Segue o baile

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A quarta-feira foi de baile para o rubro-negro! (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Pela segunda vez no ano, Flamengo usa seu mando de campo contra a Chape para atropelar o adversário e avançar às quartas da Sul-Americana

Chegando à Ilha do Urubu nesta quarta-feira (20), o desejo de todo rubro-negro era de que a atuação diante da Chapecoense na partida de volta das oitavas da Sul-Americana fosse semelhante ao do dia 22 de junho. Na referida data, o Flamengo simplesmente massacrou o Verdão do Oeste, com uma atuação de gala de Diego e Guerrero, que fizeram todos os gols do time naquele marcante 5×1. No entanto, o que nenhum flamenguista esperava era que o desempenho no jogo de ontem seria ainda melhor do que naquele jogo pelo Brasileirão.

Enfim, um esquadrão

Por ser uma competição de relevância internacional, e que assumiu uma importância maior pelo aumento no seu nível técnico, os clubes brasileiros passaram a dar mais valor à Sul-Americana do que em outrora. Isso faz com que os técnicos passem a mandar à campo aquilo que têm de melhor – afinal, o título continental, além de dar valer taça e premiação valiosos, ainda presenteia o campeão com uma vaga na Libertadores. Logo, era dia de Rueda selecionar seus 11 melhores jogadores para para o duelo decisivo da noite. O resultado foi o que era esperado por todo rubro-negro há muito tempo.

O que a Nação pediu: Éverton Ribeiro e Diego Ribas escalados juntos; mais chances para Juan na zaga; Cuéllar na posição de primeiro volante – ao invés de Márcio Araújo. Mas isso não estava no gibi. Ainda assim, finalmente, o dia em que isso tudo aconteceu ao mesmo tempo foi essa quarta. A reação da torcida ao ver aquela escalação que parecia ser a ideal foi de alegria e alívio. Alegria por se deparar com um time titular de peso e qualidade, que há muito não viam vestir o manto. E alívio por, enfim, terem suas preces serem atendidas. Rueda mostrou que, enquanto outros técnicos deixam de fazer o simples, não inventar e escalar aqueles que de fato merecem faz mais sentido.


Diego Alves, Pará, Réver, Juan e Trauco;
Cuéllar, William Arão e Diego;
Berrío, Guerrero e Everton Ribeiro


O time que todo torcedor ansiava por ver jogar estava lá. E ele correspondeu a todas as expectativas logo de início. Já aos 6 minutos, em um lance confuso da arbitragem, Guerrero recebeu lançamento de Trauco – ao mesmo tempo em que o bandeirinha assinalava impedimento e o árbitro mandava seguir o jogo. O peruano tentou driblar Jandrei e eles foram ao chão; enquanto isso Cuéllar se apresentava para aproveitar o momento em que a bola se ofereceu aos seus pés. O colombiano apenas fez o básico: mandou a bola para as redes.

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Um monstro na ‘volância’, Cuéllar fez partida impecável contra a Chape (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

O básico que muitos não conseguiriam fazer – inclusive seu companheiro de posição, que tanto foi preferido em detrimento do volante gringo. Cuéllar mostra a cada jogo que a decisão por escalar Márcio Araújo como titular se mostra cada vez mais errônea. O belo passe de Trauco para seu compatriota centroavante fez com que muitos dos seus defensores já começassem a justificar sua presença em campo. Porém, a partida mostrava ser um retrato do que o lateral tem sido toda a temporada: uma boa opção no ataque, mas uma avenida na defesa. Arthur ganhava todos os embates em cima do adversário pelo flanco direito e o lateral se encontrava totalmente perdido na marcação.

Um show coletivo

Mesmo com as adversidades que Trauco enfrentava, elas não se mostravam um problema para o time de vermelho e preto. As coberturas precisas de Juan e Cuéllar tranquilizavam torcida, técnico e Trauco. O zagueiro e o volante terminariam o jogo com um gol cada e fizeram suas melhores partidas com a camisa do Flamengo – totalmente seguros e precisos nos desarmes e antecipações, além de subirem ao ataque com eficácia. Mas seria injusto destacar a atuação individual destes dois sem citar o ótimo desempenho coletivo do grupo.

E essa foi a maior diferença da goleada de ontem por 4×0, para a de 5×1 na 9ª rodada do Brasileirão. Enquanto no massacre pelo torneio nacional a atuação coletiva não foi algo de se encher os olhos – os dias iluminados de Diego e Guerrero salvaram o time -, ontem foi o inverso. A equipe de Rueda se provou absoluta durante os 90 minutos, sem ser muito ameaçada pela Chape, que só teve uma boa chance no jogo inteiro. Ela esteve nos pés de Penilla, que aproveitou espaço dado por Pará para invadir a área e ficar cara a cara com Diego Alves. O goleiro de seleção brasileira fez ótima defesa após o arremate do equatoriano, mostrando ao torcedor flamenguista que, de fato, agora se tem um grande arqueiro que defenda a meta rubro-negra.

Esse lance ocorreu já quando o placar marcava 2×0 a favor do Fla, pois Arão havia aproveitado grande jogada de Guerrero em cima de Douglas Grolli, que cruzou para o volante artilheiro escorar a bola para o fundo do gol. Chances para aumentar ainda mais a vantagem apareceram, nos pés de Berrío e Everton Ribeiro. No entanto, a falta de um domínio mais preciso evitou com que O Mais Querido matasse o confronto já no 1° tempo. Ambos perderam oportunidades em que estiveram livres dentro da área, mas acabaram por deixar a bola escapar de seus pés.

Segunda etapa impecável

O que já havia sido ótimo nos 45 minutos iniciais, ficou ainda mais agradável de se ver no 2° tempo. A segurança do time do Flamengo ficou ainda maior, evitando qualquer tipo de chance de perigo da equipe catarinense. A harmonia entre zagueiros e volantes possibilitou a neutralização do ataque da Chape, que nada ameaçou o gol de Diego Alves. Em contrapartida, a equipe carioca aumentava seu rendimento no ataque, mesmo encontrando problemas para a criação de jogadas no lado direito do setor.

Essas dificuldades surgiam de uma segunda etapa ruim de Berrío, que errava até domínios simples. Entretanto, elas aumentaram ainda mais após a entrada de Gabriel. O atacante chegou à Gávea em 2013 e até hoje não mostrou para o que veio, aproveitou o jogo diante da Chape para dar mais uma amostra do quanto pode ser inútil. Diferentemente do tanque colombiano que joga por ali, o franzino ponta parecia ter medo de estar em campo, se escondendo das jogadas. Ao invés de abrir e dar opções de jogadas a Pará, fazia justamente o contrário: se escondia no meio da marcação adversária.

Com isso, o lateral rubro-negro ficou sobrecarregado, e tinha de tentar realizar todas as jogadas por aquele flanco sozinho. E ainda assim conseguia levar um certo perigo, corroborando sua ótima partida. E foi dos seus pés que surgiu o terceiro gol do Fla. Ao bater falta para dentro da área, Guerrero testou forte e obrigou Jandrei a fazer ótima defesa; no rebote, Juan aproveitou para mandar a bola para o fundo do barbante. Foi o que a torcida, já encantada com sua atuação, precisou para entoar altos cantos de “Juan é seleção!” para exaltar seu zagueiro.

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Juan, o símbolo da raça que todo torcedor rubro-negro deseja ver de seus jogadores (Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo)

E não parou por aí. Ainda teve tempo para Éverton Ribeiro, que também fez boa partida, enfiar uma bola magistral para Lucas Paquetá marcar o quarto tento do rubro-negro na noite. O jovem atacante tem provado ser a melhor opção para ser o backup de Guerrero.

O time fez uma exibição para ficar na memória e deixar o torcedor bem confiante para a próxima fase da competição. A possibilidade de um clássico carioca entre Flamengo e Fluminense é real. E, para o bem do futebol brasileiro, e principalmente do carioca, que o Flu passe e tenhamos dois grandes confrontos pelas quartas da Sul-Americana.

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Roberto Accioly

Roberto Accioly

Apaixonado por esportes em geral, independentemente da modalidade. Fanático por futebol desde o berço, por NFL, onde minha torcida vai para o Seahawks desde 2010 e por NBA desde que Dirk Nowitzki detonou o Big Three de Miami nas finais de 2011.



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