NFL – Análise da temporada: Houston Texans

NFL – Análise da temporada: Houston Texans
FacebookLinkedInTwitterFacebook MessengerWhatsAppShare

Nada é tão americano quanto o Texas. E quanto esta entrada em campo (Foto: George Bridges/AP).

A complicada vida com um ‘cosplay de poste’ como quarterback; veja como foi a temporada do Houston Texans

Campanha em 2016: 9-7; campeão da AFC Sul

Juro que tentei não usar o ‘cosplay de poste’ no texto, mas a expressão usada por Antony Curti é tão sensacional e autoexplicativa que decidi adotar. Brock Osweiler fez de tudo para jogar a temporada dos Texans no lixo. E conseguiu em pleno Foxborough contra os Patriots.

A defesa de Houston carregou o time o ano inteiro. Com um 9-7 a franquia conseguiu vencer a AFC South mesmo com Osweiler jogando mal e sendo substituído por Tom Savage no final da temporada regular. Porém, nos playoffs, já estava noticiado que Brock’n’Roll estaria de volta. Um desempenho ruim do QB não foi problema para a defesa engolir o frágil Oakland Raiders sem Derek Carr.

will-fuller-drop-texans-x-patriots

Will Fuller dropou um dos poucos passes bons de Osweiler contra os Pats (Foto: Rob Carr/Getty Images).

O problema vinha a seguir: os Pats fora de casa. A defesa de Houston fez de tudo e interceptou Tom Brady duas vezes na partida. O mesmo número que o marido da Gisele™ tinha sofrido a temporada inteira. Mas Brock foi lá e lançou TRÊS interceptações patéticas e os Texans ficaram pelo caminho.

O que deu certo: uma defesa forte mesmo sem J.J. Watt

Que J.J. Watt é um monstro e também o melhor defensor da liga todos já sabem. O que surpreendeu a muitos foi como a defesa de Houston continuou dominante sem seu principal astro. Melhor da liga em jardas totais cedidas e segunda melhor contra o passe (atrás apenas do Denver Broncos). Apesar de ser “apenas” a 12ª contra o jogo corrido, ainda sim cedeu menos de 100 jardas por jogo.

Sem Watt, sobrou para Jadeveon Clowney e Whitney Mercilus o trabalho de derrubar os quarterbacks – e a dupla aterrorizou os ataques adversários. O maior destaque vai para Clowney, pois o jogador ainda atravessava desconfianças e críticas. O DE foi a primeira escolha do draft de 2014, mas jogou apenas quatro jogos no ano de calouro. E em 2015 foram 13 jogos aquém do esperado.

Na secundária quem tomou conta do pedaço foi A.J. Bouye. O cornerback de apenas 25 anos foi um dos melhores da posição na NFL em 2016. Não à toa, A.J. conseguiu um contrato sensacional e picou a mula para Jacksonville. Além de perder seu melhor CB para um rival de divisão, Houston também viu o safety Quintom Demps ir para Chicago.

aj-bouye-houston-texans

Os ótimos serviços de Bouye estarão contra os Texans em 2017 (Foto: Darron Cummings/AP).

A volta de Watt e a escolha de Zach Cunningham no draft melhoram ainda mais o front seven. Com esses dois se juntando a Clowney, Mercilus, Brian Cushing e companhia, a defesa dos Texans pode ser ainda melhor que foi em 2016. A incógnita fica em quem vai substituir Bouye na secundária.

O que deu errado: B R O C K  O S W E I L E R

Já vimos muitos QBs ruins. Mas um QB ruim que se acha espetacular nem tanto. E Osweiler é um desses, ainda mais pelo seu contrato astronômico. Quinze TDS e dezesseis interceptações foram o cartão de visitas em 2016.

Brock conseguiu lançar menos de 3 mil jardas no ano. Sua média de jarda por passe foi de irrisórias 5.8, melhor apenas do que o calouro Jared Goff (naquela bagunça chamada Rams) dentre os titulares. Até Bryce Petty (Jets) e Paxton Lynch (Broncos), reservas que pouco jogaram por seus times, tiveram 6 de média.

Outras façanhas de Osweiler incluem seis jogos em que não passou das 200 jardas, mesmo lançando uma média de 34 passes nessas partidas. Contra os Jaguars na Semana 10, o QB lançou 27 BOLAS para conseguir 99 JARDAS –  com uma média e 3.7 jardas POR PASSE completado. Contra os Broncos na Semana 7 foram 41 lançamentos, 131 jardas com 3.2 de média por passe completo. Um terror.

brock-osweiler-green-bay-packers-x-houston-texans

Um resumo da temporada de Brock Osweiler (Foto: Mike Roemer/AP).

Para completar, na Semana 15, novamente contra os Jaguars, veio o banco. Brock começou o jogo lançando 11 bolas. Das cinco erradas, duas foram interceptadas. Bill O’Brien não aguentou e botou Osweiler no banco no resto do jogo e nas Semanas 16 e 17. Ele voltou a ser titular nos playoffs e a tragédia já foi contada.

Agora sim para enterrar Osweiler de vez, ele conseguiu “destruir” seu próprio recebedor. DeAndre Hopkins é um dos melhores recebedores da liga. Recebendo passes do contestado Bryan Hoyer em 2016, o WR conseguiu 1521 jardas e 11 TDs. Com Osweiler foram apenas 954 e 4 TDs.

Saldo: negativo apesar de tudo

Pode parecer contraditório avaliar a temporada de um campeão de divisão como negativa, mas é justamente o caso do Houston. Com um defesa excelente e um bom jogo terrestre, os Texans podiam fazer muito mais do que fizeram. Culpa do cosplay de poste.

O caso dos Texans é semelhante ao dos Broncos. Uma defesa forte e um ataque sem QB. Até a campanha foi igual: 9-7. A diferença é que Denver está num divisão forte, onde mesmo que sua defesa vença jogos, o time ficou longe de Chiefs e Raiders com 12-4. Já Houston leva a AFC Sul por mais deméritos dos seus rivais do que por suas próprias forças.

O problema dos Texans é que o sarrafo da divisão promete aumentar. Os Titans já mandaram bem em 2016 e também conseguiram um 9-7. Tennessee tem o time mais redondo (ou oval, rs) da divisão e um Mariota evoluindo. Os Jaguars têm o mesmo problema e a mesma força defensiva de Houston, mas se Bortles engrenar de novo, pode ser um grande adversário. E os Colts possuem o melhor QB na AFC Sul.

Tudo indica que só a defesa fazendo milagre (e Lamar Miller correndo mil jardas) não será suficiente para que os Texans conquistem o tricampeonato da AFC South. Ou o calouro DeShaun Watson mostra serviço logo de cara ou o bastão da divisão pode mudar de mãos em 2017.

Confira também as prévias de divisão da AFC Sul

FacebookLinkedInTwitterFacebook MessengerWhatsAppShare
Vinícius Mathias

Vinícius Mathias

Jornalista e ala-armador nas horas vagas. Sofre nas ligas americanas com Timberwolves, Jaguars, Sharks e Angels. Se arrepende por não ter escolhido o Seahawks. Chelsea e Alemanha trazem felicidade no futebol, pelo menos. Fã de Aaron Rodgers, Jimmie Johnson, Kevin Garnett, Kimi Räikkönen e de uma Heineken bem gelada.



Related Articles

Inside the 20: irreverentes e incompetentes

Wilson carregou os Hawks no jogo do ano em Seattle (Foto: Reprodução/Field Gulls) Em Seattle, o jogo do ano terminou

NFL – Análise da temporada: San Francisco 49ers

Foto em destaque: Ezra Shaw/Getty Images. Polêmicas com protestos de Kaepernick, 13 derrotas seguidas, vitórias só contra os Rams, Hyde

NFL – Prévia de Divisão: NFC Oeste

Arte: Guilherme Porto/RISE Esportes Diferentemente dos anos recentes, a divisão não terá muita disputa em 2017: confira a prévia da

No comments

Write a comment
No Comments Yet! You can be first to comment this post!

Write a Comment

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*

error: Couteúdo protegido