Bem-vinda, Premier League #1: O fundo do poço?

by Guilherme Porto | 9 de agosto de 2017 19:40

Newcastle, o campeão da última Championship, sobe para onde não deveria ter saído – e com muita sede de vitórias (Foto: Reprodução/Chronicle Live)

A RISE Esportes começa o aquecimento com um resumão sobre a liga mais competitiva do Velho Continente: uma análise em 3 textos sobre os 20 times da Premier League 2017/2018.

No primeiro deles, o bloco dos 10 que, provavelmente, não brigarão por competições europeias – e no pior dos casos, serão rebaixados.

Brighton & Hove Albion

Sem disputar a elite do futebol inglês, desde a temporada 82/83, quando foi rebaixado, os Seagulls (gaivotas) não têm das histórias mais ricas na terra da Rainha.

Ainda assim, jogando pela primeira vez a atual Premier League – e isso depois de uma campanha de vice-campeonato no acesso, vindos Championship – os caras vem com sangue nos olhos. O principal desafio é se espelhar no Bournemouth, que fez sua estreia na temporada passada e não decepcionou. Dentro da realidade das duas equipes, é possível se manter na Premier.

Nos 11 titulares, dois israelenses fazem parte da espinha dorsal da equipe: Beram Kayal e Tomer Hemed. O primeiro joga na linha de 4, dando suporte aos atacantes do esquema da equipe (4-4-2). Já o segundo é um desses homens de frente – e provavelmente dividirá a responsabilidade com o alemão Pascal Gross, recém-chegado do Ingolstadt.

Gross Ingolstadt

Gross, ex-Ingolstadt (Foto: Reprodução/Premier League)

No último jogo, um amistoso contra o Atlético de Madrid – que não poupou ninguém – a equipe fez um jogo duro. Contudo, não segurou o empate e saiu derrotado por 3 a 2. Para a temporada, talvez a principal virtude terá que ser essa: saber sofrer.

Huddersfield Town

Tendo se classificado via playoffs ­– torneio mata-mata do 3º ao 6º colocados, que define a última vaga de acesso – o Huddersfield não tem grandes pretensões nessa temporada. Tricampeão inglês nos anos 20 (antes da era Premier League), entretanto, os Terriers têm mais tradição do que os Seagulls no cenário nacional.

Aaron Mooy Huddersfield

Aaron Mooy (Foto: Reprodução/Goal.com)

A confiança nessa temporada vai em duas contratações ousadas no quesito financeiro: Aaron Mooy e Steve Mounié. O primeiro é um volante australiano – que já participou dos playoffs – e foi um dos poucos destaques de sua seleção na Copa das Confederações; já o segundo é de Benim, atacante rápido, vindo do Montpellier e com retrospecto satisfatório.

Para se manter, o time aposta em um 4-3-3 nem tão ofensivo, com Mooy sendo um dos armadores principais da equipe – mesmo não sendo um dos mais indicados para a função. Assim como os Seagulls, o time de Huddersfield deve comemorar empates suados nessa temporada.

Newcastle

Com bem mais tradição que os companheiros vindos de Championship, o Newcastle foi o campeão da última temporada da segundona. Nada mais justo. Com tanta história, o acesso foi só a volta à normalidade: um lugar na Premier League.

Para a temporada, o time conta com o ganês Christian Atsu. Rápido, habilidoso e dono de uma excelente chegada na área, Atsu tem potencial para ser um dos destaques desse campeonato.

Atsu driblando

Atsu (Foto: Reprodução/Goal.com)

No papel, o time traz um 4-4-2, com Atsu e Gouffran abertos, servindo Mitrovic e Ayoze Perez. No campo, Perez recua um pouco para distribuir jogadas e liberar os pontas para a aproximação. Com isso, Mitrovic vira referência.

Os esquemas em si são interessantes. Olho vivo nos Magpies, que podem aprontar bastante nessa temporada.

Burnley

O time de Lancashire não traz grandes novidades para a temporada. Para o meio-campo, a contratação de Jack Cork, vindo do Swansea, deve dar mais opções para o esquema de jogo: um 4-4-2 com Vokes e Gray na frente.

Gray é o jogador de velocidade, que busca jogadas mais atrás. Vokes é um galês relativamente bruto. Dono de um jogo raçudo, porém caneleiro, o cara faz seus gols e ajuda o time do Burnley.

Vokes e Gray em primeiro plano (Foto: Reprodução/Premier Punditry)

Assim como a temporada do ano passado – que terminou com a 16ª posição, a briga vai ser para não cair. Não deve haver grandes esperanças, caso não haja nenhuma mudança na janela de meio de temporada.

Watford

Mesmo tendo feito investimentos interessantes na temporada passada, o Watford sofreu para não descer. Na 17ª posição, por sorte o time se livrou. Como só caem 3, restou ao time rever os erros e melhorar para a próxima temporada.

Para esse ano, assim como ano passado, bons nomes chegam. O primeiro deles é bem conhecido nosso: Richarlison, atacante ex-Fluminense chega para ser titular. Além dele, Nathaniel Chalobah, promessa contratada junto ao Chelsea reforça o time no meio-campo. Assim como o brasileiro, o meia deve ser titular desse elenco.

Richarlison apresentação Watford Premier League

Richarlison (Foto: Reprodução/Watford)

Com um esquema 4-2-3-1, que favorece o uso dos recém-chegados, o time tem diversas opções de variação. Contudo, Zárate deve ser a referência, sendo servido por Niang e Richarlison abertos, com Amrabat no centro. Chalobah, mais recuado, joga de volante.

A projeção não é ruim. As peças existem. Resta saber se serão bem encaixadas para dar liga nesse time.

Bournemouth

Os Cherries fizeram, surpreendentemente, uma temporada interessante. Com a 9ª posição na tabela, a figuração na parte de cima mostrou que os caras querem mais nesse ano.

Com a devolução de Wilshere para o Arsenal, o meio pode ficar desguarnecido. Contudo, o setor defensivo vem reforçadíssimo com jogadores ex-Chelsea: Nathan Aké (zagueiro) e Asmir Begovic (goleiro). O primeiro é um garoto revelação trazido à peso de ouro. O segundo é um excelente goleiro bósnio, que só não é titular devido à fase de Courtois.

Begovic fazendo reposição de bola

Begovic (Foto: Reprodução/Standard)

No campo, o esquema deve se manter um 4-4-1-1, com Fraser à frente da linha de 4. Resguardada, a defesa consegue se manter sólida e deve sofrer ainda menos gols com os novos jogadores.

A projeção para o time também é interessante. Mantido o padrão da última temporada, a chance de o time se manter, ao menos, na primeira metade da tabela da Premier League é real.

Southampton

Conhecido por ser uma boa fábrica de talentos – como Lallana, atualmente no Liverpool – os Saints, não tem grandes perdas, nem grandes aquisições para a temporada.

O último ano foi bem desanimador. Brigando no fim da tabela em grande parte do campeonato, o time traz Mario Lemina (ex-Juventus) como solução para os problemas de meio-campo.

Lemina pedindo silêncio

Lemina (Foto: Reprodução/Super Eva)

No esquema, Lemina deve conversar com Oriol Romeu na dupla de volantes do 4-2-3-1. Mais à frente, Tadic, Ward-Prouse e Redmond servem o competente matador Austin. Eficiente e proativo, ele não é craque. Mas vai ajudar de novo o Southampton a se manter na primeira divisão – e quem sabe a tentar algo maior nesse ano.

Stoke City

Animados com a vitória no último amistoso diante do RB Leipzig, o Stoke não tem condições de tentar algo interessante esse ano. Mas como o futebol é louco, nunca se sabe.

Uma das principais estrelas do time foi embora. Arnautovic foi de mala e cuia para o West Ham. Para o seu lugar não veio ninguém à altura. Mas, para a zaga – já que o time está pensando em sofrer – o francês Kurt Zouma chega do Chelsea. Consistente e rápido, o cara vai ajudar o time a não patinar (tanto) esse ano.

Zouma na apresentação do Stoke City

Zouma (Foto: Reprodução/Stoke City)

O esquema é um 3-4-2-1. Na armação, Shaqiri toma conta do meio e serve o grandalhão Crouch lá na frente. Mais aberto, Diouf, que na teoria é centroavante, tem que se virar para criar pelos flancos. E com isso, vê-se que as pretensões não passam da manutenção na Premier para 2018.

Swansea

Vindo de País de Gales, o Swansea já fez boas temporadas recentemente. Mas a realidade não deve ser a mesma nesse ano.

Gomis, a pantera negra e artilheiro do time partiu para o Galatasaray. Fernando Llorente deve ser a referência para os gols da equipe. E isso não é grande coisa. No meio, Sigurdsson e Ayew são as esperanças de dias melhores para os galeses.

Sigurdsson gol Premier League

Sigurdsson (Foto: Alex Livesey/Getty Images)

No campo, o time se mostra em um 4-3-3. Ousado como a disposição no gramado, o estilo de jogo muitas vezes deixa espaços atrás que não são bem tapados. Desde de a saída de Williams para o Everton, o time vem sofrendo sem um xerife.

Contudo, com muita reza e retranca, os Cisnes podem tentar algo mais que sofrimento nessa temporada. Quem sabe até uma metade superior da tabela da Premier League.

West Bromwich

O último da lista é o WB Albion. Também sem grandes mudanças com relação ao último ano, o time traz como principal vinda o atacante Jay Rodriguez, ex-Southampton. Isso há algumas temporadas seria uma excelente contratação. Mas as últimas apresentações do cara – além das contusões em sequência – não são grandes coisas para o time de West Midlands.

Apresentação Jay Rodriguez Premier League

Jay Rodriguez (Foto: Reprodução/Premier League)

No campo, o time traz um 3-5-2. Fletcher, ex-United é a referência em termos de qualidade. Mais avançado, o venezuelano Rondón também costuma trazer problemas para as defesas adversárias.

Ainda assim, a projeção é morna. O time não deve criar problemas fora de seus domínios e pode, quem sabe, almejar uma 10ª posição na tabela.

A temporada da Premier League começa na próxima sexta-feira (11) e você acompanha os detalhes da liga da Rainha aqui na RISE Esportes.

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