Recuperando a confiança

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Tey tey: comemoração característica de Paolo Guerrero, que abriu os trabalhos na Ilha do Urubu. O peruano tem a confiança da torcida (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Em tarde inspirada de Éverton Ribeiro, Flamengo vence o Sport sem muitos sustos, para aumentar a autoestima do grupo

O Rio de Janeiro viveu uma tarde abençoada nesse domingo (17). Um dia com céu de brigadeiro, propício para pegar uma praia, do jeito que todo carioca gosta. Além disso, dois grandes eventos ocorrendo na cidade: jogo do time mais popular do estado, além de um dos maiores festivais de música do mundo, o Rock In Rio. Difícil ficar melhor. Mas antes de curtir os shows moralizadores de Alicia Keys e Justin Timberlake, o rubro-negro de carteirinha tinha um compromisso com seu clube. A missão do dia era encarar um instável Sport. E ela não foi tão difícil quanto se pudesse imaginar.

Dia de apoio ao Muralha

A festa da torcida flamenguista começou antes mesmo da bola rolar. Na Ilha do Urubu, ela entoava gritos pelo nome de Alex Muralha, para dar confiança ao goleiro que, fatalmente, será o titular do time na final da Copa do Brasil. E aparentemente a tática deu certo. O arqueiro, que vinha tendo atuações inseguras e com falhas graves passou segurança no jogo de ontem. Nas bolas jogadas na área, conseguiu afastar todas sem hesitar – além de agarrar algumas.

Convenhamos que o Sport também não exigiu muito de Muralha, já que o Leão teve muitas dificuldades para criar chances.

Mas na melhor oportunidade da equipe pernambucana, em chute perigoso do volante Wesley no canto esquerdo do gol, Muralha estava lá para espalmar a bola para escanteio, sem muito alarde. A tarde que começou sendo de exaltações ao goleiro, terminou da mesma forma. Assim que o árbitro deu o apito final para encerrar a partida, e em forma de agradecimento, a torcida voltou a cantar fortemente o apelido do arqueiro. Atitude bela e inteligente, afinal, tudo o que Muralha precisava no domingo era ganhar confiança. E não há melhor jeito disso acontecer se não for através de dois fatores: o trabalho duro e o apoio incondicional.

Torcedor manda recado que serve a Muralha e a todos os torcedores do Flamengo: é preciso acreditar em seu goleiro (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

O dono da bola

Um dos temas que mais ficaram na boca do povo na última semana foi o questionamento sobre a opção de Rueda em decidir por utilizar apenas uma das duas estrelas que o Flamengo tem em seu elenco para o setor do meio campo. Diego e Éverton Ribeiro não haviam sido escalados no mesmo time como titulares em nenhuma oportunidade após a chegada do colombiano. No máximo, atuaram juntos por poucos minutos, já que em boa parte dos jogos, é Diego quem tem sido o armador fixo do time inicial, enquanto ER7, de modo bem questionável, vinha entrando apenas nos minutos finais.

Isso fez com que, não só torcedores, mas como profissionais da imprensa fossem veementes em discordar dessa preferência do treinador. E algumas teses foram criadas para tentar justificar a decisão. Uma delas seria a de que Rueda teria Berrío como seu homem de confiança desde a época de Atlético Nacional, e por isso, o seu Flamengo ideal seria composto por “Berrío e mais 10”. Outra seria a de que o técnico não consideraria a hipótese de fazer com que Diego e Éverton Ribeiro não pudessem jogar juntos, por ocuparem a mesma faixa de campo. No entanto, a partida contra o Sport fez essa teoria cair totalmente por terra.

Éverton Ribeiro foi, finalmente, escalado no time titular ao lado de Diego, para ânimo dos torcedores – ânimo esse que foi levemente reduzido ao se depararem com Gabriel entre os 11 iniciais. E a atuação do meia-atacante vindo das arábias foi de encher os olhos de qualquer um que aprecie um futebol bem jogado. Chamando a responsabilidade, coloca a bola “debaixo do braço” e foi quem criou as melhores chances do Flamengo no jogo.

Dos pés de ER7 se originou a jogada do primeiro gol d’O Mais Querido. O craque fez fila na defesa do Sport e tocou a bola para Trauco; o peruano cruzou rasteiro e forte, dificultando a defesa de Magrão, que rebateu para o meio da área, oferecendo a bola para o compatriota Guerrero apenas empurrar para as redes. Gol fundamental para que pudesse dar mais tranquilidade a uma equipe que vinha pressionada por uma sequência de resultados ruins e atuações fracas e pouco convincentes. E a tarde inspirada de Éverton Ribeiro estava apenas começando.

Disposto a mostrar que merece a titularidade, estava ainda mais objetivo que o normal. Assim que aparecia um espaço maior para poder tentar o arremate, o fazia – algo que é muito pedido pelo torcedor rubro-negro carioca, o chute a gol com mais frequência. E, ironicamente, mesmo tentando muitos chutes a gol, o seu tento veio de cabeça. Apesar de não ter uma estatura privilegiada, – apenas 1,74m – mostrou muito oportunismo ao entrar na área e aproveitar cruzamento perfeito de Berrío, cabeceando a bola para o fundo do barbante.

E quando não era Éverton Ribeiro que podia finalizar, tentava colocar seus companheiros na melhor condição possível para isso. De seus pés vieram passes que deixaram seus companheiros em posição ótima para marcar: para Gabriel, na primeira etapa, e Diego, na segunda. O primeiro, sem muito ângulo, acabou por chutar para fora. O segundo, já em melhores condições para marcar, de frente para Magrão, finalizou em cima do goleiro adversário, perdendo grande chance para aumentar a vantagem. Lance que simboliza bastante o momento vivido pelo camisa 35.

O que acontece com Diego?

Diego e bola, um relacionamento que vem sendo conturbado ultimamente (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Não é de hoje que o meia – maior destaque do clube em 2016 – e que vinha correspondendo às expectativas até certa parte de 2017, tem atuações abaixo da crítica. O gol decisivo na semifinal da Copa do Brasil contra o Botafogo, que deu a vaga ao Flamengo para a final, serviu para ocultar parcialmente essa má fase que, ainda assim, se faz constante. Talvez mais inexplicável do que a sequência de jogos ruins de Diego seja a sua convocação para a seleção brasileira. Sua titularidade no próprio Fla já é algo que pode começar a ser questionada, o que faz o fato de ser chamado por Tite ainda mais absurdo.

No entanto, diferentemente do que ocorria com jogadores de qualidade técnica duvidosa, como Márcio Araújo e Rafael Vaz, na época em que Zé Ricardo ainda era o comandante pela Gávea, em que, mesmo jogando mal, eram mantidos como titulares independente do que acontecesse, é importante que Rueda continue dando sequência a Diego. E, principalmente, que o faça jogar ao lado de Éverton Ribeiro. Afinal, os dois, ao lado de Guerrero, são os três melhores jogadores do elenco, então, nada mais justo do que serem os titulares.

Mas, enquanto Muralha e Éverton Ribeiro utilizaram a partida contra o Sport para poderem receber um voto de confiança a mais de técnico e torcedores, Diego percorreu na contramão. Urge a necessidade do meia voltar ao caminho das boas atuações, pois ele, juntamente a Guerrero, serão os pilares do ataque no duelo mais decisivo do ano para O Mais Querido contra o Cruzeiro. Que a convocação para vestir a amarelinha – ainda que sem merecer -, o apoio da torcida e o sonho de levantar uma taça de tamanha importância possam lhe mostrar o rumo aos trilhos daquilo que ele conhece tão bem: o do bom futebol.

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Roberto Accioly

Roberto Accioly

Apaixonado por esportes em geral, independentemente da modalidade. Fanático por futebol desde o berço, por NFL, onde minha torcida vai para o Seahawks desde 2010 e por NBA desde que Dirk Nowitzki detonou o Big Three de Miami nas finais de 2011.



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