Faltou capricho

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Com pouca inspiração e contra um adversário embalado, o time de Rueda ficou só no empate em casa (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Com o time repleto de reservas, Flamengo peca nas finalizações e não sai do empate com o Avaí

Não era segredo para ninguém que o foco no Flamengo está totalmente desviado para a decisão de quarta-feira diante do Cruzeiro, valendo a taça da Copa do Brasil. Mas antes da aguardada final, havia o compromisso pelo Campeonato Brasileiro contra o Avaí. E por conta da priorização correta dada ao jogo do meio da semana, Rueda utilizou a partida desse sábado (23) para dar rodagem ao elenco. Ou seja, diversos jogadores que não vinham tendo muita oportunidade na equipe titular foram escalados entre os 11 iniciais – além daqueles que não podem jogar no meio da semana.

A surpresa maior na escalação ficou pela opção de Rueda por Diego Alves, já que todas as prévias apontavam para a titularidade do goleiro Muralha, que será o arqueiro rubro-negro contra o Cruzeiro. No entanto, alegando um certo temor por perder o único jogador disponível para a posição na Copa do Brasil em alguma fatalidade – o outro é Gabriel Batista, jovem do sub-20 que nunca fez uma partida pelo time profissional -, o técnico colombiano decidiu poupá-lo. Mais uma chance para Diego Alves continuar sua boa sequência e mostrar para quê veio.

Relembrando velhos problemas

Contra o Avaí, o torcedor flamenguista foi “contemplado” com flashbacks de momentos nada agradáveis vividos nessa temporada com o tão criticado Zé Ricardo no comando da equipe. Começou logo na escalação. Estavam presentes entre os titulares nomes que a torcida quer ver nem pintados de ouro: Rafael Vaz, Márcio Araújo, Gabriel e Matheus Sávio. Mas, por se tratar de uma partida em que, evidentemente, a melhor opção era realmente preservar os principais jogadores, a paciência em ter que aturar estas preciosidades foi um pouco maior. Mas ela não durou muito.

Do quarteto, Márcio Araújo e Matheus Sávio foram os que mais erraram desde o início do jogo. O volante, para variar, não se apresentou para ajudar na saída de bola, falhou em algumas coberturas, não deu opção de chegada ao ataque e errou até mesmo naquilo que é considerado especialista: o passe curto, sem muita objetividade. Foi preciso apenas uma lambança da sua parte para a torcida já começar a ficar furiosa.

Em jogada confusa no campo de defesa, o camisa 8 fez uma interceptação que, de início, se mostrou uma boa jogada. Sua sequência, entretanto, foi desastrosa. Tentando sair jogando, deu passe no pé do adversário, que não dominou de primeira. Mancuello foi tentar afastar e encontrou um obstáculo à frente: o próprio Márcio Araújo, que ao “desarmar” o argentino, deu uma assistência para Júnior Dutra, que saiu na cara de Diego Alves. A finalização não saiu da maneira ideal, mas o goleiro fez ótima defesa, salvando aquilo que seria o primeiro gol do jogo.

Já Matheus Sávio demonstrava os mesmos problemas de sempre, como a falta de segurança ao tentar partir para cima – o que dificultava a sequência dos lances de ataque. Erros de passe bobos, assim como a tomada de decisões equivocadas em algumas jogadas também foram a tônica de sua atuação. Não demorou muito para surgirem as primeiras vaias direcionadas ao jovem jogador, que um dia já foi tido como valiosa promessa da base rubro-negra, mas que hoje é um dos presentes na lista negra da torcida.

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Os dois extremos técnicos do Flamengo em uma foto só; Everton Ribeiro o extremo positivo e Matheus Sávio o negativo (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Gabriel foi outro que, diante de sua deficiência técnica, teve péssima partida e também acabou sendo alvo de vaias e críticas dos 9 mil torcedores presentes na Ilha do Urubu. Dos “perseguidos” pelos torcedores, o que teve uma partida mais segura foi Rafael Vaz. Bem nas antecipações e nas saídas de bola, fez uma dupla bem segura ao lado de Rhodolfo. Porém, no único momento em que falharam, juntamente com o resto da defesa, a consequência foi severa. Nascida de falta boba de Everton Ribeiro, o gol do Avaí, marcado por Pedro Castro, foi fruto de uma falha coletiva do setor defensivo do Fla.

A bola cruzada do lado esquerdo passou por todo mundo, inclusive os jogadores do Leão da Ilha, e morreu no canto esquerdo do gol defendido por Diego Alves. O tento vinha como uma forma de castigo ao Flamengo por tanto martelar no ataque e não conseguir marcar o seu. Sintetizando, o primeiro tempo do Mais Querido foi um dejávu, por apresentar tudo aquilo que foi marca da época em que Zé Ricardo era o comandante: a opção por jogadores de qualidade técnica questionável e a falta de eficiência nas finalizações. A segunda etapa precisava ser diferente. Mas pouca coisa mudou.

Ficou no quase

Diante de uma atuação nos primeiros 45 minutos, em que apenas Everton Ribeiro e Paquetá se destacaram positivamente, Rueda constatou que algo precisava ser feito no vestiário. Por isso, sacou Matheus Sávio para trazer Geuvânio ao jogo – o que não adiantou muita coisa. A contratação do ponta revelado no Santos se mostra mais equivocada a cada jogo. Pouco objetivo e tentando lances de efeito em momentos inoportunos, não foi a melhor das opções de jogada no segundo tempo. Sua única boa investida foi uma finalização de média distância que obrigou Douglas a fazer grande defesa. Aliás, o goleiro Douglas, novamente, foi o principal nome do Avaí.

Foram pelo menos três as grandes defesas do goleiro de 28 anos que surgiu como um dos melhores jogadores da posição no campeonato desse ano. Além disso, a sorte parecia estar do seu lado – quando uma intervenção sua não evitava o gol do Flamengo, era a trave. Foi assim o lance em que Paquetá, ao se esticar para tocar na bola, deslocou Douglas do lance, que apenas a acompanhou com os olhos. A pelota beijou o pé da trave e saiu, para alegria dos torcedores avaianos. Mas, como água mole batendo em pedra dura acaba furando a pedra, o Fla tanto pressionou que furou a retranca adversária.

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Lucas Paquetá observa com sofrimento bola bater na trave, sob o olhar da torcida de Douglas (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Aos 35, após bola afastada pela zaga do Avaí em cobrança de escanteio, Rodinei pegou a sobra e acertou chute de rara felicidade no ângulo direito de Douglas. A bola ainda bateu no travessão antes de entrar, o que deixou o gol ainda mais bonito. Restavam cerca de 15 minutos para um abafa final, na tentativa de conseguir uma grande virada. Para isso, a presença de Vinícius Júnior foi fundamental, que, ao entrar no lugar de Gabriel, deu uma opção muito melhor de jogadas pela esquerda. Avançavam por ali ele e Everton Ribeiro. E foi naquele setor que surgiram duas grandes oportunidades.

Primeiro foi Paquetá que funcionou como zagueiro, ao finalizar de cabeça por cima do gol, em lance no qual Vinícius Júnior chegava em melhor posição de marcar. Mas o momento que mais enfureceu a Nação foi quando Vizeu, já em descrédito com os torcedores, apareceu livre na pequena área para escorar cruzamento de Everton Ribeiro. Mas, como um atacante de várzea, errou totalmente o cabeceio e isolou a bola. Foi a última chance do Flamengo de ainda tentar uma vitória que seria importantíssima para consolidar o time carioca no G4.

Com o empate, fica a possibilidade do Fla ser ultrapassado por Cruzeiro e Botafogo, o que tiraria o rubro-negro até mesmo do G6. Todo esse contexto dá ainda mais importância para a decisão da Copa do Brasil. A torcida está ainda mais ansiosa por quarta-feira. No dia seguinte, os torcedores podem amanhecer com seu time do coração no céu da euforia, com título e vaga na Libertadores já assegurada – ou no inferno de um vice-campeonato e a incerteza da classificação para a próxima edição do torneio continental mais importante da América Latina.

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Roberto Accioly

Roberto Accioly

Apaixonado por esportes em geral, independentemente da modalidade. Fanático por futebol desde o berço, por NFL, onde minha torcida vai para o Seahawks desde 2010 e por NBA desde que Dirk Nowitzki detonou o Big Three de Miami nas finais de 2011.



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