Messi: mesmo criticado, jogai por nós

by RISE Esportes | 10 de outubro de 2017 13:35

FacebookLinkedInTwitterFacebook MessengerWhatsAppShare

Se la mano de D10s deu um Mundial à Argentina, os pés do messias podem salvar a albiceleste da tragédia (Foto: Juan Mabromata/AFP)

O drama argentino continua; confira o martírio dos hermanos para garantir vaga no Mundial da Rússia

Um tango sofrido, dramático e que arranha os ouvidos vem tirando o sono dos hinchas argentinos. O ritmo da Seleção Argentina nas Eliminatórias foi como uma dança completamente desarmônica, que fere o orgulho daqueles que, como na música, já foram considerado os melhores do mundo também no futebol.

Lastimável é a palavra que define a situação. A campanha terrível da albiceleste não condiz com seu estrelado elenco. Messi, 5 vezes melhor jogador do mundo; Pablo Dybala, uma das principais revelações do futebol nos últimos anos; Ángel Di María; jogador consagrado, com passagens por diversos gigantes europeus; e a lista não para por aí. No papel os hermanos são fantásticos. Em campo, problemáticos. A última rodada definirá o futuro da seleção argentina. Definirá se ao final o público comemorará ensandecido, ou chorará com o pior tango que ouviram na vida.

Na vida só temos duas certezas: uma é que todos nós iremos morrer. A outra é que Sampaoli nunca jogou Master Liga ou Modo Carreira. Quem, em sã consciência, deixa Dybala e Icardi no banco precisando garantir uma classificação para a Copa do Mundo? E mais: nem a ausência de Agüero (machucado) foi capaz de fazer Higuaín ser lembrado. Em vez disso, o ex-treinador da Seleção Chilena apostou em nomes pouco  badalados, como o de Benedetto. Em um misto de “jogo para a torcida” e tentativa de passar confiança, o atacante foi  titular contra o Peru. Mas, jogando literalmente em casa – o atacante é a referencia do Boca Juniors -, Benedetto não fez nada diferente de seus  companheiros: perdeu oportunidades.

Bom, opções não faltam ao técnico Jorge Sampaoli. Ainda assim, ele amargou o terceiro empate seguido.

O fato é que o ataque não está funcionando – e Messi está jogando sozinho. Não é uma situação confortável, Sampaoli sabe disso, mas o entrenador hermano insiste no discurso otimista: “Sigo confiante e cheio de esperança. Se jogarmos com a convicção com que jogamos hoje, não tenho dúvidas de que vamos estar no Mundial […] a classificação continua dependendo só de nós“, disse o treinador após a partida contra o Peru.

É decepcionante o desempenho da Argentina. A seleção ocupa a sexta posição da tabela, com 25 pontos em 17 jogos – um aproveitamento de 49%. Se não vencer a partida de encerramento das Eliminatórias em Quito contra o já eliminado Equador, o time precisará de uma combinação de resultados para poder disputar a repescagem do Mundial da Rússia. A albiceleste tem a missão de evitar um dos maiores vexames de sua história – dizemos um dos, porque, diferente do Brasil, que zerou a vida com o 7×1, a Argentina já afinou em várias ocasiões, como na goleada de 5 que tomaram para a Colômbia em pleno Monumental de Nuñez ou os 6×1 recentes contra a Bolívia em La Paz, passou por maus bocados mais vezes.

A classificação para a Copa do Mundo é uma obrigação. É inadmissível para o povo argentino que sua seleção termine 6º de 10 nas Eliminatórias Sul-Americanas – principalmente com um elenco do nível que a Argentina tem. Em campo, no entanto, a história é outra. Mesmo tendo apresentado bom futebol diante do Peru, em La Bombonera, a Argentina perde constantemente boas oportunidades de vencer os jogos – dificuldade que seleções emergentes, como o Paraguai e o próprio Peru não vêm tendo. Parece que apenas a camisa não será suficiente desta vez.

É a última chance da volta por cima. O jogo contra o moribundo Equador acontecerá às 20:30, mesmo horário dos outros jogos. Lembrando que será na altitude. Sampaoli, urgentemente, tenta sua primeira vitória na competição. Haja coração.

Na melhor das hipóteses, caso a Argentina vença a partida, o time se garante, no mínimo, na repescagem – para enfrentar a Nova Zelândia. Para ir diretamente à Copa do Mundo, além da vitória, os hermanos precisam de um empate no confronto entre Peru e Colômbia ou de uma vitória – ou empate – em Brasil x Chile.

Caso o jogo termine empatado, a classificação é bem improvável. Sobra-lhes a repescagem. O time dependerá de resultados em dois jogos: vitória da Colômbia sobre o Peru; vitória do Brasil sobre os chilenos por mais de um gol; além do Paraguai não vencer a partida contra a Venezuela.

No cenário mais desesperador possível, caso a Argentina perca a próxima partida, ainda pode se garantir na repescagem (!) Para que isso aconteça, a albiceleste necessita de uma derrota ou empate do Paraguai diante da Venezuela e uma derrota do Peru por mais gols que o próprio revés. Exemplo: se a Argentina perder de 1×0, o Peru precisa perder de 2×0.

messi-la-bombonera-argentina-x-peru

Messi tem a missão de evitar a maior tragédia da Seleção Argentina (Foto: Divulgação/Globoesporte.com)

Lionel Messi: mesmo criticado, rogai por nós

Não é de hoje que o jogador é criticado por não ter um título pela seleção de seu país. Forjado na mente dos torcedores à imagem e semelhança de Maradona – o onipotente D10S da narrativa histórica argentina – o “Messias” é cobrado pelos feitos de Diego. E por mais que tente, as coisas não estão andando como o esperado. Por ninguém.

Messi precisa brilhar novamente, pois a memória do torcedor é curta e ninguém mais lembra da Copa de 2014. Apesar do vice-campeonato, o argentino teve atuações decisivas – tendo sido eleito até o melhor jogador da competição. Questionado, mas foi.

Diferente do time argentino, Messi vem jogando bem. O jogador cria muitas oportunidades – que são desperdiçadas pelos companheiros de equipe (saudoso Higuaín). O jornal “La Nación” declarou recentemente que Messi continua com um brilho único. De fato, a Argentina tem muitos problemas e Messi não pode ser considerado um deles – afinal, Lionel é a salvação. Ao final da partida contra o Peru, o jogador foi ovacionado na Bombonera. Ao menos o povo argentino deixou de crucificar Messi. Resta saber até quando.

Caso a Argentina não classifique, Messi será lembrado como uma lenda no Barcelona e uma tragédia na seleção argentina. Chegou a hora de provar toda a sua força.

Há uma luz no fim do túnel, essa luz se chama Lionel Messi. Quer os argentinos gostem ou não. Mesmo criticado, Lionel, jogai por nós.

FacebookLinkedInTwitterFacebook MessengerWhatsAppShare

Source URL: http://risesportes.com.br/2017/10/10/messi-mesmo-criticado-rogai-por-nos/