Volte sempre, Chape

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Grupo rubro-negro comemora o gol que trouxe de volta a alegria de vencer uma partida. É oficial: a Chapecoense é freguês do Fla. (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

No quarto confronto do ano, Flamengo supera o Verdão do Oeste pela terceira vez e reencontra o caminho das vitórias fora de casa

Já havia 10 jogos que o clube da Gávea não sabia o que era vencer fora das fronteiras cariocas. Desde a goleada contra o fraco time do Palestino em Santiago, se instaurou uma sequência formada por empates e derrotas, inclusive o 0x0 que levou ao vice-campeonato da Copa do Brasil diante do Cruzeiro. Sob o comando de Rueda, o fundo do poço parecia ter um porão ainda mais obscuro: não havia sido marcado sequer um golzinho nos domínios adversários. Com toda a pressão por um triunfo sobre um postulante ao rebaixamento, estava na hora desse tabu cair.

E para isso, nada poderia ser melhor do que encarar um oponente que o Fla conhecesse bem. A Chapecoense foi um rival frequente d’O Mais Querido nesse ano de 2017, trazendo boas recordações para a torcida do Mengão. No primeiro turno do brasileiro, uma goleada acachapante na Ilha do Urubu por 5×1, em noite iluminada da dupla Diego-Guerrero. Pela Sul-Americana, depois de um empate sofrível em Chapecó, outra goleada na casa rubro-negra; 4×0, fora o baile.

A partida desse domingo (15) poderia ter refletido no placar também uma goleada, assim como nos jogos no RJ – apesar do domínio não ter sido tão grande para isso. Mas uma sequência de gols perdidos, com uma primeira etapa digna da mais profunda divisão do futebol brasileiro – falaremos do pênalti bizarramente perdido por Éverton Ribeiro mais a frente -, fez com que a vitória viesse pela contagem mínima. Vitória essa que teve como protagonista um jogador que estava apagado nas últimas partidas, mas que em Santa Catarina parece ter reencontrado seu bom futebol. A tarde foi de Diego.

Um primeiro tempo de 7 mil erros

Qualquer pessoa que tenha visto os primeiros 45 minutos do jogo na Arena Condá vai desejar esquecer o que se passou nesse período de tempo. Jandrei e Diego Alves, caso estivessem jogando em um estádio gélido do Leste europeu, certamente pegariam a pneumonia de suas vidas. Em nenhum momento foram ameaçados, tamanha a monotonia da partida. De positivo, apenas o fato de que o Flamengo parecia mudar sua postura errônea de só tentar fazer gols de dentro da pequena área, sem tentar muitos arremates de média/longa distância. Mas a mira não estava muito calibrada.

Nos chutes de Guerrero e Éverton, ambos vindos da intermediária, a bola passou sem levar sustos ao gol de Jandrei. E a melhor chance do Fla surgiu dos pés de quem ficou devendo – e muito – durante a primeira etapa. Éverton Ribeiro, apagado e errando quase tudo que tentava fazer, fez bonita tabelinha com Arão, que devolveu de calcanhar para o meia. ER7, com a frente limpa, tentou tirar a bola do alcance do goleiro, mas acabou tirando do gol, isolando a redonda.

No setor ofensivo, apenas Diego e Guerrero pareciam ter algo que fosse próximo de uma sintonia. O meia finalmente voltou a fazer uma boa partida, desempenhando o papel que todos esperam que ele cumpra: conduzindo a bola na meia cancha, servindo os companheiros e sendo incisivo ao partir para cima da marcação. As seis faltas recebidas só no primeiro tempo dão a tônica de como estava sendo difícil para o camisa 35. E enquanto Guerrero era regular, Éverton chancelava as críticas que seus perseguidores fazem, ao colocar a transpiração á frente da inspiração.

Na defesa, os velhos problemas de sempre. Em quase 2 meses de Flamengo, Rueda já deveria ter aprendido que Rafael Vaz e Trauco não podem jogar juntos, caso contrário, a avenida estará à disposição do adversário. E não deu outra. As velozes investidas de Apodi foram as únicas ameaças da Chape ao Fla, ainda que não levassem tanto perigo. Além disso, a insistência dos zagueiros em realizar a saída de bola, se mandando ao ataque, é algo a ser corrigido pelo técnico colombiano. Vaz, como sempre, tentava seus lançamentos de 50 metros, como se fosse o Gérson, enquanto Réver continuava se mandando ao ataque, mesmo tendo visto o quão nocivo isso pode ser para a equipe no Fla x Flu.

Com 3 pontos, sem capricho

Só os 10 primeiros do segundo tempo já mostravam serem melhores que todos os outros 45 que haviam se sucedido. Reais chances de gol foram criadas por ambos os lados, primeiro pelo da Chape. Em jogada pela esquerda de Reinaldo, se aproveitando da cochilada da zaga do Fla e acreditando na jogada até o fim, colocou a bola na cabeça de Tulio de Melo; o centroavante testou com força para o chão, obrigando Diego Alves a fazer ótima defesa. Aliás, vale nota para o fato do arqueiro rubro-negro finalmente estar correspondendo às grandes expectativas criadas acerca de sua contratação.

Diego Alves em ação para encaixar a bola; finalmente a Nação pode se sentir confiante com um goleiro. (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

O Fla respondeu com Pará, que recebeu boa inversão de Éverton Ribeiro, canetou Fabrício Bruno e chutou muito mal à direita do gol de Jandrei – as más línguas diriam que se o chute fosse contra a própria meta, levaria mais perigo. Uma nova oportunidade foi se originar também dos pés de Éverton Ribeiro, que subiu bastante de produção após o intervalo. O ponta deu ótimo passe para Diego, que driblou Jandrei e ficou com gol aberto, porém, com pouco ângulo; por isso, cruzou para Guerrero, mas a zaga afastou antes da bola chegar ao peruano.

O nível de rendimento do Fla, que já havia melhorado, recebeu um reforço a mais: Éverton, com atuação muito discreta, foi substituído por Berrío. Provando ser uma arma saindo do banco, o colombiano deu uma nova cara ao ataque, oferecendo uma opção de profundidade na ponta direita. Um bom exemplo disso foi o lance que originou o pênalti a favor d’O Mais Querido. Tudo começa em um lançamento de Éverton Ribeiro para Berrío, que apara para Guerrero emendar na mão de Douglas. O árbitro Dewson Aparecido de Freitas apontou para a marca da cal sem pestanejar.

E aí veio o retrato do Flamengo no ano de 2017. Com total displicência e indiferença, Éverton Ribeiro simplesmente recuou a bola nas mãos de Jandrei. Diante das dificuldades de conseguir um mero gol fora de casa, o craque dos campeonatos de 2013 e 2014 optou pela batida com classe. E jogou no lixo a oportunidade de abrir o placar. Uma pena, pois ali, toda a sua boa segunda etapa foi marcada apenas pela batida deplorável de penalidade máxima. Para a sorte da Nação, Diego apareceu para ser o herói da tarde.

Em outra descida de Berrío pela direita, o colombiano serviu o meia, que chutou no cantinho direito do gol defendido por Jandrei. E vinha dali o gol que encerrava os tabus que o Flamengo buscava superar e agora viraram passado.

Ainda assim, apesar da vitória, a falta de eficiência nas finalizações é algo que preocupa. A chance para matar o jogo veio nos acréscimos, após grande jogada de Guerrero, que ofereceu o famoso “faz e me abraça” para Berrío. Mas não teve gol e muito menos abraços, já que o ponta mandou a pelota por cima da meta.

Veio dos céus? Não, veio dos pés de Diego o gol da vitória flamenguista em Chapecó. (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Há quem diga que, em um momento difícil como o que o Flamengo passa, o que importa são os 3 pontos, não importa como eles venham. Do ponto de vista do torcedor, essa visão é válida, já que a sua vontade maior é ver seu clube vencer, seja por meio a zero, seja por goleada dando baile. Entretanto, é vital que a comissão técnica tenha noção de que um time que desfruta um dos melhores elencos do país, com jogadores selecionáveis, não pode render tão aquém como tem acontecido.

A solução para isso é demitir Rueda e começar tudo de novo? Óbvio que não. Mas a cobrança precisa existir. E a conformidade com resultados negativos faz parecer que ela não existe no Fla. O futebol na Gávea precisa melhorar. Seja dentro das quatro linhas, com melhores atuações e resultados, seja fora delas, com mais cobrança por parte daqueles que são responsáveis pelo gerenciamento do esporte no clube. Só assim para o Flamengo fazer voltar o prazer no seu torcedor de ver seu time do coração atuar.

O jogo foi em Chapecó, mas a festa foi da torcida do Flamengo! (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

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Roberto Accioly

Roberto Accioly

Apaixonado por esportes em geral, independentemente da modalidade. Fanático por futebol desde o berço, por NFL, onde minha torcida vai para o Seahawks desde 2010 e por NBA desde que Dirk Nowitzki detonou o Big Three de Miami nas finais de 2011.



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