Vasco 119 anos: não há muito o que comemorar

Vasco 119 anos: não há muito o que comemorar
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O clube vai caminhando, mais uma vez, rumo à escuridão (Foto: Marcelo Sadio/Vasco da Gama).

No aniversário de 119 anos do Vasco, o cenário é de escuridão e receio

A derrota sofrida pelo Vasco ontem, apenas um dia antes do aniversário do clube, não nos deixou muito entusiasmo para comemorar a data, mas passa longe de ser o único motivo de desanimo e preocupação do torcedor. O que nos preocupa, na verdade, vem se acumulando em uma verdadeira bola de neve.

Nestes 119 anos, vimos dois Vascos completamente diferentes. O primeiro possui uma história gloriosa e inquestionável, recheada de títulos, de elencos talentosos e aguerridos, de conquistas que pareciam impossíveis. Foi um Vasco pioneiro, símbolo de luta por causas que iriam além do esporte, de fibra e de ousadia. Um Vasco que possui, de longe, a mais bela história de um clube brasileiro. Infelizmente, porém, esse Vasco entrou em coma em 2001 – junto com o primeiro mandato de Eurico Miranda.

Nos últimos 16 anos, o que a gente vem acompanhando é a derrocada de um gigante. Campanhas pífias em todos os campeonatos disputados (obviamente o período de 2011/12 foi um ponto fora da curva), nenhum planejamento estratégico e financeiro para as temporadas, contratação de jogadores duvidosos e, claro, a cereja do bolo: os três rebaixamentos em sete anos. O Vasco que conhecemos no século XX ainda não conseguiu ressurgir no século XXI – e é bem provável que a situação continue assim por mais tempo.

Eurico ainda detém poder mais que suficiente dentro do clube para se reeleger nas eleições presidenciais que acontecem em novembro deste ano. Grande maioria dos 150 membros fixos do conselho deliberativo são favoráveis à família Miranda (seu filho, Euriquinho, é inclusive um destes membros), e não deve ser difícil para ele conseguir os votos que precisaria para se firmar de novo na presidência. No fundo, já sabemos que as chances de termos mais três anos da dinastia Miranda no comando do Vasco são grandes. E isso é um grande motivo de desânimo. Caso isso ocorra, serão mais três anos em que seremos obrigados a ver nosso time de coração sem perspectiva alguma – assim como vem acontecendo desde que Eurico subiu à presidência pela primeira vez. Um Vasco apático, sem sangue dentro campo e sem planejamento fora dele. Bem parecido com o Vasco que vimos ontem diante do Bahia.

Eurico Miranda

Um brinde ao caos (Foto: Paulo Fernandes/Vasco da Gama).

A derrota por 3×0 nos mostrou um fato sobre o time que a cada dia vem se tornando mais concreto: o Vasco não é constante. A maior parte disso precisa ser colocada na conta de Milton Mendes, que ora faz substituições inteligentes que resultam em gols e surpresas boas (como a entrada dos garotos diante do Vitória), ora troca os jogadores sem qualquer critério aparente. Milton não consegue dar à equipe um padrão a seguir. No jogo de ontem, ele decidiu se inspirar no Chelsea (!) para escalar o Vasco com três zagueiros fora de casa. E esse foi apenas mais um de seus invencionismos, que já vêm incomodando os torcedores cruzmaltinos há algum tempo. Além disso, Milton não costuma repetir escalações, o que acaba dificultando o entrosamento do time – extremamente necessário em um campeonato de longa duração como o Brasileiro. A tendência é que o técnico deixe o comando do clube em breve – se não esta semana, na próxima.

O Vasco, que chegou a alcançar o G6 durante o decorrer do campeonato, agora já ensaia a entrada na zona de rebaixamento, ocupando a 16ª posição após cinco rodadas sem vitória. Tirando a partida contra o Bahia, a equipe não vinha de todo jogando mal: houve uma boa exibição diante do Palmeiras no último domingo, mas, assim como vem acontecendo sempre, as conclusões a gol foram pífias e o time não garantiu a vitória.

O que impressiona é que o Vasco é uma das poucas equipes que dispõem de uma semana inteira entre as rodadas para treinar e se preparar para os jogos (já que fez a façanha de ser eliminado da Copa do Brasil ainda em março) e, ainda assim, parece que não é o suficiente para se fortalecer e melhorar suas atuações. Caso a situação continue do jeito que está – com uma defesa vergonhosa, um meio-campo confuso e um ataque nulo -, a situação do time no Brasileirão pode se complicar ainda mais, assim como vem acontecendo constantemente nos últimos 16 anos de coma vascaíno.

No aniversário de 119 anos da equipe, há pouco a comemorar: o Vasco vai caminhando a passos lentos ao desastre sob o comando de Eurico e seus interinos – tão obsoletos quanto o próprio. Sem planejamento, o time tende a continuar repetindo o mesmo ciclo vicioso: contrata um novo treinador que não consegue organizar a equipe, tem resultados ruins, é demitido e dá lugar a outro, que passa pela mesma situação.

O que precisamos para o futuro do cruzmaltino é de um sopro de renovação, de alguém que traga menos bravatas e arrogância, e mais planejamento, segurança e disposição para retomar a gloriosa história do clube. O Vasco é Gigante, e seus torcedores sabem disso. Mas ver o nosso time do coração na conjuntura medíocre em que se encontra é de encher de tristeza. Enquanto a situação continuar assim, não há muito o que comemorar. Apenas torcer para que dias melhores nos aguardem em um futuro próximo.

 

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Raphaela Reis

Raphaela Reis

Estudante de publicidade, 19 anos, nascida e criada no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro. Apaixonada por futebol e pelo Vasco desde criança, viciada em ler o caderno de esportes do jornal e desafiante oficial dos tios e primos no FIFA. Infelizmente não realizou a fantasia de se tornar a nova Marta, mas hoje busca nas palavras uma forma de se manter conectada ao mundo da bola.


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