Sem remédio para o tédio

Sem remédio para o tédio
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Guilherme se lamenta pela chance perdida, e nós, por ele ser fominha (Foto: Reprodução/Globo Esporte)

Como diz a letra da música, o Fogão não teve remédio para livrar-se do tédio – e o Furacão menos ainda; o resultado foi óbvio: 0 a 0

Em uma década com surgimento de diversas bandas dentro do cenário do rock ‘n roll brasileiro, como Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Titãs e muitas outras, vimos também o sucesso do grupo Biquini Cavadão. Dentre as músicas de maior repercussão da banda, tivemos a canção intitulada Tédio – cujo ritmo inclusive deu origem a música Adultério, do Mr. Catra – que falava sobre um jovem, entediado com a vida, sem muitos remédios para esse problema ou perspectiva de solucioná-lo.

Pois bem.

A pergunta a se fazer, agora, é bem simples: por que diabos começar um texto sobre Atlético Paranaense e Botafogo com referência a uma música do Biquini Cavadão?

A resposta também é simples: o jogo se resumiu ao tédio. A palavra do jogo também não pode ser outra. E, não apenas do jogo em si, mas na atitude dos times em diversos aspectos dentro da partida. Não que isso seja uma crítica aos elencos ou as campanhas dos clubes, mas pura e exclusivamente sobre a chatice da partida.

O famoso jogo “chuchu”: sem graça e sem sabor

O time de Jair Ventura foi à Arena da Baixada para buscar pontos fundamentais numa eventual briga no alto da tabela. No papel, o mesmo time de sempre. Na mente, a mesma mentalidade do jogo contra o Corinthians, porém com um pouco menos de medo do adversário, menos qualificado (e sortudo) que o atual líder do campeonato. E, essa mentalidade, não coube no que era o jogo. O tédio, mais uma vez, pode resumir essa mentalidade.

Pimpão, apesar de ter a mesma vontade de sempre, não mudou muito o tédio que foi o jogo (Foto: Reprodução/Globo Esporte)

Entediante foi o começo da partida. O Furacão, em casa, se impôs. Mas, como costumam fazer os adversários do Glorioso, a superioridade não ofereceu maior perigo. A posse de bola era a maior ameaça. E todos sabem que posse de bola, apesar de ser arma para tal, não ganha jogo.

Jefferson, com uma ou outra defesa tranquila, mantinha a meta segura. Lá na frente, Roger, vez ou outra recebia oportunidades para fazer seu papel, mas também sem maior perigo. E, na chamada “segunda bola”, mais uma vez, entra o tédio. Não se sabe se por conta da grama ou do cansaço dos times, mas a bola parecia não querer ficar com ninguém. Erros de passe de 5m (ou menos), displicência para matadas fáceis e goleiros parados, vendo o duelo de camarote.

Na beira do campo, mais tédio: vira o segundo tempo de jogo e nada parecia mudar o panorama. A contusão de Johnatan, ainda no primeiro tempo, fez o estreante Fabiano Soares se segurar nas mudanças, guardando-as para quando precisasse. Jair, com poucas opções para mudar a dinâmica do alvinegro carioca, não esboçava grandes reações.

Eis que entra Éderson. Não que ele tenha mudado o jogo – na verdade, sua atuação se resumiu em mais tédio – mas a chance de maior perigo do jogo, até então, caiu em seu pé, sem goleiro. Mas a famigerada sonolência, acompanhada de uma boa dose de mais tédio, fizeram com que Victor Luis conseguisse cortar uma “não-defesa” de Jeff, afastando o provável gol.

Na lateral direita alvinegra, mais tédio. Na verdade, um combo dele: tédio no rosto de Emerson Santos, que parecia sem qualquer vontade de jogar; tédio nas atitudes do mesmo dentro do jogo, sonolento (e causando sonolência em quem estava vendo); e uma injeção de tédio no fim do jogo, após a sua expulsão infantil – que foi devido a um chutão depois do apito, na verdadeira demonstração de que não queria estar ali.

Daí pra frente, o que sobrou? Tédio

Jogo sem graça – a não ser por mais uma chance perigosíssima do fominha Guilherme, apesar de já termos pedido o contrário – e muito acréscimo, que não acrescentou nada, além de tempo. Morno, times em banho-maria, goleiros paradões e nada a se aproveitar de um jogo que, pelos times de Libertadores, poderia ter nos mostrado bem mais.

Poderíamos ter visto mais do que essas batidas feias de cabeça, com a bola sobrando ao vento (Foto: Reprodução/Globo Esporte)

O Glorioso, que poderia perfeitamente ter saído do campo com os três pontos, preferiu não arriscar e ganhar apenas um. Incompreensível dentro do que foi a partida. Entediante para o torcedor, que mesmo sabendo da qualidade do conjunto, teve que ver mais tédio dentro de campo em, pelo menos, 75 minutos dos 90 reservados para a bola rolar.

No total, foram espantosos sete cartões amarelos – sendo dois para o mesmo jogador – e alguns deles, por pura cera. Não querer jogar, de fato, não fez muito sentido para o que se propõe o Botafogo. O alento é a campanha na Libertadores, que cirúrgica, tem dado reais esperanças ao torcedor.

Mas, como diz a música do Biquini Cavadão, motivadora do texto – e pelo visto, do jogo – o Fogão, em Curitiba, foi “o tédio, cortando os meus programas, esperando o meu fim” para nós torcedores.

Não quisemos, mas dava para fazer mais.

 

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Guilherme Porto

Guilherme Porto

Esporte sempre foi a minha paixão. Apaixonado por NFL e Futebol, mas acompanho tudo que gere competição, desde golf até curling. E para um cara que preferia os jogos gravados em fita cassete da Copa de 94 aos desenhos animados antes de ir à aula na creche, trabalhar com isso é privilégio.



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