Surpreendente, lendária, vibrante: essa é a Indy500

Surpreendente, lendária, vibrante: essa é a Indy500

Grid de largada da 101ª edição das 500 Milhas de Indianápolis (Foto:Beto Issa)

Uma prova de 200 voltas que, apesar de longa, sempre deixa um gostinho de “quero mais”

Com domínio do motor Honda sobre os Chevy, uma aparição discreta da Penske e o brilho de Fernando Alonso e Takuma Sato, a 101ª edição das 500 Milhas de Indianápolis não apenas cumpriu a expectativa que promovia, todos os anos; ela foi além. A corrida mais tradicional do mundo não pecou em apresentar aos velhos e aos novos fãs o que ela tem de melhor: emoção, intensidade e muita vivacidade, puro automobilismo “raíz”.

A cerimônia de abertura no Indianapolis Motor Speedway foi recheada de tradição, marcada pelo patriotismo típico dos estadunidenses; com execução do Hino Nacional – na voz da cantora Bebe Rexha – e lembranças do Memorial Day, feriado que homenageia militares americanos mortos em combate e veteranos de guerra. Outras personalidades figuraram no evento, como o DJ Zedd e o ator Jeffrey Dean Morgan, que pilotou o pace car nas voltas de apresentação da prova. Mas apesar das presenças ilustres, a estrela do dia foi outro piloto: Fernando Alonso.

O bicampeão de Fórmula 1, que antes era uma incógnita, se mostrou um sucesso dentro e fora das pistas americanas; apesar de não completar as 200 voltas, teve um desempenho brilhante durante os treinos e a corrida e ainda alavancou consideravelmente a popularidade da IndyCar – um pouco mais reclusa ao continente americano atualmente – no mundo. Porém, a Indy500 não teve um final feliz só para ele: Takuma Sato, inesperadamente, se tornou o vencedor da corrida e fez história no circuito mais antigo dos Estados Unidos.

Ladies and gentlemen, start your engines!

A largada das 500 Milhas foi limpa. Scott Dixon, da Chip Ganassi, manteve a liderança, assim como Ed Carpenter segurou bem a segunda colocação, enquanto o brasileiro Tony Kanaan assumiu a 4ª posição de Fernando Alonso, que começou a prova mal, perdendo várias posições. Nas confusas voltas iniciais, quem também surpreendeu foi Will Power, que escalou posições e conseguiu sair de 9º para 2º em pouco tempo. Poucos giros depois, Kanaan pulou para a ponta ao ultrapassar Dixon. Quem acompanhou a prova pela primeira vez pode ter até estranhado o troca-troca, mas é justamente isso que dá à categoria o tom competitivo que a diferencia de outras.

O novato Fernando Alonso (McLaren-Honda-Andretti) foi um dos destaques da prova, mesmo não tendo completado a corrida (Foto: Beto Issa)

Se no início da corrida Fernando Alonso demonstrou ainda não estar totalmente adaptado à IndyCar, no decorrer dela a história foi outra: mostrou porque é considerado um dos melhores pilotos da atualidade. O bicampeão protagonizou disputas intensas durante a corrida, como com Scott Dixon nas 30 primeiras voltas e com Alex Rossi pela ponta em boa parte da corrida, mas após ver a liderança passar pelas mãos de vários pilotos, finalmente pôde agarrá-la na volta 37. A pequena conquista era gigante para ele; aquela era a primeira vez em 3 anos que o piloto se mantinha em primeiro durante uma corrida – e lá esteve durante um total de 37 voltas.

Como de costume, as 500 Milhas, prova realizada num circuito oval, foram palco de uma série de acidentes que alteraram o curso da corrida. O mais preocupante deles foi na volta 51, envolvendo Scott Dixon e Jay Howard. O piloto inglês foi reto na curva e se encontrou no meio da pista com Dixon, decolando por cima do neozelandês e indo de encontro à grade de proteção. Hélio Castroneves ainda passou por baixo do carro “voador” de Howard e, ao transitar sobre a sujeira na pista, perdeu um pedaço da carenagem do carro.

Por pouco, Scott Dixon não é atingido pelo carro de Jay Howard. Apesar do susto, nenhum dos pilotos se feriu. (Foto: Mark J. Rebilas)

Pouco depois, foi a vez de Conor Daly causar uma pequena confusão na pista. O piloto da A.J Foyt se “afobou” ao tentar uma ultrapassagem e, ao ir direto para o muro, ainda atingiu Jack Harvey. Passada a bandeira amarela causada pelos pilotos, foi a vez de Castroneves assumir a liderança e administrar bem a posição, perto da centésima volta. O piloto estava em um lugar privilegiado, já que era o único da Penske que tinha um carro em boas condições e chances reais de vencer.

A segunda metade da corrida foi mais turbulenta que a primeira, marcada por mais paradas e mais batidas na pista. Na volta 121, Buddy Lazier não conseguiu se manter na trajetória da curva 1, girou e bateu, ocasionando mais uma bandeira amarela. Alguns giros depois, um incidente que também foi uma premonição: o motor Honda de Ryan Hunter-Reay quebrou e tirou o piloto da disputa. O que ninguém esperava é que, a menos de 30 voltas para o fim da corrida, o mesmo acontecesse com Alonso. Assim como já se tornou comum para ele na Fórmula 1, seu motor Honda decepcionou; começou a soltar fumaça, indicando falência. O espanhol viu terminar ali o sonho de vencer as 500 Milhas. Porém, não enxergou a situação como um ponto final em sua felicidade. Muito aplaudido, Alonso saiu de Indianápolis apaixonado, garantindo o desejo de voltar em breve, para alegria dos fãs do esporte.

Se o ritmo da corrida pareceu se estabilizar após a saída de Alonso, foi apenas momentâneo. Praticamente no fim da prova, um big one bagunçou a classificação e esquentou o clima da prova. Oriol Servià acertou James Davison. Na confusão, Will Power perdeu o controle do carro, se chocou com James Hinchcliffe e ainda atingiu Josef Newgarden. Faltando 11 voltas para o fim da corrida, a bandeira verde deu aval para que os pilotos pudessem acelerar. Castroneves levou o recado à sério; o piloto estava em um ritmo muito mais forte que antes e se aproveitou das últimas bandeiras amarelas para conseguir, na base da estratégia, uma boa posição. Duas voltas depois, o piloto deixou Max Chilton para trás e ficou em 2º lugar e, na volta 194, fez uma ultrapassagem dura sobre Takuma Sato para assumir a liderança.

Mais uma vez, Hélio Castroneves, da Penske, ficou no quase (Foto: Carsten Horst/Hyset)

Até aquele momento, a 4ª vitória do piloto paulista na Indy500 parecia realidade, porém, Sato não deixou barato e pressionou o rival até encontrar espaço para fazer a ultrapassagem e tomar a frente. Hélio bem que tentou recuperar a boa posição perdida, mas o japonês da Andretti se segurou como pôde até a volta final. Surpreendendo todos – de forma positiva, claro – Sato se sagrou campeão da 101ª edição das 500 Milhas de Indianápolis e ainda se tornou o primeiro piloto japonês a vencer ali.

Com o icônico troféu Borg-Warner ao fundo e a tradicional garrafa de leite, Takuma Sato celebra a conquista histórica (Foto: Carsten Horst/Hyset)

Com um público diferente na edição de 2017 devido à presença do rookie mais badalado de Indianápolis, a corrida mais charmosa do mundo fez jus à sua fama e, sem dúvidas, provou porque é automobilismo na essência. Aos novos fãs: bem-vindos! Essa é a IndyCar.

Bruna Rodrigues

Bruna Rodrigues

Jornalista em formação, flamenguista de nascimento e fã de automobilismo – em especial, F1 e IndyCar (por opção). Transfiro para as palavras a emoção e a paixão que o esporte me faz sentir e, nas horas vagas, também finjo que sei jogar videogame e futebol.



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