[Raio-X] Filipe Toledo: o que falta para o título mundial?

[Raio-X] Filipe Toledo: o que falta para o título mundial?
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Toledo reverencia o público no Oi Rio Pro (Foto: Reprodução/WSL)

Após o título de Medina, a porteira da WSL para os brasileiros abriu e no ano seguinte Mineirinho conseguiu o feito. Mas quem disse que para por aí? O Brazillian Storm vem com tudo e a cada ano uma nova promessa surge; hoje analisaremos o paulistano Filipe Toledo

De Ubatuba para o mundo…

O surf está realmente no sangue. Filipinho é filho de Ricardo Toledo, tricampeão brasileiro de surf (1985, 1991 e 1995). Ricardo é figura certa nas baterias do filho, desde o QS (Qualifying Series, a divisão de acesso para a liga mundial – a famosa série B do surf), até às etapas do Circuito Mundial atuais. Além disso, seu irmão Matheus Toledo foi campeão paulista profissional em 2010. Logo, podemos afirmar que o surf está de fato no sangue da família.

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De Ubatuba para o mundo, Filipe Toledo, o Filipinho (Foto: Damien Poullenot/WSL)

A rápida ascensão

Desde muito cedo Filipinho já sentia a pressão de ser um competidor e uma promessa brasileira. Campeão de todas as categorias que disputou como amador, profissionalizou-se com apenas 16 anos e no ano seguinte já disputava suas primeiras etapas no QS e enquanto isso você chora conta de Netflix com os pais. Em 2013, aos 17 anos, se tornou
o surfista mais jovem a ingressar na elite mundial do surf – lugar que ocupa até hoje, provavelmente por falta de divisões superiores.

A consolidação no WCT

Sua estreia no WCT foi um tanto quanto tímida, mas muito positiva – um 15º lugar no ranking, sendo o 3º lugar na etapa da França seu melhor resultado. Em 2014, por conta de uma lesão, ocupou a 17ª posição do ranking e viu o compatriota Gabriel Medina tornar-se o primeiro brasileiro campeão mundial (mas essa história contaremos depois). Na temporada seguinte, que coroou Adriano de Souza, o Mineirinho, como campeão do CT, Filipe tocou o famoso zaralho junto com o Brazillian Storm e alcançou a 4ª colocação na competição. Ao fim da última etapa, em Pipeline, dos cinco melhores surfistas, três eram brazucas! Em 2016 a expectativa de Toledo foi frustrada após sofrer uma grave lesão na primeira etapa do CT, que o tirou dos dois eventos posteriores e fez o brasileiro amargar um 10º lugar no fim das contas.

O que falta para o título, afinal?

A cada temporada que se inicia Filipinho é nome certo na lista dos surfistas favoritos ao título mundial. Contudo, o brazuca ainda precisa se superar em certos aspectos para alcançar de vez o topo do mundo do surf. O primeiro deles é ficar longe das lesões, que infelizmente insistem em perseguir o atleta e são comuns em sua carreira. Filipinho já ficou fora de 3 etapas desde que chegou ao CT por conta de lesões, além de já ter se contundido durante baterias e por isso não ter prosseguido em algumas delas.

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Toledo se machucou na etapa em Gold Coast (Foto: Kirstin Scholtz/WSL)

Na temporada atual, Filipe foi suspenso do evento de Outerknown Fiji Pro, etapa subsequente do Oi Rio Pro, após uma discussão com os juízes que o avaliaram na etapa de Saquarema. No contexto, Filipe ocupava a 6ª posição e perdeu uma grande chance de subir no ranking. Vivendo e aprendendo.

Uma pitada de tube rider

Outro fator a ser melhorado no surfista dos aéreos insanos é a sua performance em competições de ondas tubulares. Em comparação com etapas de ondas médias (de 3 pés), os resultados de Filipinho deixam bastante a desejar. Eventos como Margaret River, Fiji, Tahiti e Pipeline são os que o brasileiro mais tem dificuldades para pontuar. Geralmente seu desempenho nessas etapas fica entre a 9ª a 13ª posições – colocações medianas para quem tem como objetivo o título, e que pesam ao final do campeonato.

Vale ressaltar que Filipe Toledo, apesar das limitações – como todos os concorrentes -, é sim um atleta muito acima da média e com condições claras de ser o melhor do mundo. Acima de tudo, apresenta sempre um surf agressivo e progressivo, com manobras fortes, aéreos que beiram a perfeição e resultados bem consistentes.

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Gabriel Alves

Gabriel Alves

Estudante de Publicidade na UFF, 19 anos, nascido e criado no Rio de Janeiro. Aprendeu a amar esportes muito jovem. Aquele clássico aluno que tomava bronca por displicência em sala de aula, mas que era exemplar na educação física. Não foi agraciado com o futebol de um Ronaldinho e no surf foi só Gabriel - e não um Medina. Mas aprendeu a amar, sentir e falar do esporte da sua maneira, e nisso se tornou um craque.



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