Thursday Night ‘Punt’: de bonito só os uniformes

Thursday Night ‘Punt’: de bonito só os uniformes
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TNF foi estrelado por punters e kickers (Foto: Frank Victores/AP)

De bonito só os uniformes: 26 first downs, 17 punts e apenas um TD no “Thursday Night Punt”

O Houston Texans (1-1) venceu fora de casa o Cincinnati Bengals (0-2) por 13 a 9 na abertura da Semana 2 da NFL. Diferentemente da semana passada, onde tivemos o belo jogo entre Patriots e Chiefs, o Thursday Night Football foi duro de assistir. De bonito mesmo só os uniformes Color Rush.

Punt, punt, punt…

Logo de cara as equipes mostraram que os atropelos sofridos para Ravens e Jaguars na Semana 1 não foram por acaso. As linhas ofensivas continuaram desprotegendo seus QBs e foram ineficazes contras as boas defesas que ambos possuem. Sem três Tight Ends do elenco principal (todos sofreram concussões contra Jacksonville), os Texans chegaram a usar sete jogadores de linha ofensiva juntos. Mesmo assim, o jogo terrestre e a proteção ao quarterback não funcionaram.

Nos Bengals, mesmo com A.J. Green e Tyler Eifert, o ataque aéreo não consegue deslanchar. Andy Dalton não é protegido e acaba saindo do pocket várias vezes. Como essa não é lá das suas melhores características, os passes saem pior do que de costume. Apesar de começar várias campanhas no meio do campo, Cincinnati não conseguia first downs. O cúmulo foi tomar um three and out numa campanha que começou numa 1ª para 5 jardas!!!!

Deshaun Watson está no modo Kaepernick: sai correndo toda hora. Rendeu o único TD do jogo, pelo menos (Foto: Gary Landers/AP)

Quando parecia que ia funcionar, o calouro John Ross sofreu fumble numa corrida. O turnover fez com que os Texans anotassem um field goal. Alguém avisa ao menino que bater recorde de sprint de 40 jardas no Combine não adianta se você não segurar a bola na NFL.

Depois de quase 30 minutos de punt e de um FG para cada lado, os ataques esboçaram algo. Aos trancos e barrancos, Houston chegou ao meio do campo. Pressionado, Deshaun Watson saiu do pocket e driblou toda a defesa dos Bengals (péssimo trabalho nos tackles) e anotou um TD de 49 jardas. Com pouco tempo no relógio, Cincinnati conseguiu uma big play com A.J. Green vencendo uma marcação tripla. Após vários passes ruins de Dalton, a campanha terminou com um field goal. Houston 10 a 6 no intervalo.

Dá para piorar? Deu!

A volta do intervalo não foi nada animadora. Os Bengals tiveram uma longa campanha de oito minutos, mas conseguiram apenas um FG que deixou o placar 10 a 9. As defesas continuavam dominando as frágeis OLs e os quarterbacks pouco faziam para melhorar seus ataques. Seria interessante vermos DeAndre Hopkins jogando com um QB de elite. O cara pega vários tijolos toda rodada.

Talvez a solução dos Bengals seja colocar a linha defensiva improvisada no ataque (Foto: Joe Robbins/Getty Images)

Após mais uma troca desenfreada de punts, Houston chegou na área de field goal e quase saiu dela após uma falta. Deshaun Watson mais uma vez resolveu com as pernas e recolou o time numa posição melhor. FG de 43 jardas, 13 a 9 no placar e dois minutos no relógio para o fim do jogo.

Era a hora de Andy Dalton mostrar algo que amenize as críticas em cima dele. Não mostrou. A campanha foi um desastre a ponto de o QB jogar a bola fora numa 3ª para 4 jardas. Na sequência um false start deixou uma 4ª para 9 jardas. Dalton fez um passe ridículo e Houston recuperou a bola. Por conta dos timeouts, os Bengals ainda tiveram a chance de fazer a jogada de rugby. Foi até engraçadinha e durou mais do que geralmente dura, mas J.J. Watt acabou com a brincadeira e deu um ippon para finalizar o jogo.

Para os Texans

Vitória é vitória. Mas os Texans não têm muito o que comemorar. A linha ofensiva segue um terror. Watson é está totalmente cru para a NFL e faz apenas uma leitura na jogada (geralmente a leitura errada ainda). Deveria ter sido interceptado pelo menos umas duas vezes no jogo. O calouro é extremamente dependente de DeAndre Hopkins, que faz milagres nas recepções. Das 125 jardas do QB, 73 foram para o camisa 10.

Mesmo assim, ele é melhor que Tom Savage ainda. Bill O’ Brien não está perdido, ele É perdido. Watson ainda tem o diferencial de correr com a bola. Diferencial que deu a vitória, aliás. O que preocupa no momento é o plano de jogo de Houston: leitura -> bola no Hopkins -> Hopkins marcado -> Watson sai correndo. Muito pouco para quem quer ganhar a AFC Sul de novo. Sem contar que essa previsibilidade está custando sacks. Geno Atkins deu uma pancada que Watson voou umas 20 jardas para trás.

Considerando que o jogo era numa quinta-feira, fora de casa e contra um time tão problemático quanto, o importante era vencer, mesmo sem convencer. Até porque o próximo confronto dos Texans (1-1) é fora de casa contra os Patriots (0-1). Se começasse com 0-3 poderia dizer adeus aos playoffs desde já.

Para os Bengals

Talvez este que vos escreve esteja sendo cornetado sobre ter colocado os Bengals abaixo dos Browns no Power Ranking desta semana. Pois, bem… Dois jogos em casa. Zero ponto num e nove no outro. Média de 4.5 pontos e ZERO touchdowns. Duas derrotas. Os Bengals mereciam o triplo de vaia, no mínimo.

Dalton foi muito pressionado, mas também pouco fez para melhorar a situação (Foto: Gary Landers/AP)

A linha ofensiva é nível Seattle Seahawks de não bloquear ninguém. Nas raras jogadas que em ela vai bem, Andy Dalton fica com medo mesmo assim e sai desesperado do pocket. Como ele não corre e não lança bem em movimento, o resultado é lamentável. Quando os Bengals tinham uma boa linha e um jogo corrido eficiente, Dalton conduzia bem a equipe. Agora que o ataque é um desastre, o QB não funciona e não consegue lançar a bola nem para A.J. Green direito. Até que 20/35 nos passes e 224 jardas nem são estatísticas ruins em si, mas se você viu o jogo, sabe que Dalton foi muito mal. De novo.

Para piorar, os Bengals (0-2) enfrentam os Packers (1-0) fora de casa na próxima rodada. Agora me diz, como um ataque que faz 4.5 de média e ainda não anotou TD vai ganhar de Green Bay no Lambeau Field? Só não vai cair mais no Power Ranking porque tem Jets e Colts por aí…

Crítica do autor

Fica cada vez mais evidente que os jogos de quinta-feira deveriam ser na sequência da bye week. Não é à toa que os jogos do Thursday Night Football são na maioria os piores. “Ah, mas Pats x Chiefs foi bom”. Óbvio, uma pré-temporada toda de preparação.

Agora jogar domingo e ter que entrar em campo de novo na quinta? Não há tempo para treino, recuperação, ajustes, etc. Aí a gente pega dois times cheios de problemas, como Bengals e Texans, o resultado é esse aí. Um jogo horroroso. Não tinha como ser bom mesmo. Uma mudança no calendário da NFL é mais do que necessária. Não é uniforme bonito que vai deixar o jogo do TNF bonito.

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Vinícius Mathias

Vinícius Mathias

Jornalista e ala-armador nas horas vagas. Sofre nas ligas americanas com Timberwolves, Jaguars, Sharks e Angels. Se arrepende por não ter escolhido o Seahawks. Chelsea e Alemanha trazem felicidade no futebol, pelo menos. Fã de Aaron Rodgers, Jimmie Johnson, Kevin Garnett, Kimi Räikkönen e de uma Heineken bem gelada.



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