NFL – Análise da temporada: Green Bay Packers

by Vinícius Mathias | 7 de agosto de 2017 19:29

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Foto: Ronald Martinez/Getty Images

Sem RB, sem secundária, mas com Run the Table e Hail Mary; veja como foi a temporada do Green Bay Packers

Campanha em 2016: 10-6; campeão da NFC Norte

Os Packers, em quase todos os anos, são vistos como os “Patriots” da NFC. Sempre candidatos a representar a Conferência Nacional no Super Bowl. Embora tenha um camisa 12 tão talentoso quanto e mais completo que o de New England, Green Bay não conseguiu realizar (mais uma vez) o desejo de termos um Rodgers x Brady na final da NFL.

Mais uma temporada se passou e ficamos boquiabertos com os milagres que Aaron Rodgers opera. O QB lançou sua terceira Hail Mary num espaço de um ano em pleno Wild Card contra os Giants[1], além daquele passe para Jared Cook nos segundos finais contra os Cowboys[2] no Divisional Round. Outro ano de ótimo rating, muitos TDs, poucas interceptações. Enfim, o de sempre.

Green Bay comemora vitória contra Dallas.

Green Bay gastou o último estoque de milagres contra os Cowboys (Foto: Ronald Martinez/Getty Images).

A fonte secou na final da NFC, onde o pass rush dos Falcons[3] dominou Rodgers e seu ataque na primeira metade do jogo. A defesa, que já não parava ninguém, não teria qualquer chance de segurar Atlanta para que o ataque reagisse. A secundária de GB não achou Julio Jones e Cia em nenhum momento e os Packers ficaram pelo caminho de novo.

O que deu certo: E L E

Os Packers começaram inconstantes ao ponto de transformarem um 4-2 em 4-6. Dentre as derrotas em sequência, estavam uma em casa contra os Colts[4] e massacres fora contra Titans [5]e Redskins[6]. Criou-se até um rumor de treta entre Rodgers e o técnico Mike McCarthy. O QB respondeu com um “I feel like we can run the table”. Ao invés de “só” virar a mesa, os Packers destruíram cadeira, banco e tudo pela frente.

A partir daí foram seis vitórias seguidas que deram aos Cheeseheads o improvável título da NFC Norte. E, de quebra, ainda mandaram os rivais Lions[7] para uma ingrata visita a Seattle contra os Seahawks[8] no Wild Card. Foram 4428 jardas, 40 TDs lançados, 4 TDs corridos e apenas 7 interceptações para Rodgers na temporada. Além de hora extra como RB 2.

Aaron Rodgers correndo contra Dallas Cowboys

Aaron Rodgers “virou” até o running back 2 dos Packers (Foto: Michael Ainsworth/AP).

Eddie Lacy já não vinha tão bem nos últimos tempos, acumulando problemas de peso, lesão e fumbles. Quando Lacy e Starks se machucaram e Christine Michael foi um fiasco, Green Bay ficou sem running back. O wide receiver Ty Montgomery virou RB e liderou o time em jardas terrestres (457). Aaron Rodgers foi o segundo, com 369.

A volta de Jordy Nelson, que perdeu a temporada de 2015 por lesão, ajudou os bons Randall Cobb e Davante Adams ganharem mais espaço em campo. O ataque aéreo poderia ter sido até mais fatal, porém a falta de ameaça terrestre deixou o jogo dos Packers unilateral demais.

O que deu errado: uma secundária perdida

Logo na Semana 1 contra os Jaguars[9], Green Bay sofreu uma dura perda. Sam Shields de Sarasota, na Flórida, duas doses™ sofreu uma concussão que o tirou da temporada. O cornerback declarou em dezembro do ano passado que ainda sofre com dores de cabeça devido ao seu histórico de concussões.

Sem seu principal CB, a secundária dos Packers foi um desastre em 2016. A “cozinha” de GB foi a segunda que mais tomou jardas na NFL, ficando atrás apenas da famosa secundária dos Saints[10]. O que já não era tão confiável, também não era saudável. Em vários jogos, algum cornerback ou safety saía com alguma lesão durante a partida.

Recepção Julio Jones contra Packers

Gunter tomando um baile foi rotina em 2016 (Foto: Streeter Lecka/Getty Images).

Run the table”, Hail Mary e aquele jogo contra Dallas mostraram que os Packers sobreviviam exclusivamente por conta do seu QB mágico. E que quando a defesa fosse exigida para ajudá-lo, Green Bay cairia. Demorou, mas o destino chegou na decisão da NFC, contra os Falcons. A secundária foi mais queimada por Matt Ryan e seu ataque do que Sodoma e Gomorra. Um desastre.

As atuações de LaDarius Gunter, Damarious Randall e Quinten Rollins durante o ano foram de matar a torcida dos Packers. Para piorar, além do trio continuar em 2017, Micah Hyde se mandou para os Bills[11]. Os reforços para a secundária são o retorno de Davon House, os draftados[12] Kevin King e Josh Jones, e a permanência do ótimo Ha-Ha Clinton-Dix.

Saldo: um time comum sem Aaron Rodgers

Por mais que tenha alguns nomes excelentes como Clay Matthews, Nick Perry e Jordy Nelson, o conjunto atual de GB é mais fraco do que muitos times na NFL. Porém, ter o melhor quarterback em atividade compensa muitos problemas. Mesmo assim, nem sempre é o suficiente, vide Bostick não segurando onside kick em 2015 e a secundária da última temporada.

A razão disso é o estilo do General Manager Ted Thompson em apostar na mentalidade de recrutar e desenvolver. Os Packers basicamente vivem de Draft, sem fazer grandes estardalhaços na free agency e/ou em trocas. A anomalia da vez foi a contratação do excelente tight end Martellus Bennett para 2017.

Mesmo assim, a efetivação de Ty Montgomery como RB e o retorno de Davon House são muito pouco para quem sonha alto. Ainda mais com as saídas de Micah Hyde e Eddie Lacy. Ou seja, para repor dois setores já combalidos, os Packers têm um WR transformado em RB e um CB que era reserva de Prince Amukamara nos Jaguars. A lista de partida ainda inclui dois bons protetores de Rodgers na linha ofensiva (T.J. Lang para os Lions e JC Tretter para os Browns), além de Julius Peppers para os Panthers[13].

Aaron Rodgers saudando torcida

Mister Hail Mary (Foto: Jonathan Daniel/Getty Images)

Enquanto tiverem Aaron Rodgers como quarterback, Green Bay dificilmente ficará fora dos playoffs. Mas para voltar a disputar e/ou conquistar mais um Super Bowl, a franquia não pode só depender do ataque (vide fracassos recentes de ataques poderosos: Broncos[14] x Seahawks; Panthers x Broncos e Falcons x Patriots). Ou a defesa fica pelo menos nota 6, ou Arão Rogério vai ter que aumentar sua produção de milagres.

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Endnotes:
  1. Giants: http://risesportes.com.br/2017/06/09/nfl-analise-da-temporada-new-york-giants/
  2. Cowboys: http://risesportes.com.br/2017/08/03/nfl-analise-da-temporada-dallas-cowboys/
  3. Falcons: http://risesportes.com.br/2017/08/15/analise-da-temporada-atlanta-falcons/
  4. Colts: http://risesportes.com.br/2017/04/21/nfl-analise-da-temporada-indianapolis-colts/
  5. Titans : http://risesportes.com.br/2017/05/21/nfl-analise-da-temporada-tennessee-titans/
  6. Redskins: http://risesportes.com.br/2017/05/09/nfl-analise-da-temporada-washington-redskins/
  7. Lions: http://risesportes.com.br/2017/05/25/detroit-lions/
  8. Seahawks: http://risesportes.com.br/2017/07/31/nfl-analise-da-temporada-seattle-seahawks/
  9. Jaguars: http://risesportes.com.br/2017/03/26/nfl-analise-da-temporada-jacksonville-jaguars/
  10. Saints: http://risesportes.com.br/2017/04/09/nfl-analise-da-temporada-new-orleans-saints/
  11. Bills: http://risesportes.com.br/2017/04/09/nfl-analise-da-temporada-buffalo-bills/
  12. draftados: http://risesportes.com.br/2017/05/02/boas-escolhas-e-gente-dormindo-teve-de-tudo/
  13. Panthers: http://risesportes.com.br/2017/04/03/nfl-analise-da-temporada-carolina-panthers/
  14. Broncos: http://risesportes.com.br/2017/06/04/nfl-analise-da-temporada-denver-broncos/

Source URL: http://risesportes.com.br/2017/08/07/nfl-analise-da-temporada-green-bay-packers/