Oportunidades perdidas: Botafogo aprendeu a lição

Oportunidades perdidas: Botafogo aprendeu a lição
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Dessa vez, Jair aproveitou as oportunidades que o elenco dá à ele (Foto: SS Press/Botafogo)

Futebol do Botafogo reaparece e time convence os torcedores de que pode aproveitar as oportunidades que se apresentam

Ontem no Nilton Santos, o Botafogo fez o que precisava perante à oportunidade: aproveitou. O Botafogo deu uma demonstração de força. Foi a volta por cima após um golpe duro. O time de Jair Ventura mostrou que ainda bastante vivo no jogo – e que a boa fase continua, ao contrário do Grêmio, rival do embate pelas quartas-de-final da Libertadores na quarta-feira (13).

O Jogo

O Botafogo teve mais a bola. Não mais que o Flamengo. Mais que o Botafogo. O início do jogo foi de bastante erros no meio-de-campo. O motivo? Uma clara tentativa de criar e não oferecer tanto a posse de bola ao Flamengo.

O que Flamengo e Grêmio tem em comum? A proposta de jogo. Ambos são times verticais, muito rápidos pelas pontas, que se utilizam bastante de bolas nas costas dos laterais. Mas, principalmente, times que jogam com a bola no pé. Ao contrário de nós, que nos sentimos mais à vontade fingindo que deixamos os adversários terem o controle para quando recuperarmos, darmos o golpe fatal.

No entanto, a estratégia utilizada contra o Flamengo nas semifinais da Copa do Brasil foi exacerbada. O Botafogo praticamente jogou a partida de ida no lixo, limitando-se apenas a esperar. E a partida de volta seria a mesma coisa caso Berrío, em lance de genialidade (juro que pensei 37 vezes antes de escrever isso), não tivesse resolvido a partida. O fato é que abdicamos do jogo por tempo demais naquela jornada. E isso é algo que não poderia se repetir.

Eis que o destino nos brindou com um confronto contra o Flamengo. E o que ocorreu no jogo de ontem foi perfeito: vitória em cima do mesmo rival daquela ocasião, propondo mais o jogo. E utilizando o contra-golpe de forma totalmente diferente das partidas anteriores.

Roger: um caso à parte

O homem-clássico voltou a dar as caras contra o Flamengo (Foto: Satiro Sodré/SS Press)

Carismático, humilde, esforçado e até um pouco falador. Roger é um capítulo à parte deste Botafogo. Aliás, tudo no Botafogo parece um caso à parte. O centroavante chegou como nome para compor elenco e disputar posição com Sassá.

Durante toda a trajetória com a camisa alvinegra, Roger sofreu críticas. Sempre rondado pelo fantasma da contratação do atacante fazedor de gols, Roger manteve a tranquilidade e seguiu trabalhando.

E em decorrência de seu trabalho, adquiriu a chance de ser titular. Roger faz uma função que o próprio Sassá não fazia com a mesma dedicação: pressionar a saída de bola adversária.

De certo a dedicação à parte tática reduz a capacidade física de aparecer na área com mesmo vigor para concluir. Mas mesmo não sendo o goleador nato que todos queriam,o acaso acabou  presenteando o centroavante com gols decisivos. Em clássicos, são 2 contra o Fluminense, 2 contra o Vasco e 4 completados ontem com o doblete contra o Urubu.

Apresento à vocês: o novo homem-clássico.

Panorama

A torcida comemorou bastante a vitória de ontem, menos pela tabela, menos pelo jejum (aliás, ninguém falava que o Flamengo não nos vence pelo Campeonato Brasileiro há 3 anos) e mais pela demonstração de que o time tem totais condições de bater qualquer rival se não fugir de suas características.

Leo Valencia finalmente jogou o futebol que se espera dele. Contratado para ser o ‘camisa 10’, o chileno vinha adquirindo ares de novo Guilherme (o jogador que nos amamos odiar) após prender a bola em momentos cruciais – ou até mesmo esquecer dela em certas jogadas. No entanto, ontem o meia pouco errou, participou do lance dos dois gols e foi um dos destaques do time. Parece que o rapaz resolve jogar tudo o que sabe contra o Flamengo.

Leo Valencia mostrou futebol para justificar a contratação no jogo de ontem

Valencia mostrou à que veio com a camisa alvinegra e pode ser um importante trunfo na reta final da Libertadores (Foto: Globo Esporte)

A vitória de ontem teria nos deixado um tanto quanto pistolas por sabermos que este time, se jogasse da mesma forma que jogou ontem, teria AMASSADO o Flamengo na Copa do Brasil. Mas a consciência de que a inexperiência de Jair Ventura pesou naquela oportunidade – e a evidência de que a postura no clássico de ontem foi consequência do aprendizado tiraram qualquer rancor do coração dos torcedores botafoguenses.

O Flamengo é um ótimo teste competitivo para o jogo de quarta-feira contra o Grêmio. E se o rubro-negro não teve força máxima no jogo de ontem, tampouco tivemos. Nosso 11-inicial original tem Carli, Lindoso e João Paulo, ausentes no jogo de ontem. Reserva imediato, Leandrinho fazia ótima partida antes de sair de campo com uma entorse no joelho. Luís Ricardo também deu lugar à Arnaldo (para o nosso bem). Não há como o titular na lateral direita ser outro no momento.

O fato é que as semifinais da Copa do Brasil foram um deslize grave. Não volta mais. Jair Venturao foi bombardeado com as críticas, mas parece que ouviu a torcida e, principalmente, seus jogadores.

De oportunidades perdidas viveu o Botafogo durante muito tempo. Chegou a hora da virada. Não há rival imbatível no futebol brasileiro. E se há nas Américas, bem, o cerco está se fechando para eles.

Parece que o Botafogo aprendeu a lição desta vez.

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Eduardo Ramos

Eduardo Ramos

Publicitário louco por esporte, em especial o bretão, e praticante de qualquer modalidade - não necessariamente bem. Defende a existência dos Estaduais, mas não levanta a bandeira contra o futebol moderno. Tentou fugir da tarefa de escrever sobre o clube de coração, mas o destino (vulgo necessidade) bateu na porta. Tenta enxergar o jogo por suas diversas nuances - visceral, cultural e mercadológica. Fala de si mesmo na 3ª pessoa. Jornalismo, qualquer dia tamo aí.



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