NFL – Análise da temporada: Oakland Raiders

NFL – Análise da temporada: Oakland Raiders

Foto: Thearon W. Henderson/Getty Images

Uma lesão que mudou tudo e a futura ida para Las Vegas; veja como foi a temporada do Oakland Raiders

Campanha em 2016: 12-4; segundo lugar na AFC Oeste

O Oakland Raiders foi um dos times que mais encantaram a NFL em 2016. Um ataque poderoso comandado por um jovem quarterback com atuações dignas de MVP. O sonho da franquia preto e prata acabou no último período do penúltimo jogo da temporada. A lesão de Derek Carr contra os Colts “jogou fora” a campanha 12-4.

Os Raiders foram para os playoffs já conformados que não conseguiriam muita coisa sem seu QB. O resultado foi uma eliminação fácil para os Texans no wildcard. Quem gostou da situação foram os Patriots que perderam seu adversário mais forte na briga pela AFC antes mesmo da pós-temporada começar.

Fosse a defesa de Oakland algo acima do normal, como a dos Broncos, o time poderia ter ido mais longe mesmo sem quarterback. Mas muito pelo contrário, o sistema defensivo do futuro time de Las Vegas é bem ruim. A exceção que confirma a regra é o espetacular Khalil Mack.

Crabtree e Cooper, do Oakland Raiders

Crabtree e Cooper infernizaram as defesas adversárias (Foto: Ben Margot/AP)

Latavius Murray fez um ótimo trabalho como running back e os wide receivers Amari Cooper e Michael Crabtree foram sensacionais. Um RB e dois WRs produzindo muito era tudo o que Derek Carr precisava para evoluir seu jogo. Ah, e como evoluiu.

O que deu certo: que ataque e que linha ofensiva!

Muito se fala da linha ofensiva do Dallas Cowboys, mas linha do Oakland Raiders é tão boa quanto. Principalmente protegendo o passe. Derek Carr foi sackado apenas 16 vezes na temporada. Lembrando que o QB que sofreu mais sacks na NFL em 2016 foi Tyrod Taylor, do Buffalo Bills, com 42.

Carr foi um show. 63.8% de acerto nos passes, rating de 96.7, 3973 jardas, 28 touchdowns e apenas SEIS interceptações. São menos interceptações do que seus rivais Siemian (Broncos) e Alex Smith (Chiefs), que têm um estilo de passe muito mais conservador. O quarterback foi um dos favoritos a ser o MVP da temporada e se firmou como um dos grandes na posição atualmente.

O QB Derek Carr era a grande chance do Raiders vencer o Patriots nos playoffs

Derek Carr jogou no nível dos grandes QBs (Foto: Ben Margot/AP)

O camisa 4 ainda assegurou o posto de melhor QB da classe de 2014. Carr foi escolha de segunda rodada dos Raiders, enquanto Blake Bortles, Johnny “Football” Manziel e Teddy Bridgewater saíram na primeira rodada. O salto que Derek deu era o que os Jaguars esperavam de Bortles, pois o desempenho de ambos foi semelhante em 2015.

Para completar o ataque temos uma das melhores duplas de wide receivers da liga, Amari Cooper e Michael Crabtree. Cooper é o principal alvo de jogadas explosivas para Carr soltar o braço, foram 1153 jardas, 5 TDs e 13.9 jardas de média por recepção. Crabtree se achou muito bem no papel de WR 2, que abre mais espaço para o recebedor principal e fica com o trabalho sujo de bolas difíceis. Foram 1003 jardas e 8 TDs para o camisa 15.

O que deu errado: secundária mais queimada não há

Se você acha que a sua secundária é um problema, converse com um torcedor dos Raiders. Oakland cedeu 16 passes para mais de 40 jardas e 61 para mais de 20, piores marcas da liga. Além de sofrer também o passe mais longo da temporada, 98 jardas.

Para tentar contornar esse problema, os Raiders foram de defensives backs nas duas primeiras escolhas do draft desse ano. Primeiro foi o cornerback Gareon Conley, que chega com uma acusação de estupro que pode comprometer seu futuro caso seja condenado. Depois veio o safety Obi Melifonwu. Ambos são dois dos melhores prospectos de suas posições.

Irvin e Mack, do Oakland Raiders

Irvin e Mack foram os poucos que se salvaram na defesa dos Raiders (Foto: Marcio Jose Sanchez/AP)

Tackles e inside linebackers também são bem-vindos. A defesa contra o jogo corrido foi bem ruim, tanto para infiltrar na linha ofensiva adversária, quanto para derrubar os corredores com a bola. A fraqueza por terra acabou sobrecarregando Khalil Mack e Bruce Irvin que têm como prioridade derrubar o QB.

No final, o que mais deu errado mesmo foi a falta de sorte. A lesão de Derek Carr comprometeu a temporada muito mais do que qualquer problema técnico dos Raiders.

Saldo: aquele gostinho de “quero mais”

Oakland era tido por muitos como a força da AFC que poderia desbancar os Pariots nos playoffs. Visto o desempenho de New England contra Houston no Divisional Round, naquele jogo onde os Raiders estariam sem a lesão de Carr, é perfeitamente possível imaginar que Oakland tinha grandes chances de vencer.

Mas não deu, lesão faz parte do esporte e todos sofrem com isso uma hora ou outra. Para 2017, Oakland volta ainda mais forte. Além dos reforços de draft e um ano a mais de experiência para Carr, Marshawn Lynch resolveu sair da aposentadoria para jogar em sua terra natal.

O tempo ruge e a Sapucaí é grande e a ida da franquia para Las Vegas se aproxima. Os Raiders ainda têm duas temporadas para trazer o título para Oakland antes de irem para o meio do deserto. Motivação extra e distância das lesões são tudo o que a Raider Nation deseja para 2017.

Vinícius Mathias

Vinícius Mathias

Jornalista e ala-armador nas horas vagas. Sofre nas ligas americanas com Timberwolves, Jaguars, Sharks e Angels. Se arrepende por não ter escolhido o Seahawks. Chelsea e Alemanha trazem felicidade no futebol, pelo menos. Fã de Aaron Rodgers, Jimmie Johnson, Kevin Garnett, Kimi Räikkönen e de uma Heineken bem gelada.


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