Os dois lados da moeda

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Uma única partida, dois resultados: motivos de sobra para o Flamengo comemorar e para o São Paulo se preocupar (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

De um lado, um resultado que colaborou com um time que, aos poucos, está entrando nos eixos. Do outro, o mesmo resultado consolida a crise em um time que agora está no Z-4.

Geralmente, no futebol, é impossível que duas torcidas saiam felizes da mesma situação. Se uma comemora, a outra chora. Se uma perde, a outra vence. Isso não é novidade para ninguém, mas às vezes é curioso notar como isso ocorre. Neste domingo (02), a Ilha do Urubu foi palco de mais uma dessas experiências às quais todo torcedor está acostumado, mas talvez nem sempre se atente tanto, pelo menos não quando é o seu time que está do lado vitorioso.

Para o dono da casa, o Flamengo, o dia não poderia ser melhor. Nesse domingo (02), o time venceu o São Paulo por 2 a 0, com gols de Diego e Guerrero. O Mais Querido, antes em uma fase ruim após a eliminação da Copa Libertadores, parece finalmente ter encontrado o caminho certo. Terceiro colocado no Brasileirão, vem de 3 vitórias seguidas só na competição, sem contar a vitória sobre o Santos pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil. No seu ninho, está invicto; soma 4 vitórias, 11 gols marcados e apenas 1 gol sofrido. Para ficar melhor, só se o acesso ao caldeirão fosse mais democrático, mas isso é história para outro momento.

Na partida, o rubro-negro carioca foi visivelmente superior diante do visitante. Petros estreou mas não foi efetivo, e a principal arma do tricolor paulista, Lucas Pratto, parou diante da defesa do Fla. Diferente do futebol que estava apresentando até pouco tempo, o Mengão deixou de lado os números enganosos resultados do “volume estéril” que não contribuíam com o jogo e partiu para o ataque e ofereceu muito mais perigo ao adversário, apesar da marcação. Aos 11 minutos do primeiro tempo, com jogada que partiu de Éverton, Trauco quase abriu o placar, mas a bola passou ao lado da trave. Um minuto depois foi a vez do camisa 22 perder uma boa chance com ajuda do xará, Éverton Ribeiro. Aos 32 da etapa inicial, Diego assustou a defesa tricolor com um chute de fora da área, mas quem colocou o time da Gávea na frente foi Paolo Guerrero, com um gol resultante de uma bela cobrança de falta. O segundo gol foi fruto de uma jogada das principais peças do time: Guerrero fez o passe para Éverton Ribeiro, que encontrou Diego e deu a assistência para o camisa 35 ampliar o placar. No segundo tempo, o anfitrião buscou o terceiro gol, mas esbarrou em uma defesa mais atuante que impediu que o resultado fosse pior – ou melhor, dependendo do ponto de vista.

Éverton Ribeiro e Diego: peças que, juntas, podem ser o diferencial na recuperação do Flamengo (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Se os 3 pontos colocaram o Flamengo em uma posição privilegiada, a apenas 2 pontos do vice-líder Grêmio, o mesmo resultado colocou o São Paulo em um lugar nada agradável: a zona de rebaixamento, posição da qual o time se mantinha longe nos últimos quatro anos. Claro, não dá para dizer que a culpa foi exclusivamente da derrota no Rio. O tricolor paulista não vence há 6 rodadas e agora soma apenas 11 pontos no Campeonato Brasileiro, 18 a menos que o atual líder, Corinthians. Com o sexto pior ataque da competição, o clube apresenta um futebol inseguro e pobre, apostando principalmente na posse de bola e nas jogadas aéreas – que na maior parte das vezes não dão resultados positivos. Situação um pouco parecida com a que foi vivida pelo último adversário do São Paulo, porém, diferente do time do Morumbi, o rubro-negro tem trabalhado para superar as dificuldades, contando principalmente com os novos reforços, e o esforço já dá frutos.

Para completar, a derrota diante do Flamengo trouxe mais consequências. Considerado o principal responsável pelo desempenho ruim do São Paulo, o técnico Rogério Ceni foi demitido nesta segunda (03). Muito contestado, o status de ídolo do ex-jogador no clube é imutável, mas a sua atuação como treinador deixou e muito a desejar. Sob o comando do ex-goleiro, o time somou três eliminações e no Brasileiro, três vitórias, três empates e seis derrotas. Com a saída de Ceni, o nome de Dorival Jr. passa a ser o mais cotado para substituí-lo. Caso o rumor seja real, a expectativa é que o treinador paulista, atualmente sem clube, repita no São Paulo o processo de recuperação que realizou no Santos em 2015, que vivia uma fase parecida.

Zé Ricardo, antes contestado, agora trabalha para se tornar novamente um exemplo a ser seguido (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

O mais curioso é que, há poucas semanas, quem chegou perto do mesmo destino foi o técnico do Flamengo, Zé Ricardo, que recentemente revelou que a pressão quase o fez desistir do cargo. A permanência do treinador, que conquistou neste ano um Campeonato Carioca e levou, em 2016, a Copa São Paulo pelo time sub-20 do rubro-negro, se tornou motivo de grande insatisfação da torcida para com a diretoria. A dificuldade em reconhecer os erros, em dar atenção aos torcedores e as deficiências técnicas eram as mesmas que, dentre outras razões, culminaram na queda de Ceni. Porém, a paciência – ou a teimosia – da direção do time da Gávea teve bons resultados, já que a postura de Zé Ricardo mudou, diante de tantas novas chances frente à pressão que sofria. Flamengo e São Paulo viveram por alguns momentos fases bem parecidas, mas quem se saiu bem dessa foi o Mais Querido, que, se por um lado compartilhava das mesmas dificuldades que o adversário, por outro, se tornou hoje um exemplo a ser seguido.

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Bruna Rodrigues

Bruna Rodrigues

Jornalista em formação, flamenguista de nascimento e fã de automobilismo – em especial, F1 e IndyCar. Transfere para as palavras a emoção e a paixão que o esporte desperta e, nas horas vagas, também é fã de ficção científica. Vida longa e próspera!



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