Recuperação para quem?

Recuperação para quem?
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Vitória diante do Coxa não significa recuperação e sim, continuação(Foto: Geraldo Bubniak/AGB)

Diante do Coritiba no Couto Pereira, o Botafogo mostrou que recuperação não é algo necessário para esse time copeiro

De todos os lados da grande mídia, desde a fatídica quarta-feira passada, a palavra de ordem sempre foi a mesma: recuperação. Mas convenhamos que o Botafogo não tem que se recuperar de absolutamente nada.

Diante de um forte e copeiro time do Grêmio, caímos de pé nas quartas de final de uma Libertadores. Contra o Flamengo, na semifinal da Copa do Brasil, outro 1 a 0 em 180 minutos. Para um time sem grandes investimentos – e pior, bem abaixo dos dois adversários – o Botafogo foi guerreiro. Usar como muleta a justificativa de que temos menos dinheiro também não é o caminho. Mas ignorar o fato de que nessa mesma data, há exatos 2 anos, estávamos jogando a Série B e apenas ela, é cuspir no prato que comemos.

Ontem, diante do Coritiba, o Alvinegro mostrou que pode ir muito longe ainda. E que a luta continua.

Poder de reação e tranquilidade

Contra um time desesperado do Coxa dentro do Couto Pereira, o Glorioso parece ter posto em prática dois pontos que contribuíram para as quedas nas competições que disputava.

Primeiramente, em um pênalti extremamente interpretativo, os donos da casa tiveram a chance de abrir o marcador. Só que, diante do melhor goleiro do país na marca da cal, contar o pênalti como vantagem é um erro. Eram 7 defesas em 11 cobranças. Agora são 8 em 12. Incríveis 67% de aproveitamento diante dos batedores. E o mais impressionante é que Gatito continua surpreendendo a cada defesa. Seja no canto, no meio, rasteiro ou à meia altura, o paraguaio voa na redonda com tanto segurança que chega a assustar os adversários – e nos alegrar do lado de cá.

Mas ainda assim, parecia que a tarde de domingo não daria muito certo lá no Alto da Glória. Um minuto depois, bola na área. Werley, entre dois marcadores altos, cabeceou firme, no chão. Indefensável. Um a zero para o Coxa. À essa altura, os mais pessimistas já diziam que viria mais uma derrota e que o clima de eliminação iria pesar daqui para a frente.

Mas o Botafogo não esmoreceu. Entraram em campo dois jogadores fundamentais para a vitória: poder de reação e tranquilidade.

Mesmo tendo perdido algumas boas chances – como a de Roger que finalizou para fora, sozinho, em um contra-ataque 3 contra 1 – algo parecia diferente. Dos pés de João Paulo, no início do segundo tempo, veio a reação: bola na área, posta com a mão, na cabeça do 9. Testada firme, bem dada, no alto. Sem chances para Wilson e 1 a 1.

Sem comemorações, mas com muita entrega

Mesmo sem comemorar os gols de ontem, o time não deixou de dar o sangue em cada lance que precisava dividir. Reconhecidos por terem garra em todos os momentos, os jogadores mostravam um sentimento diferente nessa partida. Parecia que, de fato, estavam de luto. Não pelo time ou pela falta de vontade. Mas por saberem que dava para chegar mais longe e que, justamente pela garra excessiva que eles têm, isso era perfeitamente possível.

Sem Pimpão e com Gilson de titular, Guilherme entrou na segunda etapa, no lugar do próprio lateral que estava improvisado. E bastaram 30 segundos em campo e um toque na bola. Depois de uma troca de passes extremamente eficiente, que começa em Arnaldo, roda na triangulação de Roger e Bruno Silva e termina nos pés do camisa 20, vem a virada: gol de Guilherme. Gol do Botafogo e mais uma não-celebração curiosa.

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Mesmo sem comemorar os dois primeiros gols, os jogadores deixaram claro que o trabalho continua com muita vontade e garra (Foto: Divulgação/Twitter Oficial do Botafogo)

A transpiração não deixou de existir. O sentimento de perda não apagou a vontade e o brilho dentro de campo. A prova veio pouco depois em mais um lance duvidoso da fraca arbitragem: falta na entrada da área.

Thiago Carleto – que nós conhecemos muito bem e já tinha perdido o pênalti – pegou a bola. Nas faltas, ele é fatal. E não deu outra: chute cruzado, firme, rasteiro, mas defensável. Sem colocar qualquer culpa em Gatito, ela morreu lá dentro. Com o 2 a 2 aos 39, o sentimento de “não é hoje” voltava ao gramado.

Ainda há luta

Não é hoje? É hoje sim!

Esse time não é esperar. E não iria esperar. Pouco mais de um minuto depois, em blitz no ataque, a bola subiu e parou no peito de João Paulo, na risca da pequena área. Ele podia ter isolado como fazem alguns, mas mostrou a qualidade que tem: amorteceu ela e sem deixar cair, bateu cruzado, forte. Wilson, mesmo tendo saído muito bem, não pôde defender.

Era o 3 a 2. Um placar digno do jogo que foi ontem. Não que o Botafogo tenha sido extremamente superior ou incontestável. Ou que o Coxa, dentro de casa, tenha feito a pior das partidas. Mas o Alvinegro foi eficiente e cirúrgico. Dentro do que precisava fazer, não falhou. E os três pontos vieram com méritos.

E não essa de recuperação. Sexta colocação no Brasileirão, com 4 pontos de diferença para o 2º colocado, o Santos. Partidas consistentes dentro e fora de casa, além da melhor campanha do returno. Os gols, que cismavam em não aparecer, estão surgindo sem perda de consciência tática e defensiva.

Recuperação? Isso é para quem não acredita. Isso é para quem não viu o time trágico de 2004 que, comparativamente, também foi um time recém-chegado de Série B e com baixo orçamento. É só parar e comparar.

jogadores-botafogo-comemorando-gol-contra-coxa

A luta continua e estamos juntos (Foto: Reprodução/YouTube)

Estamos mais vivos do que nunca. O sonho não acabou e não vai acabar tão cedo. A volta ao cenário nacional já aconteceu e nós estamos juntos como sempre estivemos.

Seguimos na luta. Que venha o próximo adversário. O Botafogo já descobriu que não existe bicho papão.

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Guilherme Porto

Guilherme Porto

Esporte sempre foi a minha paixão. Apaixonado por NFL e Futebol, mas acompanho tudo que gere competição, desde golf até curling. E para um cara que preferia os jogos gravados em fita cassete da Copa de 94 aos desenhos animados antes de ir à aula na creche, trabalhar com isso é privilégio.



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