Flashback

Flashback

Em novo confronto com Levir Culpi na Copa do Brasil, lembranças nada agradáveis vieram a tona para os flamenguistas. (Gilvan de Souza/Flamengo)

Flamengo avança às semifinais da Copa do Brasil, mas não sem passar por sustos que remeteram a fracassos passados.

Normalmente, a classificação adiante a próxima fase de uma competição é algo completamente positivo e que gera sentimentos positivos, que levam a comemorações e festejos. Porém, esse é um acontecimento que tem passado longe de ser uma realidade para os flamenguistas nessa Copa do Brasil de 2017. Por ter jogado a Libertadores, o Flamengo entrou diretamente nas oitavas, e por isso só disputou duas fases do mata-mata nacional. E mesmo avançando nas duas, o gosto que fica na boca rubro-negra é, no mínimo agridoce, para não dizer amargo.

Nas oitavas, o Mais Querido teve como oponente o combalido Atlético-GO, um time que tem investimentos infinitamente inferiores ao da equipe carioca, e que desde o início do brasileirão, está penando na competição. Logo, a obrigação do Fla era passar sem sustos, certo? Para o grupo de Zé Ricardo, errado. Foram 90 minutos de pânico para o torcedor rubro-negro, já que, apesar de ter aberto o placar, o Flamengo, após tomar o empate, foi encurralado pelo Dragão, e viu a vaga às quartas ser extremamente ameaçada.

Foi aí que começaram as lembranças na memória da Nação, que está ressabiada com seu próprio time; era o início dos flashbacks. Um torcedor que viu seu time ser eliminado para o Fortaleza, no mesmo torneio, um ano antes, já temeu pelo pior ao ver um completo domínio do Atlético-GO na partida. Ainda mais quando Matheus Sávio, o mesmo que errou TUDO no fatídico jogo em que o Flamengo foi eliminado para o San Lorenzo na Libertadores, entrou em campo. Para sorte de Zé Ricardo, e de todos os flamenguistas, dessa vez o garoto foi bem e fez o gol da classificação. Uma classificação que não poderia ser comemorada.

Os filmes que quase se repetiram

Se tem uma coisa que o flamenguista é atualmente, essa coisa é desconfiado. Principalmente pelo que ocorreu no principal torneio disputado pelo Fla no ano, do qual foi traumaticamente eliminado. Mas não só por isso, toda uma outra série de vexames deixam sempre uma pulga atrás da orelha da Nação, que esteve em apuros por diversos momentos na noite dessa quarta-feira (27), ao ver uma vaga, antes encaminhada, perto de se esvair entre os dedos. Isso porque cenários de fiascos iam parecendo se repetir, e novamente, flashbacks passavam por mentes rubro-negras.

Embora com um elenco infinitamente superior ao de 2014, na Copa do Brasil daquele ano, o Flamengo, assim como contra o Santos em 2017, havia aberto uma vantagem de 2×0 na partida de ida, sobre uma equipe alvinegra comandada por Levir Culpi. E logo no 1° tempo do jogo de volta, Everton fez o gol que parecia sacramentar a classificação rubro-negra rumo à final. No entanto, não foi bem isso que ocorreu. Um time com espírito e técnica sofríveis conseguiu o que soava impossível: tomar 4 gols em sequência e ser eliminado da competição.

Na Vila Belmiro, diante do Santos, o roteiro foi muito parecido. Se os jogos, separados por 3 anos, fossem longa-metragens apresentados a um determinado público, o mesmo não conseguiria apontar diferenças nos filmes, tendo em vista que as cenas apenas pareciam se repetir. Assim como em 2014, o Flamengo abriu 1×0 e deixou sua torcida esperançosa de que a vaga iria vir de forma tranquila, sem muitos sustos. Pobres gafanhotos. Nada é fácil ou simples para o Flamengo. Nada. Ele próprio faz questão de se complicar. E faz isso das mais variadas maneiras.

Berrío comemora seu gol homenageando Ederson; colombiano tem caído nas graças da torcida (Gilvan de Souza/Flamengo)

A aula rubro-negra de como complicar um confronto ganho começou ainda no 1° tempo, ao deixar Bruno Henrique cortar pro meio e fazer um golaço. Ali já voltaram as preocupações flamenguistas. E elas aumentaram quando Vuaden marcou um pênalti inexistente para o Santos. Para sua sorte, o quarto árbitro o socorreu e o fez voltar atrás, marcando justamente só o escanteio, já que Rever só havia tocado a bola. E quando saiu o gol de Guerrero na segunda etapa, finalmente a sensação de alívio bateu. Nada se mostrava mais improvável do que uma reviravolta santista. Mas não para Levir Culpi, que sabe o quanto o DNA flamenguista atual é de fracasso.

Graças à insistência de Zé Ricardo em jogadores medíocres, na acepção da palavra, o Flamengo colocou o Peixe de volta na partida. Rafael Vaz, de modo irresponsável, cedeu um escanteio de graça para o adversário, que aproveitou a chance, e fez o gol de empate, em falha de Muralha, que inexplicavelmente retornou ao time em jogo decisivo. No minuto seguinte, Victor Ferraz virou o jogo. Pronto. Foi o suficiente para transformar a Vila em um caldeirão e deixar a eliminação mais próxima do que nunca para o Fla.

Um técnico que joga contra seu clube

Ainda assim, o Mais Querido conseguiu se segurar em campo, conseguiu cadenciar o jogo até os momentos finais, esfriando a reação santista e fazendo o tempo passar. Eis que surge aquilo que o flamenguista mais teme atualmente: as mudanças de seu técnico. E como se fosse o presidente da República, que debocha de seus cidadãos, Zé Ricardo resolveu dar um golpe nos torcedores do clube que paga seus salários para ele dar o seu melhor no comando da equipe. Entretanto, se o melhor dele for colocar Gabriel numa partida decisiva, então é de se pensar se ele é o nome ideal para estar ali.

Estava reunido em campo, mais uma vez, o quarteto que dá calafrios ao torcedor do Fla: Muralha, Vaz, Márcio Araújo e Gabriel. Novamente reunidos em uma partida decisiva no ano para o Mais Querido. No fim das contas, a vaga veio. Mas aquele que carrega consigo o sentimento nobre de ser flamenguista, não conseguiu comemorar totalmente essa classificação. Isso porque a perspectiva existente com o Flamengo nao é de título, e sim de evitar sempre o pior. E o pior está sempre mais perto do que se imagina.

Depois de muitos anos de austeridade, finalmente a diretoria comandada por Eduardo Bandeira de Mello conseguiu formar um elenco à altura de um clube como o Flamengo, talvez o melhor do futebol brasileiro nessa década. Contudo, é nítido e notório o seguinte: você pode até juntar dinheiro suficiente para comprar uma Ferrari e sair desfilando com ela por aí; mas não vai adiantar nada se contratar um motorista de fusca para te comandar. O carro vai bater, e todas seus investimentos irão por água abaixo. Esse é o Flamengo com Zé Ricardo.

Fé: o sentimento que resta ao torcedor rubro-negro ante um time que não convence (Gilvan de Souza/Flamengo)

Roberto Accioly

Roberto Accioly

Apaixonado por esportes em geral, independentemente da modalidade. Fanático por futebol desde o berço, por NFL, onde minha torcida vai para o Seahawks desde 2010 e por NBA desde que Dirk Nowitzki detonou o Big Three de Miami nas finais de 2011.



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