GP da Hungria: trabalho em equipe

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O jogo das equipes ganha destaque sobre os resultados na Hungria.

Vettel largou na pole e, com o proteção de Kimi Raikkonen logo atrás, venceu o GP da Hungria alcançando 202 pontos no campeonato e aumentando a distância para o inglês Lewis Hamilton que soma 188. A Ferrari instruiu Kimi a não atacar a posição do companheiro de equipe, o que gerou um bom resultado de equilíbrio na escuderia. Mesmo que o finlandês tivesse ultrapassado Vettel, quanto tempo o alemão levaria até recuperar a ponta? É discutível. Mesmo com o tetracampeão mais lento por conta de problemas no carro, o resultado minimamente combinado foi o máximo provável de acontecer naturalmente.

A temperatura alta da pista na chegada de Vettel (Foto: LAT Images/Divulgação)

Max Verstappen, logo na primeira volta, arrumou um problema para sua equipe ao perder o controle do carro e tocar no companheiro Daniel Ricciardo.  O australiano saiu da corrida e chegou aos boxes transtornado com a ação do holandês. Apesar da punição de dez segundos que tomou por conta do episódio, Verstappen, que já tinha conseguido ultrapassar Hamilton no início e chegou a deixar as ferraris para trás em outro momento, terminou em quinto, logo atrás de Bottas em terceiro e Hamilton em quarto.

Entre pontos e companheirismo 

Escudeiro, segundo o dicionário, servidor ou pajem que carregava o escudo de um cavalheiro, acompanhando-o na guerra.

O jogo das equipes – odiado por uns e tolerado por outros – mostrou uma face mais amistosa hoje. As escuderias trabalham com o favorecimento de pilotos a todo momento, mas o que se viu na Hungria soou mais como uma troca de favores de amigos.

Na volta de número quarenta e sete, o finlandês Valtteri Bottas foi instruído a ceder posição para Hamilton poder atacar a Ferrari de Raikkonen. Durante as cinco voltas seguintes o papel do inglês era fazer jus ao que lhe foi favorecido. Ao fim do combinado, a Mercedes segurou Hamilton por mais cinco voltas e caso não conseguisse posição em cima do ferrarista, deveria devolver a posição para Bottas. A especulação de que Hamilton pudesse não cumprir a determinação era grande. Mas com que cara Hamilton descumpriria o acordo e ‘roubaria’ seu escudeiro?

A vergonha de 2002

No GP da Áustria de 2002 ocorreu o episódio de favorecimento de piloto mais lembrado – e descarado – da história da F1. Naquele fim de semana, o brasileiro Rubens Barrichello – em sua melhor fase – vinha vencendo a corrida quando, nos metros finais da linha de chegada, foi ordenado pela Ferrari a deixar o alemão Michael Schumacher passar. Naquela época, o maior piloto de todos os tempos estava alcançando o seu quinto título, somava 58 vitórias na carreira e ainda estava cerca de 30 pontos a frente do segundo colocado na temporada. Schumacher não precisava que Barrichello entregasse aquela corrida. A Ferrari foi ensurdecidamente vaiada naquele dia e o alemão, provando que não queria ter participado daquela decisão desnecessária, empurrou Barrichello para o lugar mais alto do pódio e entregou o troféu do primeiro lugar nas mãos do brasileiro.

A infelicidade dos pilotos com a decisão da equipe. (Foto: Getty Images)

Naquele momento no pódio, Schumacher e Barrichello foram mais equipe do que a Ferrari inteira durante a corrida.

Dai a César o que é de César

A corrida ia chegando ao fim e não seria nada fácil ver piloto cedendo posição na linha de chegada. Para quem assiste F1, é pesado. Mas, na ocasião específica, independentemente de quando acontecesse, era o justo com Bottas, era o correto com o esporte.

E assim foi.

O momento em que Hamilton devolve a posição para Bottas (Foto: reprodução)

Na curva final, mesmo com a pressão de não deixar Vettel levar o título da temporada, Hamilton devolveu o que lhe foi emprestado. A demonstração do espírito da Mercedes foi maior que qualquer pontuação que o inglês pudesse somar com a terceira colocação. A bandeira quadriculada balançou e o esporte respirou bem vivo.

Hoje, na pista, Hamilton e Bottas foram reais escudeiros, companheiros de guerra.

 

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Izabelle Souza

Izabelle Souza

Estudante de Publicidade, 20 anos, nascida e criada entre Niterói e São Gonçalo. A criança que queria correr na F1, mas acabou nadando até chegar na praia. E ainda bem que chegou! Da areia, não conseguiu evitar se apaixonar pelo surf. Da vida, não foi capaz de separar o trabalho do esporte.



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