NFL – Análise da temporada: Kansas City Chiefs

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Quem não arrisca, não petisca (Foto: Dilip Vishwanat/Getty Images)

Um time bem ajeitado, mas sem um quarterback decisivo; confira como foi a temporada do Kansas City Chiefs

Campanha em 2016: 12-4; campeão da AFC Oeste

Kansas City tem um dos estádios mais hostis da NFL. Os Chiefs venceram 12 das 16 partidas da temporada regular e foram a única franquia da liga a varrer sua divisão em 2016. Foram seis vitórias em seis jogos contra os fortes rivais Broncos e Raiders, além do combalido Chargers na AFC Oeste. Mesmo assim, caíram cedo novamente.

Por mais que o time seja bem arrumado, sem deficiências gritantes e conte com nomes que decidem partidas, como Travis Kelce, Eric Berry e Marcus Peters, Kansas ainda precisa de um QB para ganhar jogos de pós-temporada. O desempenho ruim de Alex Smith no jogo em que Chiefs foram eliminados pelos Steelers no Divisional Round foi a gota que encheu um balde prestes a transbordar para o camisa 11.

O brasileiro Cairo Santos fez sua terceira temporada com o time e se firmou como um dos kickers mais confiáveis da NFL. Foram 31 field goals convertidos em 35 tentados (88,6% de aproveitamento, 8ª melhor marca da liga) e 36 de 39 nos extra points (92%), além de 100% no chutes de mais de 50 jardas (2 de 2).

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Cairo Santos finalizou muitas campanhas incompletas de Alex Smith (Foto: Charlie Riedel/AP).

O que deu certo: uma secundária que rouba muitas bolas

A defesa de Kansas foi a que mais interceptou passes em 2016: foram 18 interceptações, sendo seis de Marcus Peters e quatro de Eric Berry. O cornerback e o safety lideraram a secundária dos Chiefs, que rendeu apenas 79.8 de rate em média aos quarterbacks adversários (terceira melhor marca da NFL).

O desempenho da secundária seria ainda melhor se a defesa terrestre funcionasse de forma mais constante. Por conta da frágil contenção, a retaguarda dos Chiefs fica mais exposta do que deveria e acaba trabalhando dobrado. Mesmo assim, Peters, Berry e cia forçaram muitos turnovers.

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Eric Berry interceptou até conversão de dois pontos no estouro do cronômetro (Foto: Chuck Burton/AP).

No ataque, Travis Kelce brilhou mais uma vez. Mesmo jogando com um QB que tem medo de lançar a bola, o camisa 87 foi o TE com mais jardas na NFL em 2016. Foram 1125 em 85 recepções. Entretanto, devido à dificuldade em Smith finalizar jogadas na red zone, o tight end anotou apenas 4 touchdowns.

O que deu errado: o QB que não perde, mas também não ganha

No soccer, os jogadores que erram pênaltis costumam usar a desculpa “só perde quem bate”. Pois Alex Smith segue a filosofia “quem não arrisca, não erra”. O QB é famoso por um jogo seguro e de poucas interceptações (oito em 2016). Mas isso se deve aos passes extremamente curtos. O custo?  Apenas 15 TDs.

Do mesmo jeito que raramente veremos um jogo desastroso de Smith, como aquele de seis interceptações de Ryan Fitzpatrick, também será difícil de ver uma partida em que o camisa 11 desequilibre positivamente. O “jogo morno” e sem riscos de Alex em um time bem arrumado por Andy Reid rende frutos na temporada regular. Nos playoffs a história muda – e o time não consegue superar a incapacidade do QB em dar passes longos e de maior dificuldade.

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A paciência dos Chiefs com Alex Smith está no fim (Foto: Peter Aiken/Getty Images).

A falta de sintonia de Alex Smith com seus WRs também continua bem aquém do aceitável. Jeremy Maclin já picou sua mula e #partiu para Baltimore. Sobrou para o segundo-anista Tyreek Hill, o popular faz-tudo do time, liderar os recebedores de lado de campo para a nova temporada.

Saldo: decepcionante na pós-temporada

Kansas City está sempre nos playoffs vindo de boas campanhas. E é justamente isso que coloca a diretoria numa posição delicada em tentar algo novo. A impressão é de que, com Alex Smith, os Chiefs não vão dar um passo à frente. Mas trocá-lo pode comprometer justamente essas temporadas boas que a equipe do Missouri vem fazendo.

A franquia subiu no draft e selecionou Patrick Mahomes na décima escolha. O QB de Texas Tech ainda está cru para a NFL, mas é apontado como o quarterback com o maior teto de talento. O que mais impressiona na escolha, é que Mahomes tem um estilo muito mais ousado e de passes longos e arriscados. Totalmente diferente de Smith.

Difícil imaginar que Pat tome a posição de Alex, já que o camisa 11 não fará “Fitztragics” por aí. Mas o ultimato está cada vez mais claro. Ou Smith se arrisca ou teremos um novo comandante no Arrowhead Stadium em 2018.

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Vinícius Mathias

Vinícius Mathias

Jornalista e ala-armador nas horas vagas. Sofre nas ligas americanas com Timberwolves, Jaguars, Sharks e Angels. Se arrepende por não ter escolhido o Seahawks. Chelsea e Alemanha trazem felicidade no futebol, pelo menos. Fã de Aaron Rodgers, Jimmie Johnson, Kevin Garnett, Kimi Räikkönen e de uma Heineken bem gelada.



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