O Surrealismo Alvinegro

O Surrealismo Alvinegro
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Nos braços da torcida, com carinho enorme e sinergia absoluta: com vocês, o Botafogo de 2017 (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)

O Botafogo amassou o Atlético Mineiro, sem dó nem piedade. Um 3 a 0 categórico escreveu mais um capítulo da nova fase da literatura futebolística no Brasil: o surrealismo alvinegro.

Esse é o Botafogo que eu gosto. Mas é o que eu conheço?

Entre vãs filosofias de boteco e bons debates sobre futebol, eu e o meu parceiro de aba – e que também divide a paixão pelo alvinegro – Eduardo Ramos, nos encontramos, talvez, na indagação que todo bom boleiro que acompanha o atual momento do futebol brasileiro deve estar se fazendo: o que diabos está acontecendo com o Botafogo?

Nos últimos anos tivemos times horríveis, como o recém-chegado time de 2004. Quase caímos, mais uma vez, escapando na última rodada.

Tivemos também times entrosados. jogando o fino da bola, mas que morreram na praia. O esquadrão de Cuca em 2008, com o Dodô ministrando o ataque poderoso, serve de exemplo.

Carli: a braçadeira de capitão e o placar do jogo nas mãos (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)

Mas, com toda certeza, afirmo aqui: há muito tempo não temos um time tão entrosado, aguerrido e coeso como esse.

Se é que já o tivemos…

A mistura envolve euforia e pés no chão. No jogo contra o Galo pelas quartas da Copa do Brasil, tudo indicava que o Fogão iria infernizar a vida dos caras. E nós ficaríamos satisfeitos só com isso?

Jamais. Esse não é o Botafogo que conhecemos em 2017. Cozinhar o Galo era opção. Mas, fazê-lo de um bom jantar, foi deleite. De lamber os beiços.

O Botafogo foi cirúrgico e fatal.

Aos que pouco acompanham, mas conhecem a fama do alvinegro, irreconhecível. Pode-se inferir, talvez, que a única explicação para esse momento todo, venha da literatura: estamos vivendo o surrealismo alvinegro.

O que esperar? Mais uma vitória

Embora o Botafogo do salvador Ventura confunda os leigos, o time é artístico – e pode ser plástico, como vimos hoje.

Parece sonho, mas é realidade. Para os adversários, na verdade, está mais para pesadelo.  A primeira partida vencida pelo time da Estrela Solitária parece acontecer no inconsciente. O primeiro gol cedo e a blitz após o tento. O domínio no 1° tempo. O segundo gol. E a quase soberba no recuo para chamar o Atlético.

O estilo de jogo do Botafogo brinca entre o estranho e o onírico. Estranho. Quem diria que o criticado Rodrigo Lindoso, o jovem Matheus Fernandes e os subestimados Bruno Silva e João Paulo formariam o meio-campo mais eficiente do Brasil? Estranho é acordar pensando em contratação em junho – e dormir nos últimos dias de julho com a certeza de que Roger é titular incontestável. Mais um exemplo. Onírico. Nem nos melhores sonhos da torcida alvinegra veríamos um Botafogo como esse.

Gilson e o gol derradeiro (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)

O Botafogo de 2017 nem todo mundo entende.

E que não entendam mesmo. Seguimos avançando.

E quando piscarem os olhos, outra pintura.

 


Guilherme Porto

Algo entre o famoso soccer e o lacrosse universitário da Irlanda do Norte me interessam. A paixão por esportes (lê-se quase todos), acompanhada de uma boa resenha e umea cerveja gelada me encantam bastante. E, apesar de não podermos beber aqui, o resto garanto passar com agilidade e muita informação.

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Eduardo Ramos

Eduardo Ramos

Publicitário louco por esporte, em especial o bretão, e praticante de qualquer modalidade - não necessariamente bem. Defende a existência dos Estaduais, mas não levanta a bandeira contra o futebol moderno. Tentou fugir da tarefa de escrever sobre o clube de coração, mas o destino (vulgo necessidade) bateu na porta. Tenta enxergar o jogo por suas diversas nuances - visceral, cultural e mercadológica. Fala de si mesmo na 3ª pessoa. Jornalismo, qualquer dia tamo aí.



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