IndyCar: Dobradinha de Graham Rahal em Detroit e indefinição no campeonato

IndyCar: Dobradinha de Graham Rahal em Detroit e indefinição no campeonato

Graham Rahal, da Rahal Letterman, comemora vitória no pódio, com James Hinchcliffe em segundo. (Foto: IndyCar/Reprodução)

A rodada dupla de Detroit teve dobradinha de Rahal, mas a disputa na classificação do campeonato segue aberta

A repercussão causada pela última edição das 500 Miilhas de Indianápolis, realizada na última semana, ainda irá pairar no ar do automobilismo mundial por um bom tempo. Mas é fato que, com o tempo, a euforia passa e dá lugar à tranquilidade com a qual os fãs estão acostumados. Ou pelo menos parte dela, já que há de se considerar que a presença de Fernando Alonso no grid da Indy500 trouxe novos fãs para a categoria.

A competição voltou à atividade neste final de semana com a rodada dupla de Detroit, realizada no sábado (3) e no domingo (4). Porém, se as expectativas mais altas estavam sob o vencedor da prova mais charmosa do automobilismo, Takuma Sato, e o 2º colocado na disputa, Hélio Castroneves, quem se destoou durante todo o fim de semana foi outro piloto: Graham Rahal. O americano de 28 anos não só se destacou nos treinos livres – tendo terminado um deles em 1º – como largou na pole position na primeira corrida e, apesar de ter perdido a posição de largada privilegiada no domingo para Sato, venceu as duas provas. Outra surpresa do final de semana foi o anúncio de que Esteban Gutierrez, ex-F1 e atual piloto da Fórmula E, se juntaria aos outros para participar da corrida, em substituição à Sebastien Bourdais, acidentado durante os treinos para a Indy500.

No grid de largada

Graham Rahal largaria na frente, já que Hélio Castroneves sofreu punição por não respeitar as bandeiras amarelas na classificação. A corrida 1 começou com bandeira amarela após James Hinchcliffe acertar o muro e por pouco não atingir Josef Newgarden, logo nas voltas iniciais. Na relargada, Graham conseguiu manter a sua posição com vantagem, mesmo tendo Hélio em sua cola e logo atrás, Sato e Rossi, da Andretti. O líder da prova fez a sua primeira parada na volta 23 e Castroneves, que havia parado algumas voltas antes, assumiu a liderança. A bandeira amarela acionada após Charlie Kimball rodar em uma curva e acertar Conor Daly fez uma pequena bagunça no grid com as paradas realizadas pelos pilotos, mas pouco alterou a classificação no pelotão da frente. Pelo menos até a 36ª volta, quando Rahal reassumiu a liderança.

A largada da corrida 1 em Detroit foi limpa, com Graham Rahal na ponta (Foto: IndyCar/Reprodução)

As estratégias foram fundamentais para o resultado da corrida. A Penske, apesar de preparar estratégias diferentes para os 4 pilotos da equipe, não foi tão eficaz quanto era esperado. Foi justamente a estratégia que afastou Castroneves da vitória e que auxiliou, principalmente, Rahal e Hinchcliffe, que havia sofrido uma batida nas voltas iniciais. O americano da Rahal Letterman fez mais uma parada na volta 48 e não teve dificuldades em voltar para a ponta e administrar a vantagem até as voltas finais.

Praticamente definido o vencedor da prova, ainda havia disputa pelas posições seguintes. Josef Newgarden tirou proveito das três paradas que realizou durante a prova e foi para cima em busca de um lugar no pódio. De 5º, o americano ultrapassou Alexander Rossi e pulou para 4º. Tentou pressionar Hinch, em 3º, mas o canadense segurou bem a posição e se manteve bem até o final da corrida, que terminou com vitória de Rahal, Scott Dixon em 2º e Hinchcliffe completando o pódio. Os brasileiros terminaram em posições mais modestas; Hélio Castroneves em 7º e Tony Kanaan, da Chip Ganassi, mais atrás, em 10º.

A segunda prova de Detroit foi realizada no dia seguinte, no domingo. Graham Rahal repetiu a estratégia da corrida anterior, venceu novamente e se tornou o primeiro piloto a vencer em duas ocasiões na temporada 2017.

Dessa vez, quem largou na pole position foi Takuma Sato, seguido de Ryan Hunter-Reay, também da Andretti, e Graham Rahal e, logo atrás, Hélio Castroneves e James Hinchcliffe. As posições se manteram nas voltas iniciais, até o canadense da Schmidt-Peterson parar e sair prejudicado por conta de um drive-through por ultrapassar o limite de velocidade nos pits. A partir daí, a situação tranquila da corrida começou a se alterar. Rahal pressionou Hunter-Reay e conseguiu a sua posição, um confortável 2º lugar. Hélio também tentou ganhar posições, mas seu pneu furou ao tocar o carro de Hunter-Reay; o brasileiro precisou ir aos boxes. O americano da Andretti também havia sido prejudicado com o toque e, mais lento na pista, perdeu posições até adiantar a sua parada para reparos.

Contando com o talento dos pilotos, a Penske foi mais feliz no domingo com a sua estratégia, pelo menos para Josef Newgarden. O piloto, 5º na classificação do campeonato, aproveitou as paradas dos outros carros para aumentar o ritmo e assumir a liderança, onde se manteve até a sua vez de ir para os boxes. Com a sua saída, quem tomou conta do pelotão da frente foi Graham Rahal, enquanto Newgarden voltaria na 5ª posição. Porém, o último não demoraria a superar Will Power, Takuma Sato e Simon Pagenaud e disparar na vice-liderança. A disputa, então, se concentrou entre os dois primeiros pilotos.

Quase! Por pouco, Newgarden não alcança Rahal, em 1º lugar (Foto: IndyCar/Reprodução)

Na corrida de 70 voltas, Rahal conseguiu manter um ritmo constante e administrar bem a vantagem até o final da prova, mas a turbulência das voltas finais quase pôs em risco a vitória do piloto. Newgarden pressionou o líder da corrida até onde pôde e a cada volta descontava a diferença entre os dois, até uma bandeira amarela surgir a 5 voltas do fim, quando o motor Honda de Hinchcliffe parou. Antes mesmo da relargada, foi a vez de Spencer Pigot causar outra bandeira, mas vermelha, após explodir o motor em meio à muita fumaça. A prova foi paralisada por algum tempo e reiniciou com apenas 3 voltas para o fim. Apesar da pressão, porém, Graham Rahal se afastou de Josef Newgarden e garantiu a dobradinha, vencendo pela segunda vez no final de semana. Dobradinha também para a Penske, que colocou seus pilotos em 2º e 3º; Newgarden e Power, respectivamente.

Novamente ele, Graham Rahal, mas dessa vez acompanhado por dois pilotos da Penske: Newgarden e Power (Foto: IndyCar)

Com o resultado da prova, Rahal pulou para 6º na classificação geral do campeonato. Scott Dixon é o líder, com 303 pontos, sendo seguido por Castroneves. A disputa ainda está em aberto, já que os primeiros 5 da tabela têm grandes chances de levarem o título e, a cada corrida, a posições têm se alterado, prova da alta competitividade e do equilíbrio da categoria. A IndyCar retorna no próximo sábado à noite, no circuito oval do Texas.

Bruna Rodrigues

Bruna Rodrigues

Jornalista em formação, flamenguista de nascimento e fã de automobilismo – em especial, F1 e IndyCar (por opção). Transfiro para as palavras a emoção e a paixão que o esporte me faz sentir e, nas horas vagas, também finjo que sei jogar videogame e futebol.



Related Articles

Haas e Sauber: disputa nas últimas filas do grid

Foto: Motorsport As duas equipes são inegavelmente as mais fracas da Fórmula 1. Elas ocuparão as últimas posições do grid

Surpreendente, lendária, vibrante: essa é a Indy500

Grid de largada da 101ª edição das 500 Milhas de Indianápolis (Foto:Beto Issa) Uma prova de 200 voltas que, apesar

Ferrari surpreende e Vettel fatura a primeira corrida do ano

A Ferrari está de volta? (Foto: Getty Images) Sem vencer uma corrida desde 2015, escuderia italiana conquista o primeiro lugar

No comments

Write a comment
No Comments Yet! You can be first to comment this post!

Write a Comment

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*

error: Couteúdo protegido