GP do Texas: Numa corrida em chamas, a sorte ficou a favor de Will Power

GP do Texas: Numa corrida em chamas, a sorte ficou a favor de Will Power
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Irreverente, como sempre, o australiano comemorou a segunda vitória na temporada (Foto: LAT PHOTOGRAPHIC/Reprodução)

Com 8 “sobreviventes”, a corrida só terminou de madrugada, com um final feliz para Will Power

O Texas Motor Speedway foi palco, neste sábado (10), de uma das melhores provas da temporada atual da IndyCar. Com um desenvolvimento digno de um roteiro escrito por Suzanne Collins – sim, a autora de Jogos Vorazes –, a corrida foi madrugada adentro no horário de Brasília até o fim das 248 voltas. Mas fez valer à pena a espera. Foi frenética ao limite, com disputas intensas, ultrapassagens de tirar o fôlego e muitas batidas, que tiraram da pista 14 dos 22 pilotos presentes na disputa. O mais sortudo dos 8 “sobreviventes” foi Will Power, da Penske, que conquistou a sua segunda vitória na temporada 2017 e a 31ª de sua carreira.

Aquecendo os motores

A etapa do Texas já começou agitada na sexta-feira (9). Scott Dixon, da Chip Ganassi, liderou os primeiros treinos livres e Ed Carpenter foi o mais rápido da segunda sessão. Mas quem ficou com a pole position no classificatório foi Charlie Kimball, colega de equipe do neozelandês. Charlie ainda terminou o dia em alta, já que, além de conquistar a posição privilegiada no grid de largada, ainda fez uma volta recorde, de 46.586s, batendo a marca de Will Power de 47.796s.

Charlie Kimball conquistou, no GP do Texas, a primeira pole de sua carreira (Foto: Tony Gutierrez / Associated Press)

A preparação para a corrida foi marcada pelo domínio da Honda, que costuma se destacar nas provas em circuitos ovais. No primeiro treino livre, a montadora japonesa esteve presente em 7 das 10 primeiras posições. No classificatório, além de movimentar o carro do pole, Charlie Kimball, a Honda colocou mais 7 pilotos nas primeiras posições. O melhor representante da Chevy foi Will Power, da Penske, que largou apenas em 9º. Apesar do domínio do motor japonês, o segundo treino livre foi mais diversificado. Liderado por Ed Carpenter, da Ed Carpenter Racing Chevrolet, a sessão contou com representantes das duas marcas de unidade de potência nas melhores colocações.

E não foi só a Honda que mandou bem nos preparativos para o GP do Texas. Tristan Vautier, piloto francês de 27 anos, entrou na Dale Coyne para substituir o ex-F1 Esteban Gutierrez, que participou da rodada dupla de Detroit no lugar de Sebastien Bourdais (fora após sofrer um acidente nos treinos da Indy500) e mesmo sendo novato, não decepcionou; no primeiro treino livre, ficou em apenas 16º, mas na segunda sessão livre, ficou com o 8º melhor tempo. No qualy, o francês fez bonito. Chegou a aparecer entre os três primeiros e se classificou em 5º, na frente até mesmo de pilotos mais experientes, como os da Penske.

Que os jogos comecem!

A largada foi limpa, mas movimentada. Charlie Kimball segurou a 1ª posição sem maiores problemas, mas logo atrás dele a situação não estava tão tranquila, com Scott Dixon, Alexander Rossi e Tony Kanaan brigando pela vice-liderança. Em 4º, o piloto brasileiro teve que lidar com a pressão do rookie Vautier. O francês perdeu velocidade ao tentar ultrapassar Kanaan e acabou perdendo a posição, mas conseguiu se recuperar e tomar a quarta colocação na volta 11. Em menos 6 voltas, o estreante fez os adversários comerem poeira e pulou para a frente, pronto para tomar a liderança de Kimball numa disputa roda a roda, uma das melhores da corrida.

Vautier não completou a prova, mas surpreendeu pelo bom desempenho durante o fim de semana (Foto: IndyCar/Reprodução)

A disputa não se limitou às primeiras posições da prova. Josef Newgarden, da Penske, havia largado em 17º e já na 20ª volta aparecia em 4º lugar, com um ritmo forte e velocidade suficiente para manter-se seguro por tempo suficiente para continuar escalando na classificação da corrida. No 29º giro, Kimball se deixou ultrapassar por Vautier e nem teve tempo para respirar na 2ª colocação, já que Newgarden não perdeu tempo em acelerar e pular para a vice-liderança. Poucas voltas depois, Will Power surgiu em 3º lugar até a volta 37, quando Alexander Rossi causou a primeira bandeira amarela da prova. Rossi girou na pista e foi de encontro ao muro após toque com Scott Dixon.

Aproveitando o momento, todos os carros entraram nos boxes para a primeira troca. Na saída, um pequeno incidente: James Hinchcliffe perdeu o controle do carro, deslizou com os pneus novos e acertou Helio Castroneves, que acertou Takuma Sato. Os carros atingidos tiveram de ser arrastados de volta para os boxes para reparos; o brasileiro conseguiu retornar à corrida; já Sato, perdeu tempo demais e voltou com uma volta a menos. Enquanto isso, Kimball também apresentou problemas e voltou para a garagem.

Alguns giros depois, Will Power assumiu a ponta e administrou bem a vantagem. Pagenaud pulou para a segunda posição e o rookie Vautier em 3º. Castroneves até então fazia uma boa prova de recuperação e apareceu em 6º, tendo o compatriota Kanaan atrás. O paulista chegou a figurar na 3ª posição, onde se manteve até bater no muro, na volta 91. Uma nova bandeira amarela manteve os carros em fila indiana e mesmo com a relargada, na volta 103, tornou a aparecer quando Ed Carpenter encostou no carro de Vautier e girou no meio da pista.

Após a relargada, na volta 109, Will Power se manteve na liderança, com um ritmo constante. Na confortável posição, conseguiu se proteger das investidas do colega de equipe e dos rivais, situação na qual permaneceu em boa parte da prova, até a volta 152, quando um big one originado por um toque entre Kanaan e Hinchcliffe fez uma verdadeira limpa no grid. O brasileiro esbarrou no carro 5 da Schmidt Peterson e o canadense perdeu o controle, atingindo Mikhail Aleshin e causando um verdadeiro strike que ainda envolveu Ed Carpenter, Ryan Hunter-Reay, JR Hildebrand, Carlos Munõz, Ed Jones e, também, o surpreendente Tirstan Vautier, que vinha em 8°. Foram 9 pilotos no total. A bandeira vermelha apareceu paralisando a corrida por vários minutos. No final, a culpa caiu no colo de Kanaan, que acabou penalizado com 20 segundos parado nos boxes e ficou 2 voltas atrás do resto do pelotão.

A espetacular batida causada por Kanaan e Hinchcliffe “ceifou” 8 carros da disputa (Foto: Brian Lawdermilk / Getty Images)

Na 200ª volta, foi a vez de Newgarden sair mal de uma curva e ir em direção ao muro. O piloto da Penske tentou segurar o carro e impedir o choque, mas acabou batendo e deslizando até a grama. As 40 voltas finais foram tão disputadas quanto o resto da corrida. A 7 voltas do fim, Power, Sato e Dixon disputaram lado a lado a liderança da prova, até que, 2 voltas depois, o japonês da Andretti acertou o neozelandês da Ganassi e, de quebra, ainda pegou Conor Daly e Max Chilton. A sorte sorriu para Will Power, que sob bandeira amarela se sagrou vencedor, com Kanaan em segundo e Pagenaud em terceiro.

O resultado final da prova trouxe à classificação da Indy aquela velha bagunça que torna a categoria interessante justamente pelo “fator surpresa”. Com a vitória, Will Power agora é o 5º na tabela, com 305 pontos. Dixon ainda não venceu nenhuma, mas permanece na liderança com 326 pontos. Castroneves caiu para 4º e agora, quem aparece na vice-liderança é Pagenaud, com 313 pontos. Os carros voltam a acelerar na Indy daqui a 2 semanas, em Road America.

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Bruna Rodrigues

Bruna Rodrigues

Jornalista em formação, flamenguista de nascimento e fã de automobilismo – em especial, F1 e IndyCar. Transfere para as palavras a emoção e a paixão que o esporte desperta e, nas horas vagas, também é fã de ficção científica. Vida longa e próspera!



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