NFL – Análise da temporada: Miami Dolphins

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Os Dolphins tiveram desempenho acima do esperado em 2016 (Foto: Wilfredo Lee/AP)

Um RB que surgiu do nada correndo mais de 200 jardas; confira como foi a temporada do Miami Dolphins

Campanha em 2016: 10-6; segundo lugar na AFC Leste

Quem diria que o Miami Dolphins voltaria aos playoffs em 2016? Nem o mais otimista torcedor dos Golfinhos esperava por isso. Principalmente com a lesão do quarterback Ryan Tannehill no final da temporada. Com o melhor QB reserva da NFL, Matt Moore, Miami aguentou firme e conseguiu a vaga no wildcard.

O mais impressionante é que os Dolphins perderam quatro das primeiras cinco partidas do ano – sendo a única vitória contra o Cleveland Browns. O clima já era de tensão e críticas para o novo técnico, Adam Gase. Depois disso foram seis triunfos consecutivos e outra sequência com mais três.

Numa divisão com o New England Patriots de Bill Belichik e Tom Brady é difícil pensar em título. É como se Bills, Jets e Dolphins já entrassem com duas derrotas garantidas. Nesse cenário, Miami foi perfeito. Perdeu as duas para NE, mas ganhou os quatro confrontos diretos contra New York e Buffalo.

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Ryan Tannehill e sua habilidade de involuir (Foto: Gail Burton/AP)

Apesar de mais um ano de Tanehill “andando para trás”, Jarvis Landry e Kenny Stills conseguiram fazer um barulho. A estrela, porém, foi Jay Ajayi, que surgiu do nada e começou a fazer jogos correndo 200 jardas. Mas todo o esforço dos Dolphins parou no Wildcard Game, quando Le’Veon Bell castigou a frágil defesa terrestre da franquia.

O que deu certo: Jay Ajayi = 200 jardas

O Miami Dolphins tem sido rei de fazer besteira na free agency ultimamente. Perde seus talentos jovens e contratam veteranos por um valor semelhante –  ou até maior – de contrato. A saída de Lamar Miller foi um desses casos de prodígios indo embora, e a chegada de Arian Foster um dos exemplos de veteranos problemáticos.

Dessa vez Miami deu sorte. Arian Foster já vinha de uma temporada problemática de lesões em Houston e pouco atuou pela equipe da Flórida. Eis que Jay Ajayi assume a posição de RB titular. E no primeiro jogo com pelo menos 20 carregadas, anota 204 jardas terrestres e atropela o Pittsburgh Steelers. A façanha na Semana 6 iniciou a arrancada de seis vitórias seguidas do time.

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Jay Ajayi 200 yards outta nowhere (Foto: Wilfredo Lee/AP)

Na semana seguinte contra os Bills foram 214 jardas e na Semana 16, também contra Buffalo, foram mais 206. O camisa 23 entrou num seleto grupo de running backs que conseguiram jogos consecutivos de 200 jardas. São eles: O.J. Simpson, Ricky Williams e Earl Campbell.

No fim, Ajayi foi o quarto RB com mais jardas terrestres na NFL, com 1272 – mesmo sem jogar a temporada toda como titular. A carreta furacão da Flórida ainda anotou 8 touchdowns e conseguiu uma média de 4.9 jardas por corrida. Seu desempenho ainda ajudou a tirar bastante a pressão de Tannehill lançar a bola.

O que deu errado: pela terra fere, pela terra será ferido

Do mesmo jeito que Miami castiga os adversários com as corridas de Ajayi, a franquia sofre com as corridas dos RB adversários. Le’Veon Bell fez a festa com 167 jardas e 2 TDs no jogo de playoff contra os Dolphins, por exemplo.

O front seven dos Golfinhos até possui alguns nomes interessantes. Mas, ou seus membros têm problemas de lesão, ou sofrem com a idade avançada – as vezes até, os dois simultaneamente. Ndamukong Suh não é aquele mesmo dos tempos de Detroit Lions. Entretanto, continua sendo o melhor do time contra o jogo terrestre.

Para ajudar nisso veio Lawrence Timmons, ex-Steelers, mas que já tem seus 31 anos. Caso Kiko Alonso se lesione – há uma chance razoável de acontecer -, a coisa pode ficar mais feia que a 30ª pior defesa terrestre da NFL.

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Bell passeou, literalmente, pela defesa dos Dolphins (Foto: Don Wright/AP)

No pass rush Cameron Wake fez uma temporada espetacular – inesperada pelos seus 35 anos. Foram 11.5 sacks. Por outro lado, seu parceiro de caçar QBs, Mario Williams, foi um fiasco. Após anotar apenas 1.5 sack, Mario foi dispensado para 2017. O reforço para seu lugar? William Hayes, ex-Rams, de 32 anos.

A notícia boa é que os Dolphins não ficaram só nestes veteranos. As duas primeiras escolhas do draft foram para reforçar o grupo de linebackers. Charles Harris, de Missouri, e Raekwon McMillan, de Ohio State.

Saldo: positivo mais que demais

Os Dolphins saíram de um buraco 1-4 para 10-6 terminando a temporada com o QB reserva. De todos os anos desde 2008, esse era um dos que menos se esperava que Miami voltasse aos playoffs.

Para pelo menos repetir o desempenho, os The Fins vão precisar que Ryan Tannehill pare de “caminhar para trás” e evolua como QB. Agora com o jogo corrido de Jay Ajayi dando suporte, pode ser a prova final para o QB mostrar se tem nível ou não para comandar a franquia.

Se Miami rejuvenescer a defesa, pode se tornar o principal postulante a desafiar o New England Patriots quando Brady cair de rendimento ou se aposentar. Para isso os Dolphins têm de caminhar certo. E a primeira temporada de Gase no comando foi animadora.

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Vinícius Mathias

Vinícius Mathias

Jornalista e ala-armador nas horas vagas. Sofre nas ligas americanas com Timberwolves, Jaguars, Sharks e Angels. Se arrepende por não ter escolhido o Seahawks. Chelsea e Alemanha trazem felicidade no futebol, pelo menos. Fã de Aaron Rodgers, Jimmie Johnson, Kevin Garnett, Kimi Räikkönen e de uma Heineken bem gelada.



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