McGregor pode sim vencer Mayweather

McGregor pode sim vencer Mayweather
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Podemos esperar um McGregor confiante e arrogante como o da foto (Foto: MMA Weekly)

É fácil falar que Conor McGregor não tem chances de vencer. No entanto, todos aqueles que já subestimaram The Notorious agora estão calados; confira porque não devemos descartar uma vitória do azarão

Muito se fala sobre a maior luta da história, o embate entre Conor “The Notorious” McGregor, campeão dos peso-penas e os leves do UFC, e Floyd “Money” Mayweather, 12 vezes campeão mundial de boxe em 5 categorias diferentes. A opinião de quase todos os especialistas, jornalistas e lutadores pendem para um atropelo de Mayweather. Eles fazem jus à história e conquistas do campeão de boxe, assim com sua técnica afiadíssima. No entanto, podem estar subestimando o irlandês. Apresento-lhes agora os motivos pelos quais uma vitória de Conor não deve ser descartada.

Não é uma luta de boxe qualquer

O principal argumento daqueles que defendem um atropelo de Floyd é que boxe é o seu domínio. McGregor está invadindo território hostil, nunca boxeou na vida, e logo em sua primeira luta na chamada Nobre Arte decide enfrentar um dos maiores nomes do esporte – um gênio da defesa, com cartel limpo de 49-0. Mas se enganam os que acham que estamos diante de uma luta de boxe qualquer.

Mayweather já esteve várias vezes diante de lutas de boxe quaisquer. As 12 lutas em que foi campeão foram relativamente pouco notáveis perto do que o aguarda sábado à noite. Não é à toa que está sendo considerado o maior embate da história dos esportes de combate: o maior nome do boxe contra o maior do MMA. Se haverá muito de novo para McGregor, o mesmo pode ser dito para Mayweather.

O americano vai enfrentar um lutador com um estilo completamente diferente de qualquer outro oponente seu. O mais provável é que o irlandês se apresente para o combate com sua base de karatê e busque deixá-lo desconfortável com sua postura. Também, o americano nunca enfrentou alguém que provoque tanto durante a luta. Não haverá um momento em que McGregor se calará, a não ser diante de um nocaute.

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Essa com certeza será uma cena que se repetirá sábado à noite. Abaixar as mãos é uma das técnicas de McGregor para desestabilizar e desmoralizar seus oponentes (Foto: reprodução/UFC)

Todo o peso do mundo em suas costas

No entanto, o que há de mais diferente nesse embate para Floyd “Money” Mayweather é que pela primeira vez ele terá todo o peso do mundo do boxe em suas costas. E é bastante peso. Há aqueles – e não são poucos – que dizem que se McGregor ganhar um round, acertar mais de um soco ou simplesmente sobreviver os 12 rounds será o fim do boxe – uma vergonha tão grande que o esporte será motivo de piada por décadas. E esses, em muitos casos, não são apenas fãs fervorosos, mas lutadores, comentaristas e especialistas muito reconhecidos.

Floyd já experimentou o que é pressão psicológica várias vezes, mas seus grandes desafios foram diante de boxeadores renomados e, se perdesse, teria sido derrotado por alguém da elite do boxe. Triste, mas plausível. Agora, ele enfrenta um oponente que nunca fez uma luta de boxe na vida, nem como amador, e que fez sua carreira primeiro por saber falar muito bem (ou muito mal, depende do ponto de vista), e segundo por ser um ótimo lutador de MMA – as artes marciais mistas. Cada golpe que Mayweather sofrer será um golpe que o boxe como um todo sofrerá, cada soco de McGregor carregará uma carga que, se Floyd não conseguir suportar, a luta estará perdida.

O show de McGregor

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McGregor nocauteou seu treinador de boxe e postou a foto e uma parte do sparring. A pressão em cima do treinador foi tanta que ele se demitiu e abriu mão do maior contra-cheque de sua carreira (Foto: Reprodução Instagram/Conor McGregor)

Já McGregor, não está diante de quase nenhuma pressão psicológica. Sendo o azarão do combate, pode perder da forma mais vexatória possível que o resultado seria de nenhuma forma inesperado. O MMA é frequentemente menos considerado que o boxe e quase todos os seus fãs, membros da mídia e especialistas reconhecem o tamanho do desafio de Conor ao desafiar Floyd. O irlandês não tem obrigação nenhuma de vencer, ou mesmo de simplesmente apresentar uma performance aceitável – enquanto seu oponente tem a obrigação de atropelá-lo, no mínimo. E é exatamente assim que o McGregor luta o seu melhor.

O fã de MMA sabe muito bem porque não se deve duvidar de Conor McGregor. É quase como uma equação: quanto mais se duvida dele, melhor ele luta. E essa equação tem 2 fatores – a expertise técnica de McGregor em artes marciais e o quanto ela é subestimada. O irlandês se torna ainda mais perigoso porque ele sabe jogar muito bem com as cobranças em cima dos seus adversários.

No MMA, sua estratégia de luta se baseia em desestabilizar psicologicamente o oponente – o que começa muito antes da luta, mas ocorre durante todo o embate – e depois em manter a distância e se mostrar superior, escolhendo os momentos para entrar com golpes contundentes. No boxe, não se deve esperar nada de diferente. Conor McGregor é um azarão profissional, e esse é o seu show: virar o favoritismo contra seus adversários. Quem está entrando em território hostil agora?

O falastrão também sabe lutar

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McGregor encerrou o longo reinado da lenda José Aldo em apenas 13 segundos (Foto: Steve Marcus/Getty Images)

É desnecessário ressaltar, nesse post, as qualidades técnicas de Floyd Mayweather. Desde antes da luta ser anunciada, em todos os meios de comunicação era possível ver argumentos favoráveis a ele no embate contra Conor, sobretudo com relação à técnica. Diante dessa saturação, nos ocuparemos de defender o lado do azarão.

Campeão em 2 divisões do UFC, muitos ainda dizem que o irlandês é só um falastrão. Mesmo após bater lutadores na elite do MMA, como Chad Mendes, José Aldo e Eddie Alvarez, há os que insistem em não lhe dar o devido crédito. Dizem que foi Mendes e Alvarez é que não lutaram bem – e que o nocaute em Aldo foi um golpe de sorte. Engano. Não há golpes de sorte se são treinados de domingo à domingo. Por trás de cada soco de um atleta profissional há um trabalho exaustivo desempenhado por anos.

A verdade é que McGregor é muito mais que seu jogo psicológico. O irlandês é um incrível artista marcial, com uma noção muito boa de distância, tempo e estratégia. Além disso, seu poder de nocaute é formidável – herança de sua arte marcial de origem, o karatê. E Conor está no auge de sua carreira e desempenho físicos. McGregor está com 29 anos, idade em que experiência e vigor físico se aliam na vida da maioria dos atletas. Enquanto isso, Mayweather, já com 40, se encontra em uma fase que para muitos seria de queda acentuada de desempenho. E apesar do tempo não surtir efeito em Floyd, a diferença na idade pode cobrar seu preço amanhã à noite.

Olha aí o “vovô” que McGregor vai encarar (Foto: Folha de São Paulo)

A máxima de qualquer esporte de combate sempre será: em uma luta, tudo pode acontecer

Os esportes de combate possuem uma dinâmica interessante: em frações de segundo tudo pode mudar. Não é nem necessário citar exemplos – de tantos que há – de lutadores que estavam sendo vencidos (ou destroçados – por vezes, literalmente) e viraram seus embates com um golpe ou uma finalização salvadora. Um momento de distração, por mais breve que seja, já é suficiente. E nessa luta em específico, haverá muitos motivos para distração: a multidão estará impassível, os ânimos tenderão a se exaltar com muito mais facilidade.

No fim das contas, todos ganham

A verdade é que a rivalidade entre os dois grandes nomes foi muito bem construída. O combate traz bastante da imprevisibilidade que todo fã espera ao ver uma luta – e que Conor McGregor tanto preza. O boxe não se lembra do dia em que foi tão interessante, tão intrigante, em que envolvia tanto as pessoas como hoje. E o MMA nunca esteve em um patamar tão alto – mesmo se McGregor fizer feio, pode-se dizer que as artes marciais mistas “ganharam” o direito de desafiar o boxe. No fim, ambos os esportes ganham. Ganham também todos os envolvidos na organização (o valor das bolsas, do pay-per-view e dos ingressos é insana). Mas, principalmente, ganha o fã, que mesmo diante de um possível fiasco, ao menos pôde presenciar o espetáculo de trash-talk entre os dois.

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Giovanni Pastore

Giovanni Pastore

Carioca, 22 anos, estudante de publicidade. Desiludido com o futebol e seus 90 minutos de aflição, comecei a explorar outras alternativas e assim me descobri apaixonado por esportes de combate. Gosto da reflexão sobre o seu papel social e também sobre os negócios que os rodeiam. Dentre eles, o MMA é meu favorito, o qual olho com muita admiração, mas sem perder o olhar critico. foto por: Pamella Kastrupp



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