Obrigado, Zé Ricardo

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Um perdido Zé Ricardo dá orientações a Renê, que substituiu Trauco, convocado (Staff Images/Flamengo)

Flamengo perde para o Sport na noite dessa quarta-feira na partida que se desenhou como o fim da linha de uma história de altos e baixos

Começava em 29 de maio de 2016 uma caminhada que era encarada com ressalvas. O Flamengo tinha acabado de ser obrigado a dizer adeus para Muricy Ramalho, que tinha um projeto ambicioso para o clube, com moldes naquilo que havia observado nas dependências catalãs do Barcelona. E para assumir a vaga deixada por um dos maiores treinadores da história do esporte bretão-brasileiro, surgia um promissor técnico do futebol de base da Gávea. Era Zé Ricardo.

Toda a capacidade e sabedoria de Zé havia sido constatada durante a Copa São Paulo de Futebol Júnior daquele mesmo ano, quando o time sub-20 do Fla conquistou o torneio exibindo um futebol que dava gosto de se ver. E a esperança da diretoria rubro-negra era de que aquilo pudesse se repetir no time de cima. E, apesar de muitos contatos para tentar contratar um novo medalhão – vale lembrar as diversas investidas na intenção de levar Abel Braga para a Gávea -, Zé atendeu a todas as expectativas que foram criadas em cima de si. E é por isso que esse texto serve como uma carta aberta a esse ótimo técnico de futebol.

Por isso digo, em nome de boa parcela dos Flamenguistas: obrigado, Zé Ricardo. Impossível não ser grato a quem, a partir de um remendo de time deixado pelo seu antecessor, transformou o time do Flamengo em uma equipe extremamente competitiva desde a primeira partida no comando, no triunfo contra a Ponte Preta, fora de casa, por 2×1. Você foi capaz de fazer com que o Mais Querido voltasse a ocupar uma posição de protagonista no campeonato brasileiro, mesmo que por um bom tempo ele tivesse sido apenas um coadjuvante de luxo.

Obrigado, Zé Ricardo, por você, como um verdadeiro iniciante nessa árdua carreira de treinador de um time do tamanho do Flamengo, ter demonstrado uma coragem que poucos técnicos, inclusive os mais renomados, teriam na partida mais importante do Brasileirão de 2016. Tirar o craque do time da partida para colocar um volante e poder recompor o sistema de marcação, após a expulsão de Márcio Araújo, foi um dos maiores atos de bravura possível. E, mesmo tendo tanta gratidão por você, fica difícil de te defender quando se mantém certas decisões que não dá mais para admitir.

Exemplo disso é manter como titulares jogadores extremamente contestados e que não apresentam um rendimento digno de um jogador de time que almeja o título nacional. Apesar de ter barrado um desses jogadores na última partida (Rafael Vaz), a permanência de Alex Muralha e Márcio Araújo custaram caro mais uma vez. E agora o preço foram 3 pontos. Muralha já vinha falhando sistematicamente, mas a verdadeira assistência dada pelo goleiro para Osvaldo fazer o gol que abriu o caminho para a vitória do Sport foi o basta para a Nação.

Foi ainda mais triste ver você, que tanto nos trouxe alternativas no ano passado, e até mesmo no ano atual, que nos levaram a vitórias maiúsculas, como contra o Fluminense no BR-2016, ou como na goleada acachapante contra o San Lorenzo na Libertadores de 2017, completamente perdido na Ilha do Retiro. A partir do momento em que o Sport abriu o placar, você não soube o que fazer. Só colocou mais atacantes no jogo e ficou na expectativa de que uma bola vadia cruzada na área sobrasse no pé de algum flamenguista que pudesse empurrar para rede. Isso é pouco pra você, Zé, e todos sabemos disso.

Sob o olhar distante de Zé, Everton escapa da marcação, mas Fla não escapa com a vitória (Staff Images/Flamengo)

 

E é por conta disso que chego aqui e falo que não dá mais. Foi ótimo enquanto durou. Como todo relacionamento, os momentos de felicidade ficam na memória, assim como os de tristeza, e a separação é aquele momento difícil, que é sofrível para ambos os lados, mas em que os dois tem de ceder. Mas chegou a hora. Resta a gratidão por você ter nos dado a alegria de conseguir uma vaga na Libertadores após uma campanha digna de Flamengo no brasileirão do ano passado, jogando boa parte do campeonato de maneira itinerante, o que dificultava muito seu trabalho.

Foram duras as eliminações em torneios internacionais. Mas ainda assim, foi lindo o título carioca invicto que você nos deu a oportunidade de comemorar e desfrutar de tamanha emoção. No entanto, o desgaste veio, as coisas não funcionam mais como eram antes, e o duro momento de dizer adeus se torna, não opcional, mas necessário. Se não for agora, não demorará muito para ocorrer, tendo em vista a maneira como o time tem jogado e você tem se portado.

Sendo assim, já me antecipo, demonstrando o sentimento mais nobre que um ser humano pode ter ante àquele que lhe trouxe momentos de alegria durante períodos da sua vida: obrigado, Zé.

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Roberto Accioly

Roberto Accioly

Apaixonado por esportes em geral, independentemente da modalidade. Fanático por futebol desde o berço, por NFL, onde minha torcida vai para o Seahawks desde 2010 e por NBA desde que Dirk Nowitzki detonou o Big Three de Miami nas finais de 2011.


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