Una mano en la Rueda para o Flamengo

Una mano en la Rueda para o Flamengo
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Dessa vez o promissor Jair Ventura não passou no teste (Foto: Vitor Silva/SS Press).

A grande campanha de Jair Ventura não anula os erros de concepção ocorridos contra o Flamengo; erros que foram una mano en la rueda para a classificação do Urubu

Jogo decisivo. De um lado, um time que precisava se provar – reativo, que joga bem fechado. Do outro, um time que joga para frente, reconhecido por ser perigoso. O “craque” do time que precisa se provar, machucado, é menos um em campo. Mas começou como titular e continua na peleja – sem conseguir correr – por ser homem de confiança. Durante o jogo, titulares e reservas, incrédulos e chateados, não entendem o porquê da não substituição.

Falta para o time adversário. Bola parada na área, desvio… gol. Eram 35 do 2º tempo. O técnico chama o craque, que sai de campo. Mas era tarde. Final: 0x1.

Obviamente vocês notaram diferenças entre o trecho acima e o clássico. Porque não se trata do jogo de ontem. Isso é uma experiência própria, de um jogo de Interperíodos da faculdade. Mas algo semelhante aconteceu contra o Flamengo. O humilde, inteligente e moderno (elogios verdadeiros aqui) Jair Ventura errou de maneira elementar. E sem craque em campo.

Ao final do jogo, nós conseguimos ver no rosto de Bruno Silva toda a decepção de um jogador que sabe que poderia ter jogado melhor. Que ele podia mais. Que o time podia mais. Que o técnico podia mais. Ou pelo menos deveriam ter tentado mais. No jogo da faculdade, eu era o Bruno Silva.

Bruno Silva talvez tivesse o mapa da mina à sua frente. Não conseguiu jogar (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)

O trocadilho foi ruim. Assim como a estratégia para o jogo. Falha. Não me levem à mal, enquanto o Botafogo esteve inteiro, foi quase perfeito na marcação. Mas sem contra-golpe não há trunfo em se defender. Falha. De planejamento, por incrível que pareça. O Botafogo vinha utilizando o elenco reserva (acertadamente) no Campeonato Brasileiro, poupando titulares para as copas. Agora, para A Copa.

Não devemos crucificar Jair Ventura – é errando que se aprende. Jair é um técnico jovem, promissor, que tem muito a aprender – e muito a nos ensinar. No entanto, o Grêmio é um time tão ou mais perigoso do que o Flamengo. E não podemos ter os mesmos erros de concepção que tivemos contra o rubro-negro.

Nessa vida, um acerto é um acerto. E Jair acertou aos montes durante sua trajetória no Botafogo. Mas um único erro pode anular diversos acertos. E a postura do Botafogo em campo em ambos os jogos contra o Flamengo anulou os acertos do time contra Sport e Atlético-MG. E superdimensionou o fato de termos perdido pontos no Brasileirão. Ora, poupamos o time, para jogarmos a semifinal com a mesma energia de sempre. Não do jeito que foi. E ninguém aqui está sendo ingrato. É só a vida. E o futebol imita a vida. Futebol é vida.

Não faltou dedicação do elenco alvinegro durante o confronto (Foto: Pedro Martins/Mowa Press)

Jair Ventura foi à coletiva dizer que o time não se acovardou. Bruno Silva, visivelmente incomodado na beira de campo, corroborou. De fato, não se acovardou – não são covardes. Mas Jair cometeu diversos equívocos. Vamos à eles:

Erro número 1: acreditar que seria possível passar 180 minutos se defendendo

Este erro foi o crucial para a nossa derrota. Não adianta falar que Rueda foi muito bem em anular o ataque do time do Botafogo – não foi. O Flamengo pouco precisou fazer, tanto na primeira, quanto na segunda partida. E o pouco que fez foi suficiente para levar a classificação. Lembremo-nos: as melhores chances do confronto foram a bola na trave de Diego no Nilton Santos e a jogada de Berrío no lance do gol no Maracanã.

O fato é que o Botafogo não entrou em campo nesta semifinal para construir o gol. Entramos em campo para tentar achar um gol. Paremos para pensar. O Botafogo é um dos times mais dedicados do país quando o assunto é marcação. No entanto, essa qualidade serve apenas quando se tem saída rápida pelos lados. Eu desafio alguém a identificar UM único contra-golpe sequer que o Botafogo tenha dado nos dois jogos. Estou falando de jogadas construídas – não cabeçada de Rabello em bola parada ou chute de sobra de Matheus Fernandes, que inclusive, foram boas oportunidades. Achadas.

Por este motivo, em alguns momentos no jogo do Maracanã, havia a nítida impressão de que o time estava tentando levar o jogo para os pênaltis. E isso é pouquíssimo. Sem vitimismo: precisávamos ter feito mais.

Erro número 2: respeito por todos os lados

jair ventura cumprimenta reinaldo rueda

O Botafogo respeitou demais o Flamengo (Foto: Luciano Belfort/AGIF)

Muito respeito de Jair para com os jogadores, muito respeito dos jogadores para com ele. Confiança. Sentimento que certamente balançou após a partida de quarta-feira. Era possível ver isso nas feições de Bruno Silva depois do jogo.

Muito respeito para com Rueda e a instituição Flamengo. Muito blablabla. E nenhuma reciprocidade. Pois sabem o que faltou ao Botafogo? Quebrar o status quo. Faltou um Sassá – um garoto que nem não respeita nem a própria mãe pelo visto tem fome de fazer gols, que certamente partiria para cima do Flamengo. E exploraria a característica que o Botafogo deveria ter utilizado: o contra-ataque. Vamos lá, Rodnei não é nada de mais. E havia um Pará IMPROVISADO na lateral esquerda. O cara que perdeu na corrida para o Jô. O quê que há, virou Maestro Júnior agora? Todo mundo sabia o caminho das pedras. E o que abriria o caminho era o contra-ataque.

Erro número 3: erro de concepção – da diretoria

Aqui dá para aliviar a barra do Jair. Nós, botafoguenses, temos uma excelente lembrança de Luís Ricardo – e antes do primeiro confronto, pedimos sua escalação. Ainda no intervalo do primeiro jogo, o lateral já havia irritado bastante gente. Sem Jonas e Marcinho – lesionados – e Arnaldo sem poder atuar pela competição, havia ainda a opção de utilizar Emerson Santos. O mesmo Emerson Santos afastado do elenco no início do ano por questões contratuais. O mesmo Emerson Santos que é melhor marcador que Luís Ricardo – e já aprendeu alguma coisa jogando na lateral.

As críticas ao zagueiro-lateral fazer corpo mole ficam para depois. Ele teria dado melhor sustentação defensiva na marcação de Éverton e liberaria Bruno Silva para explorar as costas do limitado Pará.

Se Luís Ricardo nos enganou, tudo bem. Mas a Jair? Não. O Jair que conhecemos não erraria nessa escalação depois de ter visto uma semana inteira de treinos.

Acredito que aqui tenha havido ordens superiores – ou no mínimo, um consenso: afastar o jogador que já não faz mais parte dos planos. Ora, se não faz parte, que mandem para o Palmeiras. Estava ou não à disposição?

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Luís Ricardo irritou muita gente durantes os confrontos contra o Flamengo (Getty Images)

Erro número 4: não substituir jogador machucado (!)

Nas mídias sociais podemos ver a torcida do Botafogo compartilhando frases do presidente Carlos Eduardo Pereira dizendo que gostaria de ter melhores peças de reposição para Jair Ventura. Tudo bem, Matheus Fernandes e Guilherme são jogadores de confiança de Jair Ventura. Mas em dado momento do jogo, não havia mais condições dos dois estarem em campo. Depois de sofrerem entradas duríssimas, ambos passaram pelo menos 10 minutos manquitolando pelo gramado. E isso foi crucial para o gol do Flamengo.

Berrío é mais rápido, forte e atlético do que Victor Luís – que à propósito, esteve muito bem nos 180 minutos, e qualquer crítica pesada à ele mostra que o emissor não entende nada de futebol. Matheus Fernandes é nosso volante pela esquerda. Seria responsável pelo primeiro combate. No estilo de jogo do Botafogo, em que os atacantes ajudam a marcar, os atacantes são os primeiros a morderem. Com isso, Matheus Fernandes recua, para fazer a cobertura pela esquerda, proteger as costas de Victor Luís. Como fazer quando o atacante mordedor e o volante da cobertura por aquele lado estão lesionados?

É claro, seria injusto dizer que Jair esperou tomar o gol para fazer as substituições. Mas que ele demorou a substituir a dupla, não. Ouvi na quarta pós jogo, na quinta e hoje que as peças no banco não era satisfatórias. Caros, amigos: se é o que tem, é o que precisamos utilizar. “Os suplentes não são homens de confiança do treinador, são muito novos”. Matheus Fernandes e Guilherme ainda tem idade olímpica. A pressão é grande para ambos. E também para os reservas. E nós sabemos que o problema não foi pressão.

Enfim, com este texto não tenho a intenção de condenar Jair Ventura. Se hoje, me perguntassem se deveriam renovar com ele pelos próximos 5 anos, eu diria sem nenhuma dúvida: sim. Mas Jair deve acreditar em seus comandados e em si mesmo. Ele podem mais. Eles podem mais. E merecem mais. E nós também.

 

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Eduardo Ramos

Eduardo Ramos

Publicitário louco por esporte, em especial o bretão, e praticante de qualquer modalidade - não necessariamente bem. Defende a existência dos Estaduais, mas não levanta a bandeira contra o futebol moderno. Tentou fugir da tarefa de escrever sobre o clube de coração, mas o destino (vulgo necessidade) bateu na porta. Tenta enxergar o jogo por suas diversas nuances - visceral, cultural e mercadológica. Fala de si mesmo na 3ª pessoa. Jornalismo, qualquer dia tamo aí.



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