NFL – Análise da temporada: Green Bay Packers

NFL – Análise da temporada: Green Bay Packers

Foto: Ronald Martinez/Getty Images

Sem RB, sem secundária, mas com Run the Table e Hail Mary; veja como foi a temporada do Green Bay Packers

Campanha em 2016: 10-6; campeão da NFC Norte

Os Packers, em quase todos os anos, são vistos como os “Patriots” da NFC. Sempre candidatos a representar a Conferência Nacional no Super Bowl. Embora tenha um camisa 12 tão talentoso quanto e mais completo que o de New England, Green Bay não conseguiu realizar (mais uma vez) o desejo de termos um Rodgers x Brady na final da NFL.

Mais uma temporada se passou e ficamos boquiabertos com os milagres que Aaron Rodgers opera. O QB lançou sua terceira Hail Mary num espaço de um ano em pleno Wild Card contra os Giants, além daquele passe para Jared Cook nos segundos finais contra os Cowboys no Divisional Round. Outro ano de ótimo rating, muitos TDs, poucas interceptações. Enfim, o de sempre.

Green Bay comemora vitória contra Dallas.

Green Bay gastou o último estoque de milagres contra os Cowboys (Foto: Ronald Martinez/Getty Images).

A fonte secou na final da NFC, onde o pass rush dos Falcons dominou Rodgers e seu ataque na primeira metade do jogo. A defesa, que já não parava ninguém, não teria qualquer chance de segurar Atlanta para que o ataque reagisse. A secundária de GB não achou Julio Jones e Cia em nenhum momento e os Packers ficaram pelo caminho de novo.

O que deu certo: E L E

Os Packers começaram inconstantes ao ponto de transformarem um 4-2 em 4-6. Dentre as derrotas em sequência, estavam uma em casa contra os Colts e massacres fora contra Titans e Redskins. Criou-se até um rumor de treta entre Rodgers e o técnico Mike McCarthy. O QB respondeu com um “I feel like we can run the table”. Ao invés de “só” virar a mesa, os Packers destruíram cadeira, banco e tudo pela frente.

A partir daí foram seis vitórias seguidas que deram aos Cheeseheads o improvável título da NFC Norte. E, de quebra, ainda mandaram os rivais Lions para uma ingrata visita a Seattle contra os Seahawks no Wild Card. Foram 4428 jardas, 40 TDs lançados, 4 TDs corridos e apenas 7 interceptações para Rodgers na temporada. Além de hora extra como RB 2.

Aaron Rodgers correndo contra Dallas Cowboys

Aaron Rodgers “virou” até o running back 2 dos Packers (Foto: Michael Ainsworth/AP).

Eddie Lacy já não vinha tão bem nos últimos tempos, acumulando problemas de peso, lesão e fumbles. Quando Lacy e Starks se machucaram e Christine Michael foi um fiasco, Green Bay ficou sem running back. O wide receiver Ty Montgomery virou RB e liderou o time em jardas terrestres (457). Aaron Rodgers foi o segundo, com 369.

A volta de Jordy Nelson, que perdeu a temporada de 2015 por lesão, ajudou os bons Randall Cobb e Davante Adams ganharem mais espaço em campo. O ataque aéreo poderia ter sido até mais fatal, porém a falta de ameaça terrestre deixou o jogo dos Packers unilateral demais.

O que deu errado: uma secundária perdida

Logo na Semana 1 contra os Jaguars, Green Bay sofreu uma dura perda. Sam Shields de Sarasota, na Flórida, duas doses™ sofreu uma concussão que o tirou da temporada. O cornerback declarou em dezembro do ano passado que ainda sofre com dores de cabeça devido ao seu histórico de concussões.

Sem seu principal CB, a secundária dos Packers foi um desastre em 2016. A “cozinha” de GB foi a segunda que mais tomou jardas na NFL, ficando atrás apenas da famosa secundária dos Saints. O que já não era tão confiável, também não era saudável. Em vários jogos, algum cornerback ou safety saía com alguma lesão durante a partida.

Recepção Julio Jones contra Packers

Gunter tomando um baile foi rotina em 2016 (Foto: Streeter Lecka/Getty Images).

Run the table”, Hail Mary e aquele jogo contra Dallas mostraram que os Packers sobreviviam exclusivamente por conta do seu QB mágico. E que quando a defesa fosse exigida para ajudá-lo, Green Bay cairia. Demorou, mas o destino chegou na decisão da NFC, contra os Falcons. A secundária foi mais queimada por Matt Ryan e seu ataque do que Sodoma e Gomorra. Um desastre.

As atuações de LaDarius Gunter, Damarious Randall e Quinten Rollins durante o ano foram de matar a torcida dos Packers. Para piorar, além do trio continuar em 2017, Micah Hyde se mandou para os Bills. Os reforços para a secundária são o retorno de Davon House, os draftados Kevin King e Josh Jones, e a permanência do ótimo Ha-Ha Clinton-Dix.

Saldo: um time comum sem Aaron Rodgers

Por mais que tenha alguns nomes excelentes como Clay Matthews, Nick Perry e Jordy Nelson, o conjunto atual de GB é mais fraco do que muitos times na NFL. Porém, ter o melhor quarterback em atividade compensa muitos problemas. Mesmo assim, nem sempre é o suficiente, vide Bostick não segurando onside kick em 2015 e a secundária da última temporada.

A razão disso é o estilo do General Manager Ted Thompson em apostar na mentalidade de recrutar e desenvolver. Os Packers basicamente vivem de Draft, sem fazer grandes estardalhaços na free agency e/ou em trocas. A anomalia da vez foi a contratação do excelente tight end Martellus Bennett para 2017.

Mesmo assim, a efetivação de Ty Montgomery como RB e o retorno de Davon House são muito pouco para quem sonha alto. Ainda mais com as saídas de Micah Hyde e Eddie Lacy. Ou seja, para repor dois setores já combalidos, os Packers têm um WR transformado em RB e um CB que era reserva de Prince Amukamara nos Jaguars. A lista de partida ainda inclui dois bons protetores de Rodgers na linha ofensiva (T.J. Lang para os Lions e JC Tretter para os Browns), além de Julius Peppers para os Panthers.

Aaron Rodgers saudando torcida

Mister Hail Mary (Foto: Jonathan Daniel/Getty Images)

Enquanto tiverem Aaron Rodgers como quarterback, Green Bay dificilmente ficará fora dos playoffs. Mas para voltar a disputar e/ou conquistar mais um Super Bowl, a franquia não pode só depender do ataque (vide fracassos recentes de ataques poderosos: Broncos x Seahawks; Panthers x Broncos e Falcons x Patriots). Ou a defesa fica pelo menos nota 6, ou Arão Rogério vai ter que aumentar sua produção de milagres.

Vinícius Mathias

Vinícius Mathias

Jornalista e ala-armador nas horas vagas. Sofre nas ligas americanas com Timberwolves, Jaguars, Sharks e Angels. Se arrepende por não ter escolhido o Seahawks. Chelsea e Alemanha trazem felicidade no futebol, pelo menos. Fã de Aaron Rodgers, Jimmie Johnson, Kevin Garnett, Kimi Räikkönen e de uma Heineken bem gelada.



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