IndyCar: a matemática do título

IndyCar: a matemática do título
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Newgarden e Dixon dividem o protagonismo na reta final do campeonato (Foto: Reprodução/IndyCar)

O jogo virou e o que parecia “mamão com açúcar” para o líder Josef Newgarden ganhou contornos dramáticos

Quem diria…? Há uma semana as chances de Josef Newgarden alcançar seu primeiro título da IndyCar eram grandes, apesar da imprevisibilidade com a qual a categoria sempre conviveu. Contudo, após a penúltima prova do campeonato, realizada no último domingo (3) em Watkins Glen, a vantagem do piloto nº 2 da Penske respira com ajuda de aparelhos – ao passo em que as oportunidades dos outros postulantes estão mais vivas do que nunca.

Watkins Glen: fim de semana apimentou disputa na tabela

Watkins Glen foi palco de uma das provas mais agitadas da temporada. O resultado da corrida complicou a vida do líder do campeonato, Josef Newgarden. O piloto, que largou em 3º, começou bem. Logo na largada ultrapassou de uma vez só os dois adversários à sua frente, Scott Dixon e Alexander Rossi – mas o campeão da Indy500 de 2016 conseguiu recuperar a posição. O americano teve então uma queda de rendimento considerável ao longo da prova, perdendo várias posições nas voltas seguintes. Ele não foi o único piloto da Penske a ter uma atuação discreta na corrida: Will Power e Simon Pagenaud também não estavam em um dos seus melhores dias. Do quarteto, o melhor até o momento foi Castroneves, que disputou a liderança com Rossi por alguns momentos.

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Alexander Rossi levou a melhor em Watkins Glen (Foto: Chris Owens/IndyCar)

Até então, a vantagem de Newgarden ainda estava garantida, apesar do desempenho abaixo das expectativas. Entretanto, aconteceu o que o piloto prodígio menos esperava. Faltando menos de 15 voltas para o fim da corrida, o carro nº 2 da Penske foi atingido por trás por Sebastian Bourdais, da Dale Coyne, e precisou retornar para os boxes para reparar danos. Terminou a corrida literalmente no fundo do grid. No pelotão da frente, Castroneves perdeu o ritmo e cruzou a linha de chegada em 4º. Dixon tentou pressionar o líder da prova em busca da vitória que lhe daria a liderança do campeonato, mas Rossi segurou o adversário até a bandeira branca e ficou com a vitória – a segunda de sua carreira na IndyCar.

Josef Newgarden teve sua vantagem sobre o segundo colocado quase reduzida à pó: de 31 para apenas 3 pontos. Mas a corrida foi efetiva para apimentar a disputa na etapa final da temporada, afastando qualquer indício de previsibilidade e fazendo jus à fama de alta competitividade da categoria até o final.

Na ponta do lápis

Os primeiros pilotos na tabela do campeonato 2017 da IndyCar continuam com chances de levar o caneco no fim da temporada atual. A tarefa, no entanto, não é tão simples, já que todos dependem dos próprios resultados e também dos resultados dos adversários.

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A situação ficou complicada para o líder do campeonato, mas ele segue vivo na disputa (Foto: Reprodução/IndyCar)

Para Newgarden ser campeão…

O americano precisa da vitória mais do que nunca. São 100 pontos em jogo, já que a prova em Sonoma terá pontuação dobrada. A vitória pode garantir sua manutenção em 1º e, consequentemente, a conquista do primeiro título de sua carreira. Vencendo, Newgarden pula de 560 pontos na tabela para 660 e não precisa se preocupar com os adversários. Entretanto, caso não vença o piloto terá que contar com o insucesso de seu maior rival, Scott Dixon, e esperar que o neozelandês, no mínimo, termine a prova uma posição abaixo.

Outro fator que pode complicar não só a vida de Newgarden mas também dos outros pilotos são as pontuações extras da categoria. Os pilotos ganham 1 ponto pela pole position; 1 ponto caso tenham feito pelo menos 1 volta inteira na liderança; além de 2 pontos ao piloto que passar mais voltas na primeira colocação.  Como diz o ditado, “seguro morreu de velho”, por isso, é importante que os candidatos ao título mantenham uma distância segura dos adversários na classificação final da corrida.

Para Scott Dixon ser campeão…

A situação do experiente tetracampeão é quase similar à do rival, porém, apesar de ter diminuído consideravelmente a distância entre eles, é o americano que continua na liderança. Assim como no caso de Newgarden, Dixon precisa mais do que nunca da vitória para conquistar o pentacampeonato de sua carreira. Mas caso não vença, o piloto da Chip Ganassi ainda tem chances. Precisa torcer, também, para que o rival termine a corrida pelo menos uma posição abaixo.

Para Hélio Castroneves ser campeão…

Veterano na Penske há mais de 18 anos, Castroneves ainda não conseguiu conquistar seu primeiro título na categoria, apesar de ser tricampeão das 500 Milhas de Indianápolis. Os boatos que correm no mundo do automobilismo são de que o brasileiro não continuará na Indy em 2018, mas suas chances de conquistar ao menos um título seguem vivas. Caso vença, Castroneves pula para 638 pontos, mas terá que torcer para um desempenho muito ruim de seus rivais; Josef Newgarden terá que terminar, no máximo, em 3º, e Scott Dixon não pode passar do 4º lugar.

Se terminar em 2º, porém, o piloto paulista vai precisar de ainda mais sorte: o americano terá de terminar, no máximo, na 7ª posição, enquanto o neozelandês não poderá passar da 6ª. Completando a prova em 3º, as chances de Castroneves reduzem ainda mais drasticamente. O piloto dependerá quase que completamente dos seus sucessores na tabela e esperar que eles do meio do grid para baixo.

Para Simon Pagenaud ser campeão…

Diferente de 2016, o atual campeão da categoria apresentou neste ano uma atuação muito mais discreta. Pagenaud foi ofuscado por seus outros três colegas de equipe: conquistou o mesmo número de vitórias no campeonato de Dixon e Castroneves (1), mas não se manteve regular ao longo do ano, pescando menos pontos do que poderia e deveria. Ainda sim, o “pequeno francês” tem a oportunidade de conquistar um bicampeonato. Porém, a vitória não será suficiente para lhe garantir a liderança imediata na tabela e a conquista do título. Caso leve os 100 pontos para casa, o piloto número 1 da Penske somaria 626 pontos, ficando atrás de seus rivais caso eles tenham um bom desempenho em Sonoma. Vencendo, o piloto de 33 anos terá que ter muita sorte: o líder e vice-líder precisarão terminar, respectivamente em 5º e 4º.

Se não conseguir vencer, as chances de título ficam mais distantes. Pagenaud precisaria terminar, pelo menos, em 2º – e torcer para que Newgarden, Dixon e Castroneves fiquem bem longe do pódio, por exemplo.

Para Will Power ser campeão…

Se não fosse a pontuação dobrada, Will Power estaria dizendo adeus à chance de se tornar bicampeão pela IndyCar. Porém, os 100 pontos podem ser a esperança do australiano, considerado um dos melhores da atualidade. Power é o segundo na temporada corrente com mais corridas; 3 contra as 4 do colega de equipe Newgarden. Vencendo, o piloto de 36 anos pula da 5ª posição para a 1ª, com 592 pontos. Porém, depende mais do que nunca do que dos resultados dos outros pilotos: para se manter no topo, Power precisa torcer para que Newgarden termine, no mínimo, em 16º. Dixon não pode passar da 14ª posição; Castroneves, no máximo em 8º e Pagenaud, em 5º.

Zebra?

Cuidado: eles podem roubar a cena em Sonoma (Foto: Autosport/Reprodução)

Por que não? O regulamento da pontuação dobrada na prova derradeira da temporada 2017 da Indy pode trazer ao público resultados inesperados, assim como campeões inesperados. Alexander Rossi e Graham Rahal entram na disputa em busca dos 100 pontos que podem catapulta-los para a parte de cima da tabela. Vencendo, os dois chegam, respectivamente, aos 576 e 566 pontos; no caso de Rahal, apenas 6 a mais que o líder Newgarden já tem com uma corrida a menos. A tarefa não é impossível, porém, é praticamente improvável, já que necessita que o líder e o vice-líder terminem no fundo do grid – ou nem cheguem a terminar a prova – e que os outros candidatos ao título fiquem em uma distância segura; Castroneves pelo menos em 16º e Power no máximo em 11º.

Ainda há uma série de resultados, incluindo abandonos, que poderão mudar drasticamente os rumos do campeonato 2017 da IndyCar em seu ato final, mas a certeza é de que os holofotes estarão sobre os 5 primeiros da tabela, principalmente. O esforço de ambos para conquistar a vitória fará desta prova a mais marcante de toda a temporada. Até o dia 17, resta especular e aproveitar o que resta de uma temporada memorável da categoria mais raiz do automobilismo mundial.

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Bruna Rodrigues

Bruna Rodrigues

Jornalista em formação, flamenguista de nascimento e fã de automobilismo – em especial, F1 e IndyCar. Transfere para as palavras a emoção e a paixão que o esporte desperta e, nas horas vagas, também é fã de ficção científica. Vida longa e próspera!



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