GP do Japão: o tetra é logo ali

by Bruna Rodrigues | 8 de outubro de 2017 17:04

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Hamilton foi entrevistado no pódio por Takuma Sato e além de provar o anel de campeão da Indy500, deu uma provocada. Já dá pra falar em tetra? (Foto: Mercedes)

As chances de Sebastian Vettel de alcançar o penta foram reduzidas a pó no GP do Japão. O motivo? Uma vela

Há 5 corridas do fim da temporada, a distância entre os dois candidatos ao título era grande, mas nada que não pudesse ser reduzido com bons resultados: 34 pontos. Mas, para Sebastian Vettel, o grande prêmio foi uma montanha russa que só teve uma subida e uma descida. O alemão teve um bom início no Grande Prêmio, liderando o primeiro treino livre, ficando em 3º no último free practice e conquistando o segundo lugar na primeira fila no treino classificatório. Só não teve chance na segunda sessão por causa da chuva, que espantou os pilotos do treino; foi Hamilton quem liderou o FP2, com apenas cinco carros na pista.

Apesar disso, o momento da descida chegou e o tetracampeão despencou. Antes mesmo da largada, a Ferrari detectou problemas no carro 5, mas conseguiu fazer com que ele largasse. Um desperdício de energia, já que o corredor ficou preso na 2ª colocação e pouco a pouco foi ultrapassado por boa parte do grid. A única alternativa foi recolher para os boxes antes mesmo da 10ª volta. A falha mecânica não teve de grande o que teve de potencial para atrapalhar o piloto: foi um defeito na vela de ignição que causou a deficiência de potência no carro de Vettel e o afastou ainda mais da briga pelo título.

O inimigo agora é outro

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Todos os olhos neles: Hamilton e Verstappen foram as estrelas do dia. (Foto: Getty Images/Red Bull)

Mais uma vez, Hamilton pôde contar com uma tremenda sorte para potencializar seu domínio no campeonato. O britânico somava, até então, 7 vitórias na temporada corrente. Entretanto, apesar de ter seu principal adversário fora da disputa, o tricampeão não estava em posição de relaxar: precisava lidar com o renovado Max Verstappen, que voltou a parecer mais consigo mesmo depois de vencer na Malásia e deixar para trás a primeira metade traumática da temporada. O holandês herdou a 2ª posição de Sebastian Vettel e ofereceu um perigo considerável ao líder do campeonato. Perto da metade da prova, o jovem perdeu a vice-liderança para o colega de equipe Daniel Ricciardo na ocasião em que fez a sua primeira parada. Mas Verstappen não deixou de ser uma ameaça durante toda a corrida – tanto que Hamilton dependeu de seu escudeiro, Bottas, para segurar a dupla da Red Bull atrás e garantir tanto a sua vitória quanto a dobradinha da Mercedes. Não deu tão certo.

Em segundo plano, o finlandês não fez uma das suas melhores provas no Japão. Chegou a aparecer em 2º por poucas voltas, transitou pelo 3º, 4º e 5º lugares, mas no fim, foi deixado para trás por Ricciardo e Verstappen – ambos com um ritmo muito melhor, apesar da disparidade de equipamentos.

Na segunda metade da corrida, a disputa ficou morna, mas ainda teve alguns lapsos. Na volta 43, Magnussen e Massa quase bateram, mas, por sorte, o dinamarquês conseguiu evitar algo pior e o contato não passou de um toque no carro da Williams. O vice-campeão de 2008 escorregou e saiu da trajetória. Grosjean, atrás dos dois, aproveitou o espaço para passar direto.

Briga de veteranos no GP do Japão

A disputa em Suzuka não se concentrou apenas nos postulantes à vitória. Dessa vez, os pilotos mais experientes tiveram seu momento sob os holofotes, dando um rápido gostinho de nostalgia à prova. Primeiro, Felipe Massa e Kimi Raikkonen, nas voltas iniciais. No pega por uma posição melhor na zona de pontuação, o brasileiro se segurou como pôde, mas não impediu o campeão de 2007, que fez a ultrapassagem no meio da volta.  Já perto do fim da prova, foi a vez de Fernando Alonso contra o carro 19 da Williams na luta pela 10ª posição, que concederia um único ponto a quem a alcançasse. O bicampeão disputou com Massa até – literalmente – o fim, mas dessa vez, foi o brasileiro que levou a melhor.

O que falta em idade, sobra em perigo

Nas voltas finais, todos os olhos se voltaram novamente para Hamilton e Verstappen. Em sua melhor fase na temporada, o piloto de 20 anos não se acuou diante do adversário – 12 anos mais velho e muito mais experiente. Pelo contrário. O piloto holandês usou de muito arrojo e ofereceu ao público um dos melhores momentos da corrida no Japão. A menos de 5 giros para o fim da prova, Hamilton não pôde piscar: Verstappen reduziu a distância entre eles para menos de meio segundo e lhe deu bons sustos. Para tornar o momento ainda mais tenso, os dois tiveram dificuldades com o tráfego causado na pista pelos retardatários, especialmente Massa e Alonso. O brasileiro que ainda concorria contra o espanhol por 1 ponto atrasou Verstappen – e pela falta de espaço obrigou o garoto a reduzir, distanciando-se mais de Hamilton.

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Não é sempre que a história termina com um final feliz para todo mundo: uns com a vitória, outros com uma dobradinha (Foto: AFP)

Max não teve mais tempo e, com a bandeirada final concedendo a vitória à Lewis Hamilton, teve que se contentar com o 2º lugar – posição bem razoável para quem vinha, até então, lidando com uma temporada difícil. Atrás dele, Ricciardo conseguiu repelir Valtteri Bottas e chegou em 3º, conquistando seu primeiro pódio em Suzuka. O objetivo para ambos, claro, era a vitória, mas a dobradinha fez bem não só à Red Bull, como aos ânimos dos dois pilotos. A construtora austríaca, terceira colocada no mundial, soma agora 303 pontos, a uma distância de 92 da Ferrari. Em um confortável primeiro lugar, a Mercedes desfruta de seus 540 pontos, que já lhe concedem virtualmente o tetracampeonato.

O campeonato: “É tetraaaaa”(?)

Com o resultado em Suzuka, Lewis Hamilton alcançou a marca de 61 vitórias em sua carreira, número que vai demorar a ser batido. Essa foi também a 8ª conquista do britânico na temporada e a sua 4ª na história do Grande Prêmio do Japão. Não obstante, os 25 pontos foram um “nitro” em sua corrida em busca do título: o inglês agora soma 306 pontos contra os 247 de Sebastian Vettel. A considerável distância (59 pts.) torna praticamente impossível uma reviravolta, já que Lewis tem grandes chances de já garantir o caneco na próxima corrida, nos Estados Unidos, daqui duas semanas.

E se o fato de estar prestes a perder o título já era suficientemente ruim para Vettel, agora ele tem outra coisa com o que se preocupar: Valtteri Bottas está em seu retrovisor (13pts. de distância). Apesar das corridas discretas que vem fazendo e de servir dentro de sua equipe mais como um escudeiro do que um competidor, o finlandês também tem feito a sua parte. Coletando os pontos que consegue e em 3º até então, Bottas se manteve seguro na tabela, já que o 4º colocado, Ricciardo, está 42 pontos atrás dele. A busca pelo vice-campeonato segue para o piloto de 28 anos, que não tem muito a perder, mas bastante a ganhar.

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Que fase… (Foto: Reuters)

Por ter preferido dar assistência à equipe antes da largada ao invés de participar da cerimônia de abertura do Grande Prêmio do Japão, o piloto pode ser penalizado pela ação. Vettel sabe que não pode mais contar com a sorte. São quatro provas para o fim do campeonato e o alemão terá que dar o melhor de si – o que não é difícil para ele – e esperar a vontade do destino. Dadas as circunstâncias que a Ferrari tem vivenciado nas últimas corridas, por via das dúvidas, talvez a scuderia italiana esteja precisando acender algumas velas.

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