IndyCar: Iowa de verde e amarelo

IndyCar: Iowa de verde e amarelo

Desde o GP de Detroit de 2014 sem vencer, Helio Castroneves quebrou o jejum desagradável e voltou a escalar o alambrado na 11ª etapa da IndyCar 2017 (Foto: IndyCar/Reprodução)

Juntos, Matheus Leist e Helio Castroneves, brasileiros da IndyLights e da IndyCar, fizeram do circuito de Iowa o palco onde, finalmente, o Brasil brilhou

Quem acompanha as categorias de automobilismo de fora do Brasil sabe que é raro ver um brasileiro no lugar mais alto do pódio. A “seca” de vitórias e campeonatos em categorias como a Fórmula 1 e a IndyCar fez boa parte da população se desanimar um pouco com os esportes de motor. Mas quem resistiu até aqui foi agraciado com um fim de semana mágico neste último domingo (9). Na IndyLights, última das categorias de base da Road to Indy, o gaúcho Matheus Leist – que vem tendo um ótimo desempenho ao longo da temporada – saiu da 10ª colocação para a vitória em sua primeira vez em Iowa. Já na IndyCar, quem encerrou o corrido fim de semana com chave de ouro foi Helio Castroneves, que ao vencer, pôs fim à um jejum de mais de 3 anos sem vitórias.

Matheus Leist venceu a etapa de Iowa da IndyLights

Matheus Leist, gaúcho de 18 anos que compete pela IndyLights também colocou o Brasil na frente neste domingo (9) (Foto: Indianapolis Motor Speedway/Reprodução)

Por coincidência, a conquista veio justo na semana em que os boatos a respeito do futuro de Castroneves na categoria se intensificaram. Fala-se que o piloto paulista pretende deixar a Indy em 2018 e irá juntar-se ao ex-colega de equipe Juan Pablo Montoya também pela Penske na SportsCar, uma categoria de protótipos menos conhecida. Mas até agora, os rumores não foram confirmados. O fato é que, agora na vice-liderança do campeonato, com 8 pontos de diferença do líder Scott Dixon, a vitória deu um gás à mais ao brasileiro na disputa que pode ser o primeiro título de sua carreira.

A 180 milhas por hora

A programação no Iowa Speedway foi veloz, muito mais do que o usual nas outras provas do campeonato, contando com apenas um treino livre além do usual treino classificatório e da corrida principal no domingo. Na sexta-feira (7), quem ditou o ritmo na pista foi Josef Newgarden, da Penske. O piloto americano foi o mais rápido do dia com a marca de 17,3397 s. Logo atrás dele apareceu o também piloto da Penske Will Power, apenas 0,0326 s mais lento. Em terceiro, Simon Pagenaud consolidou o domínio da equipe mais tradicional da IndyCar no free practice. O quarto homem da equipe, Castroneves, teve uma aparição discreta, surgindo em apenas 18º.

Will Power foi o mais rápido no treino de Iowa na IndyCar

“Disfarçado” de narrador de TV, Will Power foi o mais rápido do treino classificatório no sábado (8) (Foto: IndyCar/Reprodução)

O final de semana foi todo favorável à “Ferrari da IndyCar”, dominante em todas as sessões e na corrida. No classificatório, foi a vez de Will Power aparecer na frente, conquistando a pole position, enquanto o colega de equipe brasileiro apareceu em 3º. Entre os dois pilotos da Penske aparecia também J.R HIldebrand, da Ed Carpenter Racing, que havia liderado boa parte do qualy.

A corrida

A largada no circuito oval de Iowa ocorreu sem grandes problemas. Na ponta, Will Power conseguiu segurar a posição privilegiada, mas não permaneceria ali por muito tempo. Logo atrás dele, Castroneves “papou” o 2º lugar de Hildebrand, que também foi ultrapassado por Ed Carpenter, e se preparou para ultrapassar o colega de equipe assim que tivesse oportunidade. Apesar da velocidade no pelotão da frente, alguns pilotos no fundo começaram a enfrentar problemas. Tony Kanaan, que havia largado em 7º, perdeu 5 posições logo nas primeiras voltas. Mario Andretti, da Andretti, também não demorou muito para cair de rendimento e se tornar retardatário. A presença do ítalo-americano entre os carros dos três primeiros colocados – mesmo que com uma volta a menos – ajudou Castroneves, que na volta 22, fez a ultrapassagem sobre Power e assumiu a liderança.

Algumas voltas depois, Hildebrand também começou a perder ritmo e se deixou ser ultrapassado por Mikhail Aleshin e Graham Rahal. O russo, que havia largado em 6º vinha com rapidez até então, mas por um deslize, acabou perdendo o controle do carro e batendo em uma curva na volta 56, acionando a primeira bandeira amarela da prova. Com a paralização, os pilotos aproveitaram para fazer as suas primeiras paradas. Castroneves voltou dos boxes em primeiro, sendo seguido por Power, Rahal e Carpenter, respectivamente. Constante, o brasileiro se manteve na ponta mesmo após a relargada, quando Carpenter tomou a posição de Rahal e partiu para cima de Will Power.

Perto do meio da prova, Castroneves perdeu a liderança para Will Power, sendo acompanhado por J.R Hildebrand em um ritmo surpreendentemente forte, ao contrário de Carpenter, colega de equipe que cujo rendimento na corrida estava caindo bastante. No meio do pelotão, Scott Dixon e o brasileiro Tony Kanaan brigaram pela 10ª colocação, com direito a toque e tudo, mas nada que fosse grave suficiente para tirar um dos dois da disputa. A segunda bandeira amarela da corrida veio após Carlos Muñoz sofrer com vibrações do carro e, à mercê dele, bater no muro, sendo obrigado a abandonar a prova. A maioria dos pilotos aproveitou para fazer uma nova visita aos boxes, oportunidade na qual Castroneves reassumiu a liderança.

Pouco depois, outra bandeira amarela, mas dessa vez motivada por Conor Daly, da A.J Foyt. O piloto americano se arrastou no muro e, danificado, também precisou abandonar a corrida. Novamente, boa parte dos pilotos retornou aos boxes, deixando Kimball na liderança temporária, pelo menos até os carros voltarem à pista e reassumirem seus lugares, forçando piloto inglês apenas ao 8º lugar. Todos mantiveram um ritmo constante na pista até que a corrida foi paralisada novamente, mas dessa vez, o culpado não estava dentro de um carro: foi a chuva. O fenômeno interrompeu a prova por longos minutos e dadas as circunstâncias, fez com que fosse acionada uma bandeira vermelha, já que arriscar dar continuidade à uma prova num circuito oval sob chuva era uma péssima ideia. Por sorte, o tempo sorriu para os pilotos e possibilitou que a disputa continuasse.

Com a bandeira verde, a Penske pulou na frente, colocando todos os seus quatro pilotos para disputar o lugar mais alto do pódio, com Castroneves e Will Power avante, e Josef Newgarden e Simon Pagenaud logo atrás. Perto do fim da prova, o brasileiro tricampeão das 500 Milhas se surpreendeu com uma boa estratégia da Carpenter, que colocou Hildebrand em primeiro. A partir daí, a disputa se concentrou nos dois pilotos, mas Castroneves pôde contar com a ajuda dos retardatários para deixar o rival preso, atrás, e assumir a liderança. O brasileiro conseguiu segurar o adversário até o fim da prova e com tranquilidade, terminou as 300 voltas da prova em primeiro lugar, sendo acompanhado por Hildebrand e Ryan Hunter-Reay. Feliz, e com motivos de sobra para comemorar, o Spider-Man pôde ter o prazer de fazer, após um longo período de seca, a sua comemoração mais famosa: escalar no alambrado do circuito para comemorar com a equipe e com a torcida presente.

Hélio Castroneves comemora a vitória na etapa de Iowa da Indycar

Depois de um longo jejum de 3 anos sem vencer, Castroneves correu para o seu lugar favorito, depois, é claro, do topo do pódio (Foto: IndyCar/Reprodução)

Sem vencer desde o GP de Detroit de 2014, os 50 pontos colocaram Helinho em uma posição muito confortável no campeonato de pilotos. Em 2º, o brasileiro aparece atrás do líder Scott Dixon por apenas 8 pontos e é precedido pelo atual campeão da categoria Simon Pagenaud com uma diferença de 13 pontos. Vitórias ainda não estão sendo capazes de manter nenhum piloto seguro na disputa na tabela, mas pelo menos por uma semana ou duas, já lhes dão bons motivos para acreditar e seguir na luta pelo título.

Hélio Castroneves, Hildebrand e Hunter-Reay compuseram o pódio de Iowa na Indycar

E no final, tudo acabou em pizza. Castroneves não compartilhou o lanche, mas dividiu o espaço no pódio com Hildebrand e Hunter-Reay (Foto: IndyCar/Reprodução)

 

Bruna Rodrigues

Bruna Rodrigues

Jornalista em formação, flamenguista de nascimento e fã de automobilismo – em especial, F1 e IndyCar (por opção). Transfiro para as palavras a emoção e a paixão que o esporte me faz sentir e, nas horas vagas, também finjo que sei jogar videogame e futebol.



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