NFL – Análise da temporada: Seattle Seahawks

by Vinícius Mathias | 31 de julho de 2017 20:10

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Foto: Otto Greule Jr/Getty Images

Lesões para dar, vender, alugar e um QB bom demais; confira como foi a temporada do Seattle Seahawks

Campanha em 2016: 10-5-1; campeão da NFC Oeste

A temporada 2016 do Seattle Seahawks começou de maneira amarga devido à falta de Skittles na sideline. A aposentadoria do ídolo Marshawn Lynch pegou muita gente de surpresa e deixou um buraco no principal trunfo dos Seahawks: o jogo corrido. Mesmo sem o running back, o Seattle parou apenas na semifinal da NFC.

Nos últimos cinco anos, os Seahawks chegaram a três semifinais de Conferência e a dois Super Bowls (conquistando um deles).  Por coincidência, os dois últimos times que eliminaram os Hawks levaram a NFC (Panthers em 2015 e Falcons em 2016) e perderam o SB (para Broncos e Patriots, respectivamente).

Legion of Boom ainda é referência de secundária na NFL (Foto: Stephen Brashear/AP)

A base campeã de 2013 continuou a todo vapor com Russell Wilson, Richard Sherman, Kam Chancellor, Earl Thomas, Bobby Wagner, Steven Hauschka e etc. Além é claro, do barulhento CenturyLink Field, um dos estádios mais hostis para se jogar como visitante. Confira como foi a temporada dos Seahawks.

O que deu certo: Russell Wilson é elite sim!

São apenas cinco anos de Russell Wilson como quarterback de Seattle: um Super Bowl conquistado, um perdido, três semifinais de Conferência e três títulos de Divisão. Metade de uma década indo aos playoffs seguidamente. Nada mal para os cinco primeiros anos de carreira.

Russell já tinha provado seu valor desde que entrou na NFL em 2012. Mesmo assim, alguns ainda torciam o nariz para o QB argumentando que as corridas de Marshawn Lynch e a defesa espetacular dos Seahawks “carregavam” a franquia, diminuindo os méritos do camisa 3.

A temporada tinha tudo para ser desastrosa. A aposentadoria de Lynch piorou o trabalho da já horrorosa linha ofensiva de Seattle. Sem uma ameaça potente no jogo corrido, Wilson foi pressionado muito mais frequentemente. O resultado foi uma lesão no tornozelo na Semana 1 e uma no joelho – que por pouco não o tirou da temporada – na Semana 3.

Russell Wilson até anotou um TD recebendo passe do WR Doug Baldwin (Foto: Otto Greule Jr/Getty Images)

Mesmo com movimentos limitados, Russ continuou participando de todos os jogos e tomando pancada. Vale lembrar que o QB nunca ficou de fora de uma partida sequer em toda sua carreira. E na semana 7 ainda sofreu uma lesão no peitoral.

Com todos os problemas de lesão, jogo corrido ineficiente e linha ofensiva ruim, Russell Wilson fez uma temporada de 21 TDs e 11 Interceptações – sendo 5 só no jogo contra os Packers – e conquistou a NFC Oeste. Além disso, venceu o New England Patriots em pleno Gillette Stadium em uma “revanche” que parou na linha de uma jarda, assim como o Super Bowl XLIX.

Wilson provou nessa temporada que é um QB elite não só pelos números sólidos individuais, título de divisão de Seattle e/ou participação nos playoffs, mas também ao jogar em meio a lesões e aos problemas no ataque dos Hawks. Isso significou tomar pancada atrás de pancada e um aguentar um desgaste físico brutal.

O que deu errado: lesões, jogo corrido, lesões, linha ofensiva, mais lesões…

Imagine um time que tinha um dos melhores ataques de jogo terrestre e uma das melhores defesas da NFL nos últimos anos. Aí, tal time perde seu running back titular aposentado e seu reserva por lesão. Não satisfeito, seu quarterback sofre diversas lesões e joga a temporada limtado. Além disso, seu strong safety começa o ano lesionado e no final quem se machuca é o free safety. Antes de terminar, seu wide receiver número 2 – que também é seu retornador de punt/kick – também se machuca. Prazer, esse foi o Seattle “zicado” Seahawks de 2016.

Claramente o ponto mais sentido dos Hawks foi o jogo terrestre ineficiente. Thomas Rawls parecia ser um substituto promissor para Lynch, mas as lesões perseguiram o rapaz. Sem um RB bom, a linha ofensiva – que talvez seja a pior da NFL (páreo duro com Denver)[1] – ficou ainda mais vulnerável e nunca conseguiu proteger Russell Wilson.

Jogador de Seattle saindo contundido foi mais comum do que interceptação de Ryan Fitzpatrick (Foto: Kevin C. Cox/Getty Images)

Seattle passou de quatro anos seguidos no top 5 da NFL no jogo terrestre para o 25º lugar, comprometendo todo o plano de jogo e forçando o time a lançar demais a bola. A defesa, outro pilar dos Hawks, também sofreu com lesões que impactaram principalmente no desenrolar dos jogos decisivos.

Kam Chancellor perdeu as primeiras partidas da temporada sendo substituído por Kelcie McCray, que foi até “ok”. Devido ao esquema de Cover 3 do Seahawks, o safety ficava próximo a linha de scrimmage e suas falhas não comprometiam tanto. O problema foi que o próprio Chancellor acabou lesionando o free safety Earl Thomas em choque acidental contra os Panthers na Semana 13. O camisa 29 chegou a considerar a aposentadoria, mas depois decidiu voltar para a temporada de 2017.

Apesar de Chancellor e Thomas serem a melhor dupla de safeties da NFL, a ausência de Earl foi muito mais sentida do que a de Kam. Com os cornerbacks marcando as laterais, Thomas era o responsável único pelo meio do campo na secundária do Hawks (configurando a Cover 3, cobertura com 3 homens), dando liberdade total para Chancellor se alinhar quase como um linebacker.

Com Steven Terrell fazendo sua função, Kam teve que jogar mais recuado para diminuir a exposição do free safety. Assim a mortal Cover 3 de Seattle perdeu força e efetividade. Sem um jogo terrestre eficiente no ataque, a defesa desfalcada dos Hawks ficava ainda mais tempo exposta em campo.

Lesão de Earl Thomas condenou as chances dos Hawks antes mesmo dos playoffs começarem (Foto: Stephen Brashear/AP)

Não tinha como funcionar, ainda mais contra o ataque fulminante do Atlanta Falcons na semifinal da NFC. Terrell foi queimado várias vezes e a defesa dos Hawks desmoronou. Depois do jogo, o técnico Pete Carroll ainda revelou que o CB Richard Sherman jogou metade da temporada com uma lesão e faria uma cirurgia após a temporada.

Saldo: positivo, apesar do caminhão de problemas

Chegar em uma semifinal de Conferência não é pouca coisa. Ainda mais na NFC, onde geralmente há um equilíbrio e alternância maior durante os anos do que na AFC. Somando todos os problemas citados acima, dá pra dizer tranquilamente que a temporada de Seattle foi boa.

Os Seahawks têm entrado nos últimos anos como candidatos a Super Bowl, mas na primeira temporada sem Lynch, com quarterback e a Legion of Boom limitados por lesões, ter chegado a uma semifinal de NFC está de muito bom tamanho.

A linha ofensiva precisa ser urgentemente melhorada, porém aqui o buraco é mais embaixo. A Legion of Boom, os linebackers Bobby Wagner e K.J. Wright e os defensive ends Cliff Avril e Michael Bennett respondem por boa parte do salary cap da franquia. Fato esse que é merecido, já que todas essas peças defensivas são acima da média da NFL.

Porém, o investimento numa defesa tão forte acaba por prejudicar o outro lado da moeda. Para compensar os gastos, a linha ofensiva é barata e de baixa qualidade. A contratação de Luke Joeckel, ex- Jax, não é lá muito animadora – experiência própria de um torcedor dos Jaguars[2].

Mais do que um bons reforços, os Seahawks precisam mesmo é de um belo banho de sal grosso. A zica foi forte em 2016.

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Endnotes:
  1. (páreo duro com Denver): http://risesportes.com.br/2017/06/04/nfl-analise-da-temporada-denver-broncos/
  2. experiência própria de um torcedor dos Jaguars: http://risesportes.com.br/2017/03/26/nfl-analise-da-temporada-jacksonville-jaguars/

Source URL: http://risesportes.com.br/2017/07/31/nfl-analise-da-temporada-seattle-seahawks/