro de um pênalti perdido do jogador na eliminação da Libertadores. No dia seguinte, Cuca veio à imprensa fazer um mea-culpa sobre o atleta. Dessa vez não tem mimimi, o homem está jogando bola. E confiante.

Outro cuja confiança parece voltar aos poucos é o atacante Borja. E antes de criticarmos o colombiano, há que se ter em mente uma coisa: centroavante hoje precisa de um time que jogue em sua função. Borja não é atacante de lado. Borja não é segundo atacante. Borja é centroavante. Ele precisa que o time jogue para ele. Não se contrata um Borja para que ele aprenda a fazer funções (falou, Cuca?). Do contrário, acontece algo como Fred na Copa de 2014. Ou Borja no Palmeiras. Bem, contra a Ponte ele teve mais minutos, o time jogou de maneira vertical. O colombiano, com oportunismo, fez o dele.

Mas ele, principalmente ele, tem jogado o fino da bola. O inigualável (ou alguém mais tem feito isso no elenco alviverde?) KENO. Eu vou resumir esta parte do texto. Parafraseando Dadá Maravilha: sem Keno, nada feito. Com Keno, faixa no peito. Era só ouvir.

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O homem do ano – que vem – do Palmeiras parece ter ressurgido das cinzas (Foto: Crédito: Cesar Greco / Palmeiras)

Qualquer tentativa de aproximação do Corinthians, à esta altura, parece um tanto quanto tardia. Mas o Palmeiras nunca esteve tão próximo ao rival. Tenho certeza de que haverá um gás a mais nessa disputa.


Um jogo que eu colocaria como destaque também foi o do Maracanã. O Fluminense fez as pazes com a torcida, venceu o São Paulo – rival direto – no Maracanã por 3 a 1 e conseguiu boa distância da zona de rebaixamento. Quem conta sobre a vitória que deu 6 pontos de vantagem ao Flu sobre a Ponte (17ª) é Will Bento.


Tico-tico no Fubá

:: O Coritiba venceu o Cruzeiro por 1×0 em golpe de sorte e segue vivo na luta para sair do Z-4. A partida reuniu um Coritiba com claras dificuldades de se impor contra um Cruzeiro preguiçoso em campo. Quando a fase é ruim, o azar bate na porta. E o Coxa, que já havia visto a vitória escapar por entre os dedos há algumas rodadas contra o Botafogo (quando jogou até bem), dessa vez, teve a sorte sorrindo. Em desvio de Diogo Barbosa (contra), depois de um escanteio, os paranaenses chegaram ao gol da vitória. O resultado encerrou um jejum de 9 jogos sem vitória – e o martírio contra o rebaixamento continua. Tendo a tradição que possui, o Coxa já deveria ter tido um período de mais estabilidade na Série A. Já o Cruzeiro encontra-se em uma situação um tanto quanto bizarra. O time está claramente fazendo hora para o campeonato acabar. Só se fala de Mano Menezes. Se vai renovar, se não vai, se vai trocar de Palestra, se tem picuinha com presidente que vai ser eleito… tudo é assunto no time celeste, menos futebol. Também, a Copa do Brasil já está de bom tamanho.

:: O Vasco venceu o moribundo Atlético-GO em Goiânia por 1×0 e diminuiu a vantagem que o Botafogo (7º) tinha em relação ao G-7. O Gigante da Colina agora é 8º colocado, há apenas dois pontos do Glorioso – que perdeu para o cruzmaltino na rodada passada. Nos últimos 3 jogos, o Vasco fez 9 pontos – e na próxima rodada enfrenta o Coritiba em São Januário.

:: Sobre o Botafogo, aconselho que leiam o texto que saiu horas antes do jogo contra o Avaí, que questiona o momento do time. Resume tudo o que aconteceu na partida. É, tá previsível.

:: Vitória 2×3 Atlético-PR – No Barradão, o Vitória, para variar, perdeu de novo. O Leão da Barra teve o dobro de finalizações do Furacão, mas não conseguiu sair com a vitória em casa – e continua tendo a pior campanha do Campeonato Brasileiro como mandande. O atacante Ribamar marcou 2 vezes de cabeça (aí você entende automaticamente a situação do Vitória) e manteve vivas as remotas chances de classificação do Atlético à Libertadores. Remotas porque os paranaenses precisam tirar 7 pontos para o Botafogo, primeiro da zona de classificação (tirando 6 pontos, o Altético fica com o mesmo número de vitórias, mas ainda tem 5 gols a menos no saldo). E em 9 rodadas, é uma tarefa ingrata. MAS, o Furacão enfrenta Sport e Chapecoense em casa na sequência e tem uma chance de ouro de reduzir a vantagem do alvinegro. Já o Vitória se complicou. Perder em casa e vencer fora pode não dar certo dessa vez – o próximo jogo é um clássico contra o Bahia, e depois o embate é contra o Atlético-GO, no Barradão. E dentro da Bahia, sabemos como é…

:: O Flamengo goleou o Bahia, que vinha de boa fase, por 4×1 dentro da Ilha do Urubu e ultrapassou o Botafogo na tabela de classificação. Agora o rubro-negro é o sexto.

O Bahia é um time bastante traiçoeiro, rápido e que arrisca muito de meia distância. O Flamengo, como bom dono da casa, foi para cima – mas deixou jogar. E a troca de perigo foi franca. Os dois times desperdiçaram muitas chances – o Flamengo chances mais claras. Diego Alves salvou o rubro-negro em diversas ocasiões, assim como o goleiro Jean salvou o Tricolor da Boa Terra de um resultado ainda mais elástico. Aliás, o goleiro do Bahia vem mostrando que é sério candidato à seleção em um futuro não tão distante.

Bom, no clássico contra o Fluminense, Réver já havia marcado um gol completamente sozinho. Dessa vez, a coisa não foi tão escancarada. Depois do escanteio, um desvio pegou a defesa baiana desprevenida e lá estava o zagueirão. De qualquer forma, as defesas por algum motivo parecem se esquecer do quanto o jogador é letal.

Depois de tantas chances criadas, por ironia do destino, o Bahia empatou de pênalti. Mas a alegria durou pouco. Réver apareceu absoluto na área em escanteio para testar pro fundo das redes. Era o 2×1.

A partir daí foi a vez de Diego brilhar. O jogador, que vinha tendo ótima atuação, fez de pênalti depois do recuo ridículo de Everton Ribeiro contra a Chape, tinha que bater outro mesmo o primeiro. E em belo giro, o meia marcou o quarto do Fla, decretando a goleada.

O ponto negativo do Flamengo, que talvez seja encoberto pela boa atuação ofensiva, foi a defesa. Muitas vezes vimos a zaga do Flamengo correndo atrás de nomes como Vinícius e Speed Mendoza. Não dá.

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Réver e Diego meteram dois gols cada um e acabaram com a graça do Bahia na Ilha do Urubu (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

:: Sport 1×1 Santos – Falando em ex-menino da vila, vamos falar sobre um ex-candidato ao título. Nossa, parece muito arrogante essa frase, não? Bem, nem tanto, avaliando que Santos e Grêmio perderam todas as chances que tiveram de reduzir – de fato – a diferença para o Corinthians. Desde o início da temporada, o Peixe joga um futebol burocrático. Com Lucas Limas fazendo apenas o básico durante toda a temporada, Bruno Henrique foi por muito tempo a lufada de criatividade no time santista. Ricardo Oliveira reapareceu decisivo na reta final para garantir alguns pontos mais para o time da Baixada, mas Bruno parece ter caído ligeiramente de produção. Enfim, Santos e Grêmio agora têm o vice-campeonato ameaçado pelo Palmeiras, que, pelo que parece, também ficará no quase. Resta saber se o trio fechará as vagas diretas à Libertadores.

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Eduardo Ramos

Eduardo Ramos

Publicitário louco por esporte, em especial o bretão, e praticante de qualquer modalidade - não necessariamente bem. Defende a existência dos Estaduais, mas não levanta a bandeira contra o futebol moderno. Tentou fugir da tarefa de escrever sobre o clube de coração, mas o destino (vulgo necessidade) bateu na porta. Tenta enxergar o jogo por suas diversas nuances - visceral, cultural e mercadológica. Fala de si mesmo na 3ª pessoa. Jornalismo, qualquer dia tamo aí.



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