À prova de raios

À prova de raios
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Everton Ribeiro comemora seu primeiro gol em noite especial para o Flamengo (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Flamengo passeia no Chile e goleia Palestino por 5×2, afastando a possibilidade de um novo vexame diante do pequeno clube chileno

Recentemente, a imagem do Flamengo, internacionalmente falando, passa longe de ser das melhores. A traumática eliminação na Libertadores desse ano para o San Lorenzo nos acréscimos, ainda durante a fase de grupos, só ajudou a corroborar a sina do clube da Gávea em fracassar em torneios continentais. O último vexame antes desse já citado havia sido justamente contra o adversário dessa quarta-feira, em jogo válido pela Sul-Americana de 2016. Mas, pelo que tudo leva a crer, a história será diferente.

Como já diria o ditado, “cão mordido por cobra tem medo até de linguiça”. Essa frase definiria perfeitamente todo flamenguista que ligou a TV para acompanhar o jogo que se iniciava no estádio que não trazia boas lembranças para o Fla. Lá foi o local em que Santiago Silva decretou, de maneira quase que sorrateira, a vitória da Universidad Católica sobre o time rubro-negro, ainda durante a Libertadores. No entanto, agora a competição era outra, assim como o adversário.

E para o bem do Flamengo, a qualidade do oponente de agora era muito inferior se comparado ao compatriota do clube que representa a maior colônia palestina fora do país asiático. Esse fator facilitou a tarefa da equipe treinada por Zé Ricardo, que mesmo desempenhando um primeiro tempo abaixo da crítica, com um excesso de cruzamentos e poucas chances de gol criadas, conseguiu aumentar o foco e o nível de rendimento na segunda etapa para massacrar o Palestino, e praticamente selar a vaga rumo a próxima fase.

Um segundo tempo alucinante

Após 45 minutos iniciais terríveis, o Flamengo voltou do intervalo com a mesma formação, mostrando a confiança de Zé em que aquele mesmo grupo poderia alcançar o triunfo. E o início foi promissor, já que no 1° minuto, o capitão Réver, ainda que sem querer, abriu o placar após cobrança de escanteio de Everton. O pensamento era de que poderia ter sido o gol para abrir a porteira. Mas não foi bem isso o que aconteceu de imediato.

Capitão Réver comemora mais um gol pelo Fla; zagueiro é arma perigosa em bolas paradas (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Em questão de menos de 10 minutos, o que parecia ser inacreditável estava se tornando realidade: depois de falha de Vaz, ao rebater bola para o meio da área, contribuindo para que Romo empatasse a peleja. E pior: uma furada tenebrosa de Everton possibilitou que Vidal, totalmente livre de marcação, virasse a partida. E o medo de um novo desastre internacional já se instalava em todos os corações rubro-negros espalhados pelo mundo.

A sorte é que Berrío fez questão de espantar esse fantasma logo de cara e empatou novamente a partida ao aproveitar um bate-rebate dentro da grande área com um gol que foi a síntese que define o atacante colombiano: raça, para continuar no lance, e força, para encher o pé e guardar a bola na rede de Melo. Não demorou muito para a virada vir. E ela veio com estilo. Everton surgiu pela esquerda em arrancada incisiva, e cruzou na medida para Leandro Damião, que tem se tornado o artilheiro dos gols bonitos, finalizar de letra e virar novamente o jogo. Eram 5 gols em 15 minutos, algo realmente atípico e eletrizante.

A primeira vez a gente nunca esquece

Como já foi citado, o zagueiro Rafael Vaz teve influência negativa na marcação do 1° gol do Palestino, ao cortar de maneira errônea, a bola pro meio da área, coisa que está proibida na cartilha de qualquer zagueiro de qualidade que se preze. Esse vacilo já foi o suficiente para que uma enxurrada de críticas fossem destinadas ao ex-jogador do maior rival do Mais Querido, onde ele marcou muitos gols. No entanto, com a camisa do Flamengo, o primeiro tento ainda estava por vir. Mas agora não está mais.

Logo depois de ter participação decisiva na zaga, ao salvar o que seria o 3° gol da equipe chilena, Vaz apareceu na grande área de ataque em nova cobrança de escanteio, que foi na cabeça de Damião. O centroavante flamenguista resvalou na bola, que se ofereceu para o zagueiro marcar pela primeira vez jogando pelo time da Gávea. Foi, de fato, a melhor forma de se redimir e de tentar tirar a zica, que ele mesmo fez questão de afastar durante a comemoração do gol. Mas Vaz não foi o único a balançar as redes de modo inédito no Chile.

O outro zagueiro rubro-negro também marcou; Rafael Vaz fez seu gol e jogou a zica pra longe (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Everton Ribeiro, a principal contratação do Fla no ano, e melhor jogador da partida dessa quarta, construiu o 5° gol na base da técnica e persistência. Deu um pique no fim da partida como se ela tivesse acabado de começar, e foi derrubado com um “rapa-pé” pelo jogador adversário. Já se levantou pedindo a bola, e foi para a cobrança com perseverança. E bateu com estilo, a esquerda do goleiro Melo, para marcar o primeiro de muitos gols pelo Flamengo. Pelo menos é isso o que ele e toda a Nação espera de sua passagem pela Gávea.

Ao todo, foi uma atuação sim convincente, como o placar deixa a entender. E o principal, é uma vitória que afasta o fantasma dos vexames internacionais, já que contar com uma reviravolta nesse confronto é algo extremamente improvável, tendo em vista que o clube chileno teria que vencer por uma margem de 4 gols de diferença na Ilha do Urubu. Portanto, pode-se dizer, ainda que nada esteja oficialmente decretado, que o raio não cairá duas vezes no mesmo lugar, e que dessa vez, o Flamengo passará pelo Palestino. Sem sustos e com ambições de um vôo mais alto nas Américas.

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Roberto Accioly

Roberto Accioly

Apaixonado por esportes em geral, independentemente da modalidade. Fanático por futebol desde o berço, por NFL, onde minha torcida vai para o Seahawks desde 2010 e por NBA desde que Dirk Nowitzki detonou o Big Three de Miami nas finais de 2011.


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