IndyCar: um sonho

IndyCar: um sonho
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Depois de 6 anos na IndyCar Series, Josef Newgarden conquista seu primeiro título na categoria (Foto: IndyCar/Joe Skibinski)

O garoto prodígio se tornou o sonho americano do automobilismo e realizou o seu próprio no GP de Sonoma

A temporada 2017 da Indy foi uma aventura pessoal, uma verdadeira história de humanidade, quase um roteiro de filme. O garoto prodígio retornou para casa após uma jornada não tão bem-sucedida na Europa. Começou de baixo, já mostrando muita fibra e conquistou, enfim, um lugar de destaque. Com os holofotes sobre si, fez jus às expectativas dos fãs – e o fez com louvor. Perto do fim, por muito azar e um pouco de equívoco próprio, quase viu seu sonho se distanciar justo na maior chance que havia tido até então. Mas suas chances não tinham morrido. Chegou ao último capítulo com tudo a perder ou a ganhar e, após 85 voltas de dúvida, conseguiu realizar o maior feito de toda sua carreira até o momento.

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Dispensa muita palavras. “Campeão” (Foto: Reprodução/IndyCar)

Josef Newgarden tornou-se, neste domingo (17), campeão da edição 2017 da IndyCar Series, com 4 vitórias em uma temporada altamente competitiva – que teve 10 vencedores diferentes em suas 17 etapas. O piloto de 26 anos se tornou também o mais jovem a alcançar tal conquista desde a unificação da categoria, em 2008. Com tão pouca idade, enfrentou adversários com o triplo de sua experiência. Mas isso não o tornou menos capaz de brigar de igual para igual. Com muito mérito, Newgarden levou o tão desejado troféu para casa e realizou um sonho que provavelmente está presente na mente de muitos pilotos desde a infância. Afinal, eles são, antes de qualquer coisa, seres humano que depositam suas esperanças, anseios, sonhos, suor e esforço em um carro que, de fatal e eletrizante tem as mesmas proporções.

A corrida

A aventura ao longo da temporada teve emoção e competitividade de sobra, mas a corrida em Sonoma decepcionou para as circunstâncias que a envolviam. O que prometia ser uma disputa de tirar o fôlego entre os 7 postulantes ao título se mostrou uma prova monótona com domínio do líder e agora campeão da categoria. O GP destoou do marasmo em poucos momentos ao longo das 85 voltas – o que não tira o mérito do campeão, é claro, mas deixa no ar uma possível mudança no calendário nas temporadas seguintes.

Expectativa alta antes mesmo da largada: o resultado do treino classificatório pareceu uma brincadeira do destino, que aparentemente preparava uma briga épica para a derradeira prova da temporada. Josef Newgarden conquistou a pole position, sendo seguido por Will Power, Simon Pagenaud e Hélio Castroneves – todos possíveis candidatos ao título, até então. Mas a realidade na prova foi bem diferente. De tão tranquila, não teve nenhuma bandeira amarela. E a largada foi relativamente limpa: os três primeiros mantiveram suas posições, com o campeão defendendo bem a 1ª colocação. No meio do grid, James Hinchcliffe perdeu o controle do carro e girou, batendo em Conor Daly e levantando muita poeira. Na confusão, Takuma Sato e Tony Kanaan foram atingidos e o brasileiro foi para os boxes tentar reparar o carro.

Até a volta 7, o ritmo da corrida em Sonoma se manteve estável, com Newgarden cerca de 1,7s na frente de Will Power. Enquanto isso, Takuma Sato, saindo dos boxes para trocar um pneu vazio, resistia na corrida aos trancos e barrancos – e já com 1 volta a menos. Na volta 12, o primeiro a parar dos que seguiam a corrida normalmente foi Simon Pagenaud, que voltou na posição 15. Dixon parou na volta 17 e deixou o top 5, caindo para 11°. Na mesma volta, foi a vez do líder do campeonato, junto com Castroneves, fazerem suas paradas. Enquanto isso, Conor Daly assumiu a liderança, sendo seguido por Pagenaud. Newgarden recuperou o tempo perdido e, ao contrário dos pilotos que haviam parado antes, voltou bem, na 3ª posição. E o mais importante: à frente de Scott Dixon.

No 19º giro, Dixon e Castroneves quase se encontraram em uma curva; o contato foi próximo suficiente para fazer sair fumaça, mas os dois se mantiveram na disputa, brigando pela posição. Castroneves levou a melhor e passou o neozelandês, ganhando em seguida a posição de Carlos Muñoz quando o colombiano foi para os boxes. Duas voltas depois, Conor Daly ainda se mantinha na liderança da prova, tendo Pagenaud e Newgarden atrás, prontos para “abocanharem” a posição, até que o americano da A.J Foyt foi para os boxes e deixou espaço para os adversários.

Na volta 31, Pagenaud fez uma parada rápida, mas não o suficiente para impedir que Newgarden reassumisse a liderança – e consequentemente Will Power pulasse para 2°. Perto da metade da corrida, foi a vez de Castroneves fazer mais uma parada. O carro número 3 da Penske abriu espaço para que Graham Rahal aparecesse em 3°, à frente de Pagenaud. Uma volta depois, disputa dentro da Penske: Newgarden e Power pararam juntos, mas o líder do campeonato foi mais rápido e saiu na frente do colega de equipe, conquistando a 3ª posição, atrás de Pagenaud e Daly. Poucas voltas depois, o campeão virtual pulou para a vice-liderança da prova. No 48° giro, Pagenaud por muito pouco não põe a posição a perder: o francês escapou da pista por alguns segundos mas conseguiu voltar e, por sorte, escapou também de uma punição. Surpreendentemente, o piloto repetiu o mesmo erro logo depois, mas não deu em nada. Foi para os boxes fazer sua 3ª parada, abrindo caminho para Josef Newgarden.

Com extrema destreza, Newgarden administrou muito bem a vantagem conquistada após a ida de Pagenaud para os boxes, mantendo uma distância de mais de 3s para o segundo colocado, Will Power. O “pequeno francês” voltou para a vice-liderança na volta 54, mas o líder da prova ainda imprimia um ritmo forte o suficiente para mantê-lo seguramente afastado de si. O ritmo e a movimentação da corrida caíram consideravelmente nas voltas seguintes, com os pilotos nas primeiras posições mantendo-se em equilíbrio. Na volta 63, Newgarden fez a sua última parada e disparou, mas caiu para 4°. Atrás dele, veio Castroneves, que caiu para a 8ª posição. Enquanto isso, Scott Dixon aparecia sorrateiramente em 5°, ao passo em que Newgarden pulava duas posições e voltava para a vice-liderança da prova. Atrás de Pagenaud, o americano protagonizou uma disputa perigosa pela liderança da prova nas voltas finais, em um dos raros momentos de emoção no GP de Sonoma. O piloto do carro nº 2 da Penske não conseguiu alcançar o colega de equipe, que ficou com a vitória. Mas quem escreveu o final feliz da temporada foi ele. Pagenaud ultrapassou Dixon no campeonato, tornando-se vice-campeão, mas para Newgarden, os 80 pontos foram mais que suficiente para assegurá-lo na liderança lhe dar o primeiro título de sua carreira. Um sonho conquistado.

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Olhar apaixonado: a taça de campeão da IndyCar agora tem dono (Foto: Reprodução/IndyCar)

A bandeira branca na 85ª volta colocou um ponto final em uma das mais memoráveis temporadas da IndyCar. A competição despede-se consciente de que poderia ter sido melhor, mas que ainda assim, entregou o que prometia: automobilismo raiz e muita competição. Do campeão, um garoto perto de seus rivais e reconhecido pelo público da Indy pelo carisma, fica a admiração pela batalha travada ao longo deste ano com muito suor e mérito. A despedida, é claro, é somente um “até logo”. A categoria voltará a todo vapor, como sempre, em março de 2018.

 

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Bruna Rodrigues

Bruna Rodrigues

Jornalista em formação, flamenguista de nascimento e fã de automobilismo – em especial, F1 e IndyCar. Transfere para as palavras a emoção e a paixão que o esporte desperta e, nas horas vagas, também é fã de ficção científica. Vida longa e próspera!



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