Juventus x Real Madrid – Um duelo de gigantes

Juventus x Real Madrid – Um duelo de gigantes

Final em Cardiff colocará frente a frente Juventus e Real Madrid, 19 anos após a última final entre os dois. (Imagem: Reprodução/Jornal Marca)

Final da UEFA Champions League, amanhã, em Cardiff, coloca frente a frente, dois dos maiores clubes da Europa: os Alvinegros de Turim e os Merengues de Madri.

Depois de uma intensa e exaustiva temporada, Blancos e Bianconeros se encararam em Cardiff. Mas o confronto não é inédito e tem muita história envolvida. Acompanhe com a RISE Esportes um “esquenta” para esse jogão:

Confrontos anteriores

Como dito, Juve x Madrid está longe de ser um confronto inédito na história das competições europeias: ao total foram 18 jogos entre os dois gigantes. Sempre na UCL ou na Copa dos Campeões (como era o nome da Champions até 1992). O retrospecto mostra equilíbrio, com 8 vitórias para cada e dois empates. Entretanto, em 6 vezes que se enfrentaram em jogos eliminatórios, o clube italiano eliminou o Real Madrid em 4, tendo também a vantagem nos gols feitos em geral nos confrontos: 21, contra 18 dos merengues.

O Real Madrid, apesar do número de eliminações, pode se gabar de ter ganho o que foi o jogo mais importante entre as duas equipes (até o jogo de sábado, pelo menos): a final da UCL de 1998. Naquele ano em questão, o time merengue não era dado como favorito e era pressionado por um jejum de 32 anos sem um título da Liga dos Campeões. Em jogo intenso e disputado a equipe espanhola venceu por 1×0 com gol de Mijatovic, após pegar sobra de chute mascado de Roberto Carlos. Curiosidade é que o atual técnico do Madrid, Zinedine Zidane, atuava pela equipe da Juventus naquela final.

Do lado da Juve, a partida mais celebrada é a de volta da semifinal de 2002-2003, onde após perder por 2×1 no jogo de ida no Bernabéu, chegou a sapecar 3×0 no celebrado time dos Galáticos, em partidaças de Del Piero e Nedved, autores de dois golaços cada – Trézéguet fez o outro. Zidane ainda cumpriria a lei do ex e diminuiria. Mas um atordoado Real não conseguiu fazer mais um e se classificar. Tão boa foi a atuação dos alvinegros de Turim, que a partida ficou conhecida como “la partita perfetta della Juventus”. Os bianconeri se classificaram para a final caseira contra o Milan, onde acabaram derrotados nos pênaltis.

Mijatovic tira de Peruzzi e dá o título da UCL de 98 para o Madrid.(Foto: UEFA)

As curiosidades se expressam através dos números:

Vitórias: Real Madrid e Juventus com 8 cada

Mais vitórias em casa: Juventus com 6

Mais vitórias fora: Juventus com 2

Mais vitórias em campo neutro: Real Madrid com 2

Maiores artilheiros: Cristiano Ronaldo e Del Piero com 5 gols, em 4 e 9 jogos respectivamente

O caminho até aqui

O Real Madrid teve uma trilha complicada até a final: conseguiu fazer 5 a 1 no Legia Varsóvia, mesmo tendo tomado sufoco; empatou com o mesmo em 3×3 em jogo de portões fechados na Polônia; venceu duas vezes o Sporting de forma apertada, com o jogo no Bernabéu sendo vencido com os dois gols merengues após os 90′ e empatou duas vezes com o Borussia Dortmund em 2×2. Ficou na segunda colocação do Grupo F com 12 pontos, fazendo 12 gols e sofrendo 10.

Classificado em segundo lugar, pegou o Napoli de Hamsik e Mertens e venceu os dois jogos por 3×1, tendo saído atrás e com a sua classificação ameaçada em alguns momentos dos confrontos. Com o ritmo de jogo oscilando, muitos deram os merengues como desclassificados frente ao Bayern, nas quartas. Com 11 títulos na bagagem e Cristiano Ronaldo ressurgindo das cinzas, com 5 gols nos dois confrontos – e o gajo só tinha feito 2 nos 8 jogos anteriores – o Madrid ganhou de 2×1 em Munique e por 4×2 no Bernabéu. Nas semis, o destino reservava o quarto encontro seguido entre os madridistas e o Atlético de Madrid. Mas o português, de novo, resolveu marcar um hat-trick e praticamente classificar o Real já na ida. No jogo de volta, os colchoneros até chegaram a assustar marcando dois gols nos 15 primeiros minutos, mas Isco diminuiu e a derrota de 2×1 classificou los blancos.

Diferentemente do Real Madrid, a Velha Senhora não viveu anos tão mágicos nas últimas edições da Champions League, apesar do domínio local. Antes da decisão em 2014/15 contra o Barcelona, a equipe italiana cambaleou. Foi eliminada até mesmo na fase de grupos; outras vezes nas oitavas. Quando ia longe, chegava às quartas. Aquela partida contra a equipe culé foi a amostra de que a Juventus ainda é uma força importante no cenário europeu. O único problema da equipe que tinha nomes como Pirlo, Tevez e o jovem Pogba foi enfrentar a equipe espanhola com o trio Messi, Suárez e Neymar no auge da forma técnica.

Os destaques

Além de Ronaldo, Real Madrid tem seus dois laterais como principais destaques.(Foto: Diário AS)

Natural que, quando se pense em Real Madrid, o que se vem a mente entre os grandes destaques é Cristiano Ronaldo, e o gajo faz por merecer isso: dos 32 gols do Real Madrid nessa Champions, participou de 15 deles( 10 gols e 5 assist.) mas outros dois jogadores merengues merecem ser destacados, e ambos jogam nas laterais: Carvajal e Marcelo. Num time que usa muito as jogadas pelos lados, os dois laterais se sobressaíram mostrando fôlego invejável e alto volume ofensivo. O espanhol, inclusive, é o 4º maior assistente dessa UCL com 4 passes para gol.

Enquanto isso, a Juve aposta em seu trunfo: a identidade. O futebol cada vez mais globalizado fez com que a maioria das grandes equipes europeias tenham perdido um “registro nacional”, mas esse não foi o caso da maior campeã da Itália. Mesmo com jogadores de diferentes nacionalidades no setor ofensivo, o “trio BBC” (Bonucci, Barzagli e Chiellini) e o goleiro Buffon formam uma base extremamente sólida na defesa, o que dá ao resto da equipe para atacar. Mais do que isso: dá também a cara aguerrida e lutadora que clubes italianos sempre tiveram.

Prévia da Final

A Juventus possui a melhor defesa dessa Champions League; Buffon, Bonucci, Chiellini e os brasileiros Alex Sandro e Daniel Alves formam o que talvez seja, atualmente, o melhor sistema defensivo do mundo. O Real Madrid possui o melhor ataque com Cristiano, Benzema e, agora, Isco sendo motivos de dor de cabeça para qualquer defesa. Mas os times não se resumem só a isso, contando com excelentes meios de campo: Pjanic, Khedira, Cuadrado e Mandzukic do lado bianconero e Casemiro, Modric, Kroos e Isco do lado blanco.

Com tanto equilíbrio em cada um dos setores, as disputas territoriais vão ser a toada da partida, com Cuadrado e Dani Alves tentando aproveitar os espaços nas costas de Marcelo e o camisa 12 tentando empurrar os dois adversários para seu campo de defesa. No meio, a disputa vai ser para ver quem conseguirá controlar o setor e ditar o ritmo da partida, com Modric de um lado e Pjanic de outro. Chiellini contra Ronaldo vai ser outra disputa que merecerá atenção. O jogo será disputado e intenso, e com aquela tensão digna das grandes finais.

Esses dois causaram problemas no lado esquerdo do Madrid.(Imagem: Sky Sports)

Tentando sair um pouco mais do muro nos prognósticos para a partida, é importante considerar alguns fatores: a Juventus, nesse mata-mata da UCL só levou um gol, de Mbappé no jogo de volta em Mônaco, não sendo vazado nem mesmo pelo poderoso trio Messi-Suárez-Neymar. O Real Madrid só não foi vazado em uma partida no mata-mata – e mesmo contando a Champions toda – o jogo contra o Atlético no Bernabéu. Ou seja: é muito difícil fazer gol na Juventus, enquanto é pouco complicado fazer gol no Madrid. Um gol bianconero é quase certo de acontecer. Além disso em 6 dos 12 jogos do time espanhol na competição, os madridistas começaram perdendo. Além de ter grandes chances de fazer gol, os juventinos ainda o farão primeiro muito provavelmente.

Entretanto, a Juventus abrir o marcador não lhe dá tantas certezas de vitória assim, já que em 5 dessas partidas os comandados de Zinedine Zidane viraram o marcador. A exceção foi o jogo de volta contra o Atlético onde, todavia, mesmo a derrota os classificava. A Juventus provavelmente inaugurará o marcador, mas também são existentes as chances de uma “remontada” merengue.

Contudo, a Juventus vai à final invicta e, como os números defensivos mostram, é difícil demais fazer gol e vencer os Bianconeri. Se trata de um time com uma concentração absurda, que beira o perfeccionismo. Apesar de ser algo recorrente, virar uma partida para cima de Buffon e sua trupe pode ser missão quase impossível para os merengues.

Falando em Buffon, o goleiro vai tentar pela terceira vez erguer a “orelhuda”. Após fazer grande partida mesmo saindo derrotado em 2015 para o Barcelona, o goleirão certamente reserva uma atuação tão ou mais destacada quanto aquela.

Mas sair da final com um clean sheet pode ser meta difícil para o goleiro, já que Cristiano Ronaldo é um de seus maiores carrascos – a nível de média de gols pelo menos – em 4 jogos em que se enfrentaram por clubes, 5 gols marcou o português. Marcando em cada uma das partidas. Pela média de gol nos encontros, é possível se esperar pelo menos um do gajo.

Contra o talvez melhor goleiro de todos os tempos, Cristiano Ronaldo nunca ficou sem marcar.(Imagem: Max Rossi/Agência Reuters)

Porém Ronaldo tem outro retrospecto curioso que pode despreocupar um pouco os Bianconeri: o português também já chegou a uma final consecutivamente após ganhar outra nos seus tempos de Manchester United, e pouco fez na derrota por dois a zero dos Red Devils para o Barcelona de Messi e Guardiola.

Retrospecto excelente em finais tem mesmo é o capitão merengue Sérgio Ramos: nas duas últimas finais europeias do Madrid, dois gols. Um empatando um jogo que parecia derrota certa aos 93′ e outro abrindo o marcador. Duas taças levadas para Cibeles. Ramos gosta de aprontar em jogos decisivos e, não é improvável que queira aprontar nessa final. De novo.

Fora isso, em um jogo que se promete disputado e intenso desde o primeiro minuto, uma mudança pode ser decisiva para os rumos da partida. E aí é preciso se constatar um fato: o Real Madrid possui um elenco com maior leque de opções, com um banco mais preparado e com mais alternativas para determinadas situações de jogo. Não é todo time que se dá ao luxo de ter Morata, James e Bale – ou Isco – entre os suplentes.

Outro fator, é que a equipe italiana chega um pouco mais pressionada para o confronto. Maior vice da Champions – com 6 finais perdidas – o clube não ganha uma UCL há 21 anos, quando Del Piero, Ravanelli, Vialli e cia. venceram o Ajax nos pênaltis. A título de comparação, enquanto a Juve tem 25% de aproveitamento em finais da competição, o Madrid tem 78,6%. Porém, o Real Madrid tentará fazer esse ano algo que não consegue desde a temporada 1957-1958: fazer uma dobradinha com o título espanhol e a Liga dos Campeões.

Um ponto que também deve ser citado, ainda que também não signifique nada a rigor, é que, apesar do time bianconero ter eliminado mais vezes o Madrid, isso se deveu muito ao fator casa da equipe italiana – e da histórica dificuldade merengue em jogar em campos italianos – nas duas vezes em que se enfrentaram em jogos em locais neutros a vitória foi madridista: 3×1 no Parc des Princes na França em 1962 pelo jogo-desempate das quartas de finais da Copa dos Campeões e 1×0 na Amsterdam Arena em 1998 na final daquela edição.

Em finais de Liga dos Campeões, o aproveitamento dos merengues é muito superior aos dos bianconeri.(Imagem: UEFA)

Levando em conta todos esses dados importantes (e os nem tão importantw), se fosse tentar prever um cenário dessa final, seria este: Juventus abre o marcador com, Higuaín fazendo valer a lei do ex, e espantando momentaneamente sua urucubaca em finais. No segundo tempo, o Madrid empata com outro gol em finais de Ramos. A partida é igual e os dois times vão para a prorrogação, nela Cristiano Ronaldo faz seu 6º gol em Buffon e sela o título merengue. Suposições, apenas.

Melhor do que supor, é estar em frente à TV (ou tablet, ou PC, ou celular ou o famoso radinho de pilha, o importante é ver!) para assistir esse jogão de bola entre dois grandiosos times numa imperdível final. Até lá!

 


Matheus Wesley

Aspirante a jornalista e apaixonado por futebol onde se parlla e onde se habla. Fã de tática e da história desse esporte incrível. Considera Zizou a síntese do “jogo bonito” e acha os desarmes de Cannavaro, Baresi e Maldini uma obra-prima tão bela quanto qualquer gol. Twitter: @Matheus11Wesley

Breno Peçanha

Breno Peçanha

Natural de São Gonçalo, estudante de jornalismo na UFF e estagiário do Globoesporte.com. Vascaíno fanático e torcedor do Leeds United em solo europeu, além de simpatizar com o St. Pauli na Alemanha. Uma das coisas que mais gosto é ler e contar histórias do futebol que pouca gente conhece, especialmente se der para colocar humor. Introvertido, apesar de tudo.



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