Para afastar a crise

Para afastar a crise

Rever, o capitão rubro-negro, comemora o gol que abriu o caminho da vitória (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Em noite de estreia da Ilha do Urubu, Fla não convence, mas joga o suficiente para finalmente voltar a vencer

O palco era novo. O show foi praticamente o mesmo. Mas o resultado foi bem diferente daqueles que estavam vindo nos últimos jogos. Na estreia da Arena da Ilha, agora devidamente personalizada para receber o Mais Querido, os comandados do contestado Zé Ricardo voltaram a saber como é conquistar 3 pontos no campeonato brasileiro. Não que tenha sido uma atuação de encher os olhos, mas a necessidade vital foi alcançada: vencer.

Nova casa, novas peças e velhos problemas

Para a partida dessa quarta-feira contra a Ponte Preta, o Flamengo veio com três alterações em relação ao time que tinha ido a campo contra o Avaí no último domingo. Juan foi poupado, devido a sua idade avançada, e foi substituído por Rafael Vaz, o que já causou calafrios na torcida rubro-negra antes mesmo do jogo começar. Outra mudança foi a entrada de Cuellar no lugar de Willian Arão, que já vinha devendo, e muito, há um bom tempo e, por isso, mereceu a barração. Por fim, Rodinei, o lateral iluminado, veio no lugar de Pará, que não vinha comprometendo, mas estava abaixo do que já havia mostrado no ano.

As três novas peças do time funcionaram bem e agradaram bastante aos torcedores flamenguistas. Vaz, como de costume, teve uma boa atuação vindo de um período encostado no banco de reservas; Rodinei foi um guerreiro em campo durante os 90 minutos, se dedicando ao máximo na marcação e subindo frequentemente ao ataque (o que explica seu esgotamento físico após o apito final do árbitro); por fim, Cuellar, tão pedido pela torcida, para ser escalado, correspondeu as expectativas e jogou muito bem, realizando vários desarmes e distribuindo passes objetivos.

Embora mudanças tenham sido feitas e as novas caras do time tenham tido uma boa atuação, o desempenho do Flamengo durante todo o jogo não foi nada muito empolgante. Tanto no 1° quanto no 2° tempo, a equipe mandante ficou boa parte do tempo com a posse de bola. No entanto, um velho problema voltou a aparecer: a falta de criação de jogadas de perigo. Por apresentar um esquema de jogo manjado, no qual o lateral tabela com o ponta, chega a linha de fundo e cruza, o Flamengo ficou o tempo todo refém de cruzamentos.

E não à toa os dois gols que deram a vitória ao Fla vieram em jogadas desse estilo. O primeiro veio após cobrança de escanteio de Diego na cabeça de Réver, que testou forte em direção a meta de Aranha. Nino Paraíba tentou tirar em cima da linha, mas nada pôde fazer. O segundo foi marcado por Leandro Damião, que so teve o trabalho de cabecear pro gol após cruzamento mais que perfeito de Vinicius Júnior, que a cada vez mais vem ganhando confiança e tendo atuações ainda melhores.

Damião cabeceia para marcar o segundo gol sob o olhar de Aranha (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

O que mais importava nesse momento conturbado do Flamengo eram de fato os 3 pontos. Mas o que fica é uma impressão de que esse triunfo possa ter sido enganoso, à medida em que, imediatamente, o conforto veio, afinal, o anseio pela vitória era evidente em cada flamenguista. Entretanto, uma atuação que não foi muito diferente do que vinha sendo observado pode significar a manutenção de um trabalho que, por ora, se safou. Mas que já parece não render o suficiente para fazer com que um clube detentor de um dos melhores elencos do Brasil jogue um futebol digno de seu plantel e, principalmente, de sua história.

Espaço para uma auto-crítica

Todos que acompanham o futebol brasileiro sabem o quanto a administração de Eduardo Bandeira de Mello é importante para que o Flamengo se encontre nesse estado atual. Se hoje o clube tem superávit, pode inaugurar um estádio reformado para chamar de seu e contratar estrelas, é graças a gestão consciente do presidente rubro-negro. No entanto, O Mais Querido não é uma empresa. O Mais Querido vive de glórias. E vive da sua torcida.

E por isso que é preciso que as pessoas que fazem o departamento de futebol entendam que o maior patrimônio flamenguista é composto pelos seus torcedores. Não é o prêmio que Bandeira ganhou do Twitter por conta de popularidade. É sua torcida. A faixa “abaixem o$ ingre$$o$” não foi estendida na Ilha do Urubu à toa. Os preços exorbitantes cobrados para o torcedor poder assistir a partida dessa quarta são uma afronta as camadas populares, que compõem em sua maioria, a Nação Rubro-Negra.

E o fenômeno observado na nova Arena nao podia ser outro: o que era pra ser um Caldeirão, virou um estádio quieto e silencioso. Ao invés do apoio, deu-se lugar aos flashes dos cliques das câmeras dos mais diversos celulares que captavam fotos dos jogadores que passavam perto dos “fãs”. Qualquer rubro-negro que se esgoela e sai rouco do estádio de tanto cantar fica indignado com esse tipo de acontecimento.

Para isso acabar e o Flamengo poder voltar a contar com seu 12° jogador, só há uma solução: abaixem os ingressos.

Jogadores saúdam uma torcida que não jogou junto do time, mas compareceu em bom número (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Roberto Accioly

Roberto Accioly

Apaixonado por esportes em geral, independentemente da modalidade. Fanático por futebol desde o berço, por NFL, onde minha torcida vai para o Seahawks desde 2010 e por NBA desde que Dirk Nowitzki detonou o Big Three de Miami nas finais de 2011.



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