Os dois lados da moeda na troca Irving-Thomas

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Kyrie em Boston ou Isaiah em Cleveland, quem saiu ganhando? (Foto: Ron Schwane/AP Photo)

Após a troca bombástica, como ficam as melhores equipes da conferência Leste? Quem saiu ganhando? Cavaliers ou Celtics?

No dia 24 do mês passado fomos surpreendidos pelo pedido de Kyrie Irving ao Cleveland Cavaliers para ser negociado. Quase um mês depois, com o assunto já enfraquecido e sem muitas novidades, somos bombardeados mais uma vez. Uma negociação relâmpago entre Cavs e Celtics decretou a ida de Kyrie para Boston em troca que envolveu Isaiah Thomas, Jae Crowder, Ante Zizic e uma escolha de 1ª rodada (não protegida) de 2018 do Brooklyn Nets. A RISE já havia apontado essa possível troca na época das especulações. Esquecemos apenas de Zizic.

É claro, as dificuldades em volta dessa negociação eram enormes. Afinal, quem iria imaginar que Cleveland aceitaria enviar Irving, um dos melhores atletas da liga, para o seu maior rival de conferência? Ou que Boston fosse trocar Isaiah depois de uma temporada absurda do armador? Isso sem falar na inclusão da tão cobiçada escolha dos Nets.

Porém, foi exatamente isso que aconteceu no final. Mas como se concretizou essa troca? Vamos tentar analisar os pontos de vista das duas franquias:

O lado de Cleveland

É de comum acordo que manter um jogador que não quer ficar onde está é um mal negócio. Com o clima no vestiário completamente comprometido, o melhor a se fazer é liberá-lo pelas melhores propostas possíveis antes que seu valor de mercado caia absurdamente.

Poucas equipes puderam apresentar trocas realmente favoráveis ao time de Ohio. Phoenix tinha Eric Bledsoe; os Knicks tinham Carmelo Anthony; os Wolves, Andrew Wiggins. Mas, ou faltavam peças para compor a negociação, ou os valores não correspondiam entre si.

É aí que entra o Boston Celtics. Por Irving o Cavs recebe outro All-Star de peso, um ala defensivo extremamente útil – e que tem ótimo aproveitamento nas bolas de longa distância -, um pivô jovem com potencial e uma alta escolha de primeira rodada. Isso tudo ajudaria a franquia em uma possível reconstrução caso LeBron James saia de Cleveland no ano que vem — vale lembrar que o astro tem uma cláusula de opção que lhe garante a escolha de permanecer ou encerrar seu contrato com o Cavs.

É difícil imaginar uma proposta melhor do que essa. É claro, a franquia perdeu uma grande estrela para um rival, mas recebeu em troca opções muito boas por um jogador que havia demonstrado publicamente o interesse de sair.

Na parte tática, Isaiah preenche a lacuna de pontuador de elite (28 pontos por jogo na última campanha) deixada por Irving e pode ajudar LeBron nos momentos decisivos das partidas.

Enquanto Crowder adiciona mais profundidade na rotação, dando a opção de uma formação mais baixa (small ball), com LeBron de ala-pivô e  Love ou Thompson na posição de pivô. Além disso, Crowder tem se tornado cada vez mais um atleta 3-and-D — especialista em defesa e capaz de levar perigo com bolas de três pontos —, uma função perfeita para Cleveland.

Portanto, a franquia sai da troca com um grupo poderoso (Thomas, Smith, James, Love, Thompson, Rose, Crowder, Shumpert, Green, Frye, Korver…), que lhe mantêm o título de favorita da conferência e ainda fica com uma escolha que garante um plano B em caso de uma saída de James e uma reestruturação da equipe.

O lado de Boston

Isaiah Thomas teve uma tremenda temporada e sua relação com a torcida celta vinha se tornando cada vez mais forte por sua garra e comprometimento em quadra.

Por outro lado, o armador era um problema futuro para a diretoria. Com um ano restando no contrato, Thomas já havia comentado publicamente que esperava receber uma oferta máxima de salário pelo desempenho apresentado. Isso atrapalharia qualquer plano de ação para o próximo período de free agency. Além disso, já com 28 anos, IT4 estaria na faixa dos 30 anos ao fim desse possível contrato – o que de certa forma seria um risco.

Com a troca, os celtas enviam essa dor de cabeça para Cleveland, junto com algumas outras peças. O custo é até um pouco alto, mas deve ser compensado pelas atuações de Irving — que é três anos mais novo do que Thomas, tem um contrato de pelo menos mais dois anos e maior potencial para ser a estrela da franquia.

Talvez Crowder faça alguma falta pelo trabalho defensivo de perímetro, mas é o risco a ser enfrentado. Sobre a pick do Nets, Boston possui alternativas com a escolha do Lakers de 2018 ou a do Kings de 2019.

Para completar, Kyrie conseguiu o que queria e pode ser precipitado dizer, mas tem altas chances de continuar sendo atleta dos Celtics após o fim de seu atual contrato.

Isso porque ele:

:: Será a estrela principal em uma franquia histórica.

:: Terá um elenco competitivo ao seu lado, com Gordon Hayward, Al Horford, Marcus Smart e os promissores Jaylen Brown e Jayson Tatum.

Para completar, com algumas adições no elenco — no momento falta profundidade, já que o banco de reservas não demonstra muita confiança — a franquia poderá se tornar mais forte do que era e ainda jogaria a pressão pelo título da conferência no colo dos Cavs.

Conclusão

A princípio, parece ser um caso onde todos saíram ganhando com a situação. Tanto Cleveland, quanto Boston ficaram com equipes melhores e a promessa é de que o nível da disputa pelo título aumente. Ambas também aumentam suas chances contra o Golden State. Mas isso ainda pode não ser suficiente para bater de frente com o estrelado elenco de Oakland.

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Felipe Coelho

Felipe Coelho

Apaixonado por esportes e por redação desde pequeno, demorou a perceber que poderia unir essas duas paixões como forma de viver e se expressar. Se jogou de cabeça relativamente tarde no basquete, mas a partir daí não parou mais. Até se esforça na hora da pelada, mas a habilidade só existe nos videogames mesmo. Nerd de carteirinha, coleciona milhares de horas na Steam. Football Manager player since 2005.



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