NFL – Análise da temporada: Kansas City Chiefs

by Vinícius Mathias | 4 de agosto de 2017 16:29

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Quem não arrisca, não petisca (Foto: Dilip Vishwanat/Getty Images)

Um time bem ajeitado, mas sem um quarterback decisivo; confira como foi a temporada do Kansas City Chiefs

Campanha em 2016: 12-4; campeão da AFC Oeste

Kansas City tem um dos estádios mais hostis da NFL. Os Chiefs venceram 12 das 16 partidas da temporada regular e foram a única franquia da liga a varrer sua divisão em 2016. Foram seis vitórias em seis jogos contra os fortes rivais Broncos[1] e Raiders[2], além do combalido Chargers[3] na AFC Oeste. Mesmo assim, caíram cedo novamente.

Por mais que o time seja bem arrumado, sem deficiências gritantes e conte com nomes que decidem partidas, como Travis Kelce, Eric Berry e Marcus Peters, Kansas ainda precisa de um QB para ganhar jogos de pós-temporada. O desempenho ruim de Alex Smith no jogo em que Chiefs foram eliminados pelos Steelers[4] no Divisional Round foi a gota que encheu um balde prestes a transbordar para o camisa 11.

O brasileiro Cairo Santos fez sua terceira temporada com o time e se firmou como um dos kickers mais confiáveis da NFL. Foram 31 field goals convertidos em 35 tentados (88,6% de aproveitamento, 8ª melhor marca da liga) e 36 de 39 nos extra points (92%), além de 100% no chutes de mais de 50 jardas (2 de 2).

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Cairo Santos finalizou muitas campanhas incompletas de Alex Smith (Foto: Charlie Riedel/AP).

O que deu certo: uma secundária que rouba muitas bolas

A defesa de Kansas foi a que mais interceptou passes em 2016: foram 18 interceptações, sendo seis de Marcus Peters e quatro de Eric Berry. O cornerback e o safety lideraram a secundária dos Chiefs, que rendeu apenas 79.8 de rate em média aos quarterbacks adversários (terceira melhor marca da NFL).

O desempenho da secundária seria ainda melhor se a defesa terrestre funcionasse de forma mais constante. Por conta da frágil contenção, a retaguarda dos Chiefs fica mais exposta do que deveria e acaba trabalhando dobrado. Mesmo assim, Peters, Berry e cia forçaram muitos turnovers.

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Eric Berry interceptou até conversão de dois pontos no estouro do cronômetro (Foto: Chuck Burton/AP).

No ataque, Travis Kelce brilhou mais uma vez. Mesmo jogando com um QB que tem medo de lançar a bola, o camisa 87 foi o TE com mais jardas na NFL em 2016. Foram 1125 em 85 recepções. Entretanto, devido à dificuldade em Smith finalizar jogadas na red zone, o tight end anotou apenas 4 touchdowns.

O que deu errado: o QB que não perde, mas também não ganha

No soccer, os jogadores que erram pênaltis costumam usar a desculpa “só perde quem bate”. Pois Alex Smith segue a filosofia “quem não arrisca, não erra”. O QB é famoso por um jogo seguro e de poucas interceptações (oito em 2016). Mas isso se deve aos passes extremamente curtos. O custo?  Apenas 15 TDs.

Do mesmo jeito que raramente veremos um jogo desastroso de Smith, como aquele de seis interceptações de Ryan Fitzpatrick[5], também será difícil de ver uma partida em que o camisa 11 desequilibre positivamente. O “jogo morno” e sem riscos de Alex em um time bem arrumado por Andy Reid rende frutos na temporada regular. Nos playoffs a história muda – e o time não consegue superar a incapacidade do QB em dar passes longos e de maior dificuldade.

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A paciência dos Chiefs com Alex Smith está no fim (Foto: Peter Aiken/Getty Images).

A falta de sintonia de Alex Smith com seus WRs também continua bem aquém do aceitável. Jeremy Maclin já picou sua mula e #partiu para Baltimore[6]. Sobrou para o segundo-anista Tyreek Hill, o popular faz-tudo do time, liderar os recebedores de lado de campo para a nova temporada.

Saldo: decepcionante na pós-temporada

Kansas City está sempre nos playoffs vindo de boas campanhas. E é justamente isso que coloca a diretoria numa posição delicada em tentar algo novo. A impressão é de que, com Alex Smith, os Chiefs não vão dar um passo à frente. Mas trocá-lo pode comprometer justamente essas temporadas boas que a equipe do Missouri vem fazendo.

A franquia subiu no draft e selecionou Patrick Mahomes na décima escolha[7]. O QB de Texas Tech ainda está cru para a NFL, mas é apontado como o quarterback com o maior teto de talento. O que mais impressiona na escolha, é que Mahomes tem um estilo muito mais ousado e de passes longos e arriscados. Totalmente diferente de Smith.

Difícil imaginar que Pat tome a posição de Alex, já que o camisa 11 não fará “Fitztragics” por aí. Mas o ultimato está cada vez mais claro. Ou Smith se arrisca ou teremos um novo comandante no Arrowhead Stadium em 2018.

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Endnotes:
  1. Broncos: http://risesportes.com.br/2017/06/04/nfl-analise-da-temporada-denver-broncos/
  2. Raiders: http://risesportes.com.br/2017/07/17/nfl-analise-da-temporada-oakland-raiders/
  3. combalido Chargers: http://risesportes.com.br/2017/04/02/nfl-analise-da-temporada-san-diego-chargers/
  4. Steelers: http://risesportes.com.br/2017/08/10/nfl-analise-de-temporada-pittsburgh-steelers/
  5. seis interceptações de Ryan Fitzpatrick: http://risesportes.com.br/2017/03/31/nfl-analise-da-temporada-new-york-jets/
  6. Baltimore: http://risesportes.com.br/2017/05/12/nfl-analise-da-temporada-ravens/
  7. selecionou Patrick Mahomes na décima escolha: http://risesportes.com.br/2017/04/30/busca-por-quarterbacks-rouba-a-cena-no-draft-2017-da-nfl/

Source URL: http://risesportes.com.br/2017/08/04/nfl-analise-da-temporada-kansas-city-chiefs/