É hora de mudar

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Técnico Zé Ricardo orienta seu time na Arena da Baixada, comandante vive momento de tensão no comando do Fla (Foto: staff images/Flamengo)

Em mais uma partida questionável do Flamengo, Mais Querido sai da Arena da Baixada com um pontinho valioso

Passados exatos 32 dias da partida entre Atlético-PR x Flamengo na Arena da Baixada, à época válida pela Copa Libertadores, as duas equipes voltaram a se enfrentar nesse domingo, dessa vez pelo campeonato brasileiro. De um lado, estreava Eduardo Baptista, contratado para assumir a função de técnico, deixada por Paulo Autuori, que assumiu o cargo de diretor de futebol do Furacão. Do outro, um Flamengo que mais uma vez precisava se provar, já que a cicatriz deixada pela eliminação na Libertadores ainda dói (sobretudo depois da péssima partida contra o Atlético-GO) na Copa do Brasil. Embora os dois times tenham tido chances para saírem vencedores, o resultado trouxe apenas um ponto para cada.

O efeito inverso do confronto da Libertadores

No jogo do dia 26 de Abril, o torcedor rubro-negro foi dormir indignado com resultado de 2×1 a favor do Atlético pelo seguinte motivo: o Fla havia dominado inteiramente a partida, tendo criado inúmeras chances para ganhar o embate, porém, que foram desperdiçadas, diferentemente do Furacão, que aproveitou suas poucas oportunidades e levou os três pontos. Pois nesse domingo, esse cenário se inverteu, já que o Flamengo saiu com um resultado que foi melhor do que a encomenda, devido a sua fraca atuação.

O Atlético-PR foi amplamente superior e comandou as ações do jogo, enquanto o Flamengo, acuado, mal ultrapassava a linha que divide o gramado ao meio. Isso se manteve de maneira acentuada durante os primeiros 20 minutos da partida, com destaque para a perigosa finalização de Pablo, aos 10, que passou rente à trave esquerda de Muralha. O controle da partida era da equipe da casa, mas quem foi realmente eficiente foi o time carioca. Na primeira descida ao ataque que, de fato, levasse perigo à meta adversária, o Fla conseguiu chegar ao seu gol. Em jogada iniciada por Márcio Araújo, que achou Pará na direita. O lateral fez o cruzamento (que na verdade foi um passe preciso) na cabeça de Mancuello, que com muita liberdade dentro da área, cabeceou pra abrir o placar.

Grupo rubro-negro comemora gol de Mancuello; lance enganou muitos pelo fato da bola ter furado a rede (Foto: staff images/Flamengo)

Pragas rubro-negras

No entanto, o placar era um tanto quanto enganoso, já que o Flamengo continuava tímido e apático em campo, o que possibilitava com que os paranaenses continuassem criando bem mais chances. E o caminho para a criação de finalizações era forçar jogadas em cima de dois jogadores que, novamente, ficaram abaixo da crítica: Márcio Araújo e Rafael Vaz. O primeiro se omitiu totalmente em campo, não se apresentando para ajudar na saída de bola, e errava muitos passes, enquanto o segundo era facilmente ultrapassado pelos atacantes adversários.

Não foram poucas as claras chances de gol criadas em cima de erros desses dois jogadores. Vamos à lista: passe errado de maneira bisonha e displicente por Márcio Araújo no meio campo, que deixou Grafite de cara com Muralha, que fez ótima defesa na finalização do atacante; o chute de Grafite na trave, após fazer Rafael Vaz de gato e sapato no pivô. E isso foi só na primeira etapa. Na segunda metade da partida teve mais: além do gol de Thiago Heleno ter saído em cima de falha de Vaz, que errou o tempo de bola, o zagueiro também deixou Douglas Coutinho passar como quis a sua frente e sair cara a cara com Muralha, que novamente fez ótima intervenção.

Não é de hoje que esses dois jogadores vêm causando calafrios na torcida flamenguista. E o que deixa a Nação ainda mais preocupada é a insistência do técnico Zé Ricardo nessas duas peças que já se mostraram incapazes de serem titulares de um time que tem aspirações tão altas como o Flamengo. Além disso, Zé também peca em ter paciência infinita com eles, enquanto jogadores como Cuellar e Mancuello, que fizeram ótimas partidas no Paraná, recebem chances esporádicas no time titular.

Márcio Araújo conduz a bola; partida do volante foi símbolo de sua decadência técnica nos últimos jogos (Foto: staff images/Flamengo)

Não é novidade para ninguém que a torcida do Flamengo é uma das que mais cobram aqueles que fazem parte do elenco de jogadores e da equipe de comissão técnica. E é por isso que todos sabem que, para trabalhar no clube da Gavea, é necessário saber lidar com a pressão. E, no momento ela está grande em cima de nosso técnico, talvez maior do que ela jamais tenha sido. Para poder se sustentar no cargo, o jovem treinador precisará de dois pilares: o respaldo da diretoria rubro-negra, que não pode ceder à pressão dos torcedores e mandar embora um baita conhecedor do futebol como ele é; mas, para que isso ocorra, é de vital importância que ele mude algumas de suas convicções.

Manter jogadores cujo rendimento está abaixo da crítica, em detrimento daqueles que, sempre que entram, mostram que estão preparados para assumir a titularidade, e realizar substituições que mais atrapalham do que ajudam (como tirar Cuellar e Mancuello, os dois melhores do Flamengo contra o CAP, do jogo) são peculiaridades que vem fazendo com que a opinião pública acerca do promissor comandante flamenguista não seja a das melhores. Entretanto, é só abrir mão de certas teimosias que Zé terá tudo para voltar às graças da galera.

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Roberto Accioly

Roberto Accioly

Apaixonado por esportes em geral, independentemente da modalidade. Fanático por futebol desde o berço, por NFL, onde minha torcida vai para o Seahawks desde 2010 e por NBA desde que Dirk Nowitzki detonou o Big Three de Miami nas finais de 2011.



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