Outerknown Fiji Pro: Medina e a sina de cair para Ítalo Ferreira

Outerknown Fiji Pro: Medina e a sina de cair para Ítalo Ferreira

Ian Gouveia rasga sua hegemonia em cima do campeão (Foto: WSL/Kelly Cestari)

Medina freguês, Wilkinson faminto, Ian Gouveia com seu troco dado em Wright; as condições do pico em Fiji não fazem promessas, só desafiam

O CT 2017 chegou a Fiji. O paradisíaco arquipélago é um dos destinos mais esperados da temporada, o poder de estar em pleno oceano pacífico sugere mil possibilidades de ondulação e começa a lembrar da urgência de já estarmos no meio da temporada. Não há espaço para eliminação precoce ou erros no drop, é hora de muitos entrarem no ritmo da maré e começarem a surfar pelo título.

O primeiro round

Gabriel Medina, Adriano de Souza e Ítalo Ferreira – recuperado da contusão -, se lançaram direto à terceira fase. Filipe Toledo não participa por conta de uma punição que tomou por mau comportamento na etapa passada; os australianos Matt Wilkinson e Owen Wright foram os melhores de seus heats; Jordy Smith passou por Yago Dora e Jack Freestone com folga; John John Florence fez o esperado e se lançou ao terceiro heat; o português Frederico Moraes voltou a aparecer mandando Joel Parkinson e Jadson André para a repescagem; Mick Fanning venceu Bede Durbidge e Kelly Slater que surfou abaixo da expectativa para alguém que é onze vezes campeão mundial.

Julian Wilson, Michel Bourez e Connor O’Leary também venceram seus respectivos heats.

O segundo round

Destaque na fase, Miguel Pupo, apesar de não estar na sua melhor forma, conseguiu passar por Jack Freestone que também não exibiu bom resultado nas suas últimas performances.

Yago Dora, o furacão que arrasou o Oi Rio Pro, caiu do ritmo no segundo heat para Joel Parkinson com resultados próximos.

O brasileiro Bino Lopes deu as caras na elite mas deixou a competição em 25º após o duelo contra Sebastian Zietz, uma ameaça constante que somou 18,43 no terceiro heat.

Slater passou bem acima de Ethan Ewing com 15,53 contra 9,00.

Wiggolly Dantas e Jadson André fizeram o heat brasileiro do round. Wiggolly venceu e o oponente confessou que não soube escolher as ondas e tem errado por afobação. Em entrevista, Jadson disse que retornará logo ao Brasil para treinar e voltar a performar o seu melhor.

Jeremy Flores levou o oitavo heat do segundo round contra Nat Young. Após pegar uma onda com as rasgadas poderosas que são sua marca e alcançar a nota 8, o francês fez um drop dificílimo e veio surfando um tubo perfeito, possivelmente a melhor onda de todo o segundo dia em Fiji, caiu perigosamente na finalização mas ainda faturou 9,57, o que não deixou chance alguma para o americano.

Stuart Kennedy que vinha mal no campeonato, venceu Ezekiel Lau no nono heat.

Ian Gouveia bateu Kanoa Igarashi, que teve um somatório de notas bem abaixo da sua real capacidade.

A primeira parte do terceiro round

Gouveia e Wright fizeram um heat de nível altíssimo. O brasileiro, que é calouro no CT, competiu como se já estivesse na elite há tanto tempo quanto o australiano. Logo no início Ian surfou um tubo nota 8.33 e se manteve à frente de Wright por bastante tempo. Em seguida o brasileiro continuou a sua melhor performance da temporada, com 7.33 e o big man teve sua chance de vencer com uma nota alta, mas não era para ser. Owen, segundo colocado do Jeep Leaderboard, está sempre a um passo do jersey amarelo. Mas não mais em Fiji.

Julian Wilson não deixou Frederico Moraes trabalhar. O português mal conseguia estar na água diante da fome de Julian em todas as ondas. Com uma performance visivelmente superior, Wilson levou com 4.48 de diferença.

Matt Wilkinson atropelou Miguel Pupo no sentido mais profundo da palavra: o brasileiro não conseguiu fazer absolutamente nada. Todos sabem da habilidade de Pupo, mas ela não se mostrou presente – e talvez a culpa não fosse dele. Wilkinson estava feroz: nos cinco primeiros minutos do heat, o australiano pegou duas boas ondas que já começaram com um bom somatório, enquanto Pupo se sentiu pressionado a mostrar serviço, porém, sem sucesso. O resto do heat foi show de manobra de Wilko pegando tudo com ou sem prioridade e impedindo o brasileiro de pontuar o que fosse.

A disparidade das performances ficaram representadas no resultado de 16,84 x 5,67 para o australiano (Foto: Divulgação/WSL)

Na disputa mais decisiva e talvez até pessoal, Medina confirmou a freguesia para de Ítalo Ferreira. Das cinco vezes que os brasileiros e goofys se enfrentaram, Ítalo venceu 4 delas, somando agora mais uma vitória contra o campeão de 2014 no quarto heat do terceiro round. Logo no início da batalha, Medina transformou a água em vinho pontuando 8.10 em uma onda que quase nenhum outro competidor conseguiria tirar mais do que 3 ou 4. Mesmo assim, a proeza não foi o suficiente para superar a sina de cair para Ítalo. Resultado: 15,83 contra 15,47.

Depois de ter feito “milagre”, o brasileiro merecia melhor sorte. Mas ela não veio (Foto: WSL/Kelly Cestari)

Ontem, dia 05 de junho as águas de Fiji não estavam para o surf – day off. As competições retornam hoje normalmente.

Izabelle Souza

Izabelle Souza

Estudante de Publicidade, 20 anos, nascida e criada entre Niterói e São Gonçalo. A criança que queria correr na F1, mas acabou nadando até chegar na praia. E ainda bem que chegou! Da areia, não conseguiu evitar se apaixonar pelo surf. Da vida, não foi capaz de separar o trabalho do esporte.



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