O primeiro turno do Vasco

O primeiro turno do Vasco

Nenê foi do status de referência da equipe à desintegração – causada por uma escolha própria (Foto: Carlos Gregório Jr./Vasco.com.br)

Passada a primeira metade do Brasileirão, analisamos o primeiro turno do Vasco, o que foi determinante e o que esperar do segundo

O empate por 0x0 com a Ponte Preta, no último domingo, marcou a chegada à metade do Campeonato Brasileiro. Após 19 rodadas, é importante traçar um panorama do desempenho do Vasco na competição, algo que pode ser bem difícil, já que a equipe passou por uma verdadeira montanha russa até aqui.

Um início conturbado e o 12° “jogador”

Antes do início, em maio, o cruzmaltino já vinha cercado de desconfiança: a eliminação muito precoce da Copa do Brasil em março (!) e o status de saco de pancadas dos rivais no Carioca conferiam à equipe de Milton Mendes o peso da certeza quase iminente de um Brasileirão sofrido. Para piorar, a eliminação para o Fluminense na semifinal do Estadual deu ao Vasco três semanas de “férias” antes da estreia no campeonato – três semanas de ambiente pesado e de puro receio, enquanto os adversários disputavam outras competições. A desconfiança que vinha crescendo a cada dia daquelas três semanas atingiu seu ápice quando, na primeira rodada, o Vasco sofreu uma goleada de 4×0 para o Palmeiras, fora de casa. Depois daquele jogo, o Gigante já era tido como candidato ao seu 4º rebaixamento; tese que cairia por terra (pelo menos por ora) na rodada seguinte.

Contra o Bahia, em São Januário, o Vasco surpreendeu a torcida e venceu contando com atuação consistente da defesa e do ataque. A partir daquele jogo, duas certezas se estabeleceriam no decorrer das rodadas: o Vasco não funcionava fora de casa, e São Januário era o 12º jogador da equipe. Nos jogos em casa, o time cruzmaltino se alimentava do apoio da torcida e dificilmente saía de campo sem os três pontos. Nesse ritmo, o Vasco foi prosseguindo no Campeonato – vitórias em casa, derrotas fora, uma certa “consistência inconsistente” que vinha funcionando e mantendo o time na parte de cima da tabela (chegando até a frequentar a zona de classificação para a Libertadores por algumas rodadas). O torcedor já sabia o que esperar, de certa forma, e o Brasileiro vinha transcorrendo sem muitos sustos – até a 12ª rodada.

A perda do Caldeirão foi um baque que desestabilizou o Vasco no Campeonato (Foto: Carlos Gregório Jr./Vasco.com.br)

Diante do Flamengo, em São Januário, o que vimos foi um show de horror que infelizmente não se resumiu aos 90 minutos. A selvageria nas arquibancadas acabou custando muito caro à equipe. O estádio foi interditado, o Vasco perdeu seis mandos de campo e, consequentemente, seu maior reforço no Brasileirão: o fator casa. Sem a Colina Histórica, a equipe de Milton Mendes agora precisa jogar em Volta Redonda e, por mais que ainda conte com o apoio da torcida, jamais será a mesma coisa que enfrentar seus adversários em um Caldeirão lotado. A perda de São Januário acabou por desestabilizar o Gigante, juntamente com outros fatores, como os desfalques.

Fabuloso e Nenê: dois desfalques importantes

As últimas rodadas evidenciaram o quão dependente de Luís Fabiano e Nenê o time ainda é: há sete rodadas sem o Fabuloso e há quatro sem o meia, o Vasco encontra muita dificuldade para concluir as jogadas a gol. Os dois jogadores, mesmo fora da equipe nesse momento, continuam sendo, respectivamente, os que mais marcaram e mais cederam assistências pelo time cruzmaltino no primeiro turno.

A situação de ambos, porém, deve ser resolvida em breve. Luís Fabiano está se recuperando de uma lesão, aperfeiçoando o condicionamento físico no CAPRRES e deve voltar a atuar em algumas semanas. Já Nenê é parte de uma situação mais delicada: o meia pediu para sair da equipe devido a supostas propostas de equipes estrangeiras, que não chegaram a se firmar, e acabou causando mal-estar com o treinador e a torcida. Nenê continuou treinando em São Januário após o ocorrido, embora separado do restante do time. Se a volta dele parecia distante há uma semana, agora ela aparenta se aproximar cada vez mais: o time vem em constante cobrança pelos últimos resultados (três derrotas em cinco jogos) e o nome do meia chegou a ser gritado nas arquibancadas. Nenê deve se reunir com a diretoria nos próximos dias para definir de vez sua situação, mas é provável que seja reintegrado ao elenco. Apesar do ressentimento da torcida com a atitude dele, é impossível não admitir que o jogador é uma peça fundamental no meio-campo vascaíno, principalmente após as últimas atuações da equipe.

Um segundo turno de indefinições

Depois de 19 rodadas de altos e baixos, não dá para saber o que esperar do Vasco no segundo turno, já que, nesse momento, até mesmo o trabalho de Milton Mendes vem sendo altamente questionado. A boa notícia é que São Januário deve voltar a receber jogos em breve: o estádio foi desinterditado pelo STJD e o Gigante já cumpriu três das seis partidas que pegou de gancho. Apesar disso, o cenário continua sendo de incerteza dentro de campo, e a única coisa de que temos convicção sobre as próximas 19 rodadas é que serão de pura adrenalina – algo ao qual o torcedor vascaíno já está acostumado.

Raphaela Reis

Raphaela Reis

Estudante de publicidade, 19 anos, nascida e criada no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro. Apaixonada por futebol e pelo Vasco desde criança, viciada em ler o caderno de esportes do jornal e desafiante oficial dos tios e primos no FIFA. Infelizmente não realizou a fantasia de se tornar a nova Marta, mas hoje busca nas palavras uma forma de se manter conectada ao mundo da bola.



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