Leipzig: o Leicester Way of Life?

Leipzig: o Leicester Way of Life?
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Imagem emblemática como a temporada em Leipzig: time unido, placar expressivo ao fundo, mas muito campo para correr pela frente (Foto: Reprodução/Facebook do RB Leipzig)

Para ir bem na Champions, o RB Leipzig precisa se precaver e aprender com o último novato cascudo da parada: o Leicester de 15/16.

Uma das sensações da última temporada da Bundesliga é o RB Leipzig. E, sem dúvida, o time dos touros também será uma das sensações da próxima Champions League. O time conta com jogadores talentosos e, junto com o Hoffenheim, atrai as atenções da Europa. E do mundo também, claro, em busca de uma surpresa. No entanto, o time precisam ficar ligado se quiser repetir a bela campanha no torneio continental.

Isso pode até parecer estranho em um primeiro momento. Afinal, se o time foi tão bem no campeonato alemão, por qual razão precisaria mudar na Europa? E a máxima do “time que está ganhando não se mexe”, não conta? Sim, conta.

O problema é que o ponto inicial desta análise leva em conta as atuações contra os classificados para a Champions.

  • Bayern: 2 derrotas (5×4 em casa e 3×0 fora);
  • Borussia Dortmund: 1 vitória (1×0 fora) e 1 derrota (1×0 em casa);
  • Hoffenheim: 1 empate (1×1 fora) e vitória (2×1 em casa).

Ao analisarmos esses números, chegamos ao total de 7 pontos em 18 possíveis. Na soma são duas vitórias, um empate e três derrotas. E, se pudéssemos fazer um “grupo da morte” entre os quatro primeiros colocados da liga – considerando apenas as partidas entre si – teríamos:

  1. Bayern – 10 pontos
  2. Dortmund – 10 pontos
  3. Leipzig – 7 pontos
  4. Hoffenheim – 6 pontos

Com isso, apesar de ter ficado em segundo na liga, o Leipzig seria apenas o terceiro colocado nos confrontos diretos. Isso sem contar o número de derrotas: três, mais do que qualquer outra equipe no comparativo.

Werner, uma das sensações do Leipzig e da seleção alemã (Foto: Reprodução/Facebook do RB Leipzig)

Outro fator importante é o de que, apesar de ter levado um time misto, o RB Leipzig foi eliminado na primeira fase da Copa da Alemanha pelo modesto Dynamo Dresden, nos pênaltis. Isso serve como um complemento ao ponto principal da análise: o estilo de jogo dos touros pode não servir para atuar na Champions. Fatalmente, os novatos devem enfrentar alguma equipe mais fraca. No entanto, o nível competitivo do torneio continental é muito superior, o que pode complicar a equipe.

Um estilo de jogo do Leipzig fácil de identificar

A equipe treinada por Ralph Hasenhüttl se caracteriza por uma tática entre o 4-4-2 e o famoso 4-2-2-2, também conhecido por quadrado mágico, muito peculiar em terras tupiniquins. No entanto, quem pensa na ideia de uma “caixa” no meio de campo e em jogadores pouco comprometidos taticamente não pode estar mais enganado.

Um dos trunfos do clube é justamente a marcação alta e comprometida, especialmente no início de jogo. Para se ter uma ideia, os touros fizeram oito gols nos primeiros seis minutos de partida na última Bundesliga. Não há espaço para deixar o adversário respirar: os próprios atacantes apertam a saída de bola, seguidos pelos pontas e pelos volantes, juntamente com o lateral do setor em que a esférica está.

Apesar disso, de nada adianta recuperar a posse se a equipe não souber o que faz com ela. E o que o Leipzig faz com a bola pode ser o grande trunfo para uma boa atuação na Champions: a equipe usa e abusa das jogadas diretas. Não chega a ser um “Leicester Way of Life”, em que o grande objetivo é achar Jamie Vardy. O clube alemão tem muito mais opções ofensivas e de altíssima aceleração, como a dupla Poulsen e Forsberg, além dos pontas eficientes, como Marcel Sabitzer.

Falta de opções: a grande preocupação

No meio, a jovem promessa Naby Keita atua como uma espécie de “Pogba dos Pobres”, tomando conta da cancha. Além disso, o RBL não é uma equipe que rifa a bola de qualquer jeito, muito pelo contrário: geralmente, as jogadas são bem trabalhadas, sempre passando pelo pé de Keita, com a alta movimentação dos atacantes e pontas visando confundir a zaga adversária.

Apesar de ter demonstrado grande poder ofensivo e de compactação defensiva (o Leipzig só levou menos gols que o Bayern), a falta de opções relevantes no elenco é preocupante.

Por um lado, o clube não perdeu muitos jogadores. A única saída realmente preocupante foi a de Davie Selke, atacante que foi vendido ao Hertha Berlim por aproximadamente R$ 30 milhões. Mesmo assim, ele era reserva de Poulsen.

Em relação às compras, o rotebullen se movimentou e trouxe três jogadores que, a princípio, devem ser titulares. Para a ponta esquerda, quem chegou foi o português Bruma, contratado ao Galatasaray. Da França, saiu Jean-Kévin Augustin, atacante veloz do Paris Saint-Germain. Ainda chegaram o meia Konrad Laimer (Red Bull Salzburg) e o goleiro Yvon Mvogo (Young Boys).

O problema surge quando olhamos o setor defensivo

Ainda assim, as opções são poucas, sobretudo no setor de defesa. Com as chegadas, o Leipzig fortalece cada vez mais seu setor ofensivo, tornando-se uma equipe veloz e letal no último terço. Até aí, tudo bem.

Bernardo é um bom nome na lateral-direita. Contudo, poucos devem sentir confiança no resto do setor, formado por Halstenberg, Compper e Orban. Caso Mvogo assuma a titularidade no lugar de Gulácsi, permitam-me usar a velha máxima de que a escola africana não produz bons arqueiros. Isso é preocupante. E, é certamente ai, que mora o problema.

O novo RB Leipzig e como pode vir para a próxima temporada (Foto: Reprodução/ESPN)

Não há garantias de que o time do Leipzig será capaz de aguentar equipes de porte igual ou superior. Ainda mais em uma competição onde não possuem experiência, especialmente por conta da defesa. Para piorar, especula-se que Jurgen Klopp está atrás de Keita e a ponto de contratá-lo para o Liverpool por uma quantia irrecusável.

Sendo assim, vale a pena aprender um pouco com o que o Leicester nos ensinou na última temporada e se precaver. Como já dito acima, o estilo do Leipzig é menos reativo e mais cadenciado que o do time da terra da rainha. De qualquer forma, é mais fácil ter um plano B mais cauteloso e defensivo, para evitar que uma exibição confiante diante de um Real Madrid se transforme em uma possível tragédia.

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Breno Peçanha

Breno Peçanha

Natural de São Gonçalo, estudante de jornalismo na UFF e estagiário do Globoesporte.com. Vascaíno fanático e torcedor do Leeds United em solo europeu, além de simpatizar com o St. Pauli na Alemanha. Uma das coisas que mais gosto é ler e contar histórias do futebol que pouca gente conhece, especialmente se der para colocar humor. Introvertido, apesar de tudo.



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