Feliz 2018 para Atlético-MG e Palmeiras

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Classificação do Barcelona na Libertadores passa diante dos olhos palmeirenses; 2017, um ano de frustrações (Foto: Alex Silva)

Com elencos milionários, Atlético-MG e Palmeiras dão adeus precocemente à Libertadores e se veem na iminência de passar 2017 sem conquistar um título de expressão

Um custa 243,7 milhões de reais. O outro, vale a bagatela de 229 milhões da mesma moeda. Esses são os valores dos elencos de Atlético-MG e Palmeiras, respectivamente. Investimentos gigantescos já dentro do cenário nacional, mas que se tornam ainda mais estrondosos se comparados aos dos times enfrentados por ambos na fase de oitavas da maior competição de futebol das Américas. Quando o assunto é folhas salariais, o alviverde paulista lidera o ranking brasileiro, custando 11 milhões mensais, enquanto o do Galo custa 9 milhões/mês, colocando-se este na 4a colocação. Mas se os investimentos foram tão grandes, por que ambos passarão 2017 no ostracismo?

Soberba além da conta

Para quem tem um conhecimento minimamente básico de economia, é nítido e notório que não basta somente ter bastante dinheiro em caixa, o principal é saber como gastar esse capital. No entanto, para os dirigentes de Palmeiras e Atlético, parece ter faltado esse aspecto primordial na hora de montar os grupos de jogadores que iriam representar suas camisas em campo. Desde o início do ano esses dois clubes, juntamente com o Flamengo, eram tidos como favoritos à conquista dos principais torneios ao longo do ano, com destaque para a Libertadores da América. Pois bem.

O clube carioca foi eliminado de forma ainda mais precoce que paulistas e mineiros, caindo na fase de grupos. O que não faz com que as quedas para o Barcelona-EQU e Jorge Wilstermann-BOL, times com investimentos extremamente modestos se comparados aos rivais brasileiros, tornem-se menos vexaminosas. Palmeiras e Galo avançaram, ainda que não mostrando um futebol convincente na fase anterior, mas mantinham a expectativa de que em algum momento, aqueles elencos estelares uma hora iriam se encaixar e começar a brilhar.

Por conta disso, seus torcedores ficaram animados ao se depararem com os adversários das oitavas de final. Para os atleticanos, vinha pela frente um clube boliviano que é tido pelos brasileiros como “galinhas mortas”. O pensamento presente nas mentes mineiras era de como seria difícil o confronto já contra o River Plate, que também teria um adversário acessível (Guaraní-PAR), nas quartas. Porém, sem se lembrarem que o Jorge Wilstermann já havia batido o Palmeiras em seus domínios, e perdido pela contagem mínima no jogo do Allianz, levando um gol aos 54’ do 2° tempo.

Já do lado alviverde, a apreensão foi um pouco maior, já que o oponente viria a ser o mesmo time que surpreendeu o Botafogo no grupo 1 no jogo do Engenhão, batendo os cariocas por 2×0. Havia uma noção de como os equatorianos poderiam ser perigosos, mas dadas as bravatas palmeirenses de que “Libertadores é obrigação”, percebe-se que nada seria tão nocivo que pudesse abalar a caminhada do “Real Madrid das Américas” rumo ao troféu tão desejado por clubes sul-americanos.

Choques de realidade

Vieram os jogos de ida. Derrotas por 1×0 para ambos fora de casa. Parece que os adversários não eram tão dóceis assim, não é mesmo? Pelo fato dos jogos terem acontecido em Julho, viveu-se a ansiedade pelos jogos de volta, que aconteceriam somente em agosto. E muita coisa aconteceu até ali. Eliminações na Copa do Brasil deixaram o clima ainda mais abalado em Galo e Palmeiras. O fato do futebol apresentado pelos dois ser extremamente aquém do que seus elencos poderiam demonstrar deixava ainda mais pulgas atrás das orelhas de suas torcidas. Mas o dia das decisões chegou.

E com ele, o choque de realidade. O choque que mostra que dinheiro, ao menos no futebol, não compra felicidade. E também não compra bom futebol. O Atlético, na sua tentativa desenfreada de ultrapassar a barreira boliviana, cruzou impressionantes 43 bolas na área do Jorge Wilstermann. O Palmeiras, 25. No entanto, abusou mais dos lançamentos, com mais de 30, o que mostra a falta de um meio campo coeso e o excesso das ligações diretas. A realidade foi dura com esses clubes que tanto investiram e, de 2017, nada irão levar. Daí vem a necessidade de se refletir sobre a maneira com que esses investimentos são realizados.

Egídio Palmeiras

Egídio, o menor dos culpados, erra o pênalti derradeiro (Foto: Alex Silva)

Planejamentos equivocados

O ano começou com todos que vivem o mundo do futebol admirados e impressionados com as contratações que Palmeiras e Atlético-MG estavam fazendo. Surgiam verdadeiros esquadrões que seriam difíceis de serem combatidos. As artilharias ofensivas de ambos se tornavam cada vez mais temidas. De um lado, um grupo com Willian Bigode, Keno, Borja, Guerra, Dudu, entre tantos outros. Lá em Minas, não chegavam tantos nomes no ataque, mas os que vinham de 2016 já eram o suficiente para deixar qualquer oponente amedrontado, já que um setor ofensivo com Cazares, Otero, Luan, Robinho e Fred é de fato assustador.

Um dos principais nomes do Galo, Robinho está longe do seu ideal físico e técnico (Foto: Atlético-MG/divulgação)

Se empilharam nomes em certos setores e se esqueceram de outros. Pois é, o galáctico Palmeiras, com opções para dar e vender no ataque, em nenhum dos 8 meses desse ano atual teve uma consistência em suas laterais. Na esquerda, passaram Fabrício (já fora do clube), Zé Roberto, Michel Bastos e Egídio. Na direita, Fabiano, Jean, Tchê Tchê e Juninho, esses últimos totalmente improvisados. Nenhum desses veio a ser a solução.

Ainda nas cercanias da Academia: o quão vergonhoso é despejar 33 milhões de reais no melhor jogador das Américas no ano de 2016, e nem tirá-lo do banco na partida mais importante do ano? Quem foi trazido como salvação, amargou nas sombras do mais novo centroavante Deyverson, trazido para colocar debaixo dos tapetes a decepção que vem sendo a contratação do colombiano Miguel Borja. Mas as gafes se estendem para o lado atleticano.

A promessa para 2017 foi tornar o elenco mais equilibrado, tornando defesa e ataque mais parelhos. Esqueceu-se da faixa etária de quem iria compor esse elenco. Um grupo muito envelhecido, com diversos jogadores acima dos 30 anos e que foi ficando cada vez mais desgastado. Para tentar desafogar, vieram Pablo, Valdivia, Gustavo Blanco. Todos no meio do ano. Assim fica difícil para qualquer treinador dar firmeza a uma equipe, seja Roger Machado, seja Rogério Micale.

Foram muitos erros, de quem acha que o futebol da vida real é um jogo de Fifa. No videogame, a única coisa que importa é trazer nomes e mais nomes de peso e que uma hora, depois de tanto apertar R1 + ■, a bola vai entrar e tudo vai se resolver como num passe de mágica. A vida real não é Fifa, mas se o ano de Palmeiras e Galo fosse um videogame, chegou o momento: game over. Feliz (ou não) 2018 para palmeirenses e atleticanos.

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Roberto Accioly

Roberto Accioly

Apaixonado por esportes em geral, independentemente da modalidade. Fanático por futebol desde o berço, por NFL, onde minha torcida vai para o Seahawks desde 2010 e por NBA desde que Dirk Nowitzki detonou o Big Three de Miami nas finais de 2011.



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