Dia de futebol raíz e emoção em São Januário

Dia de futebol raíz e emoção em São Januário

Jean levanta a torcida no Caldeirão: apesar do pênalti, o volante fez ótima partida (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Na volta do Clássico dos Gigantes à Colina, Vasco sofre com adversidades, mas faz excelente partida e conquista a vitória nos acréscimos

Ontem era um dia especial para o nosso Vasco, pois todo clássico por si só jogado na Colina Histórica tem um sabor único. A torcida sabe disso e, embalada com a última vitória sobre o Bahia, repetiu a ação da semana passada e lotou o estádio para apoiar a equipe. Não sem antes preparar uma recepção “singular” para os adversários: a rua de acesso à entrada dos visitantes em São Januário amanheceu decorada com alusões à série C, divisão que nosso rival conhece bem. A atitude causou revolta dos mais conservadores, mas era apenas o começo de um dia que seria inesquecível.

Já durante a tarde, quando o elenco do Vasco se encaminhava para o estádio, o ônibus enguiçou e deu início a uma epopeia digna de crônica de humor do futebol: nossos jogadores tiveram que descer no meio da Avenida Ayrton Senna e embarcar em sete táxis para chegar à São Januário. Felizmente conseguiram, faltando apenas uma hora para o início da partida. A situação cômica era mais um presságio de um dia incomum que estava prestes a receber seu ápice.

O jogo

O Fabuloso subiu e marcou de cabeça: 1×0 para o Vascão (foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

O clássico começou equilibrado e continuou até Luís Fabiano abrir o placar aos 25 do primeiro tempo, após cruzamento de Pikachu. A vantagem no marcador incentivou o Vasco e não demorou para a equipe dominar a partida, fazendo uma primeira etapa bastante segura. O time saiu de campo aplaudido.

O segundo tempo começou já em ritmo de emoção: aos 12 minutos, a bola bateu na mão de Jean dentro da grande área e o juiz marcou pênalti para o Fluminense, convertido por Henrique Dourado. Logo após a cobrança, Milton Mendes decidiu colocar Nenê em campo. Antes que o time pudesse iniciar qualquer reação, porém, lá estava o árbitro marcando outro pênalti para o tricolor, dessa vez cometido por Gilberto ao derrubar Richarlison na área. Novamente, Henrique Dourado bateu, anotou o gol e, na comemoração da virada, fez seu conhecido gesto de ceifador. Mas dentro de São Januário não dá para cantar de galo – e o Fluminense não demoraria a descobrir isso.

Olha lá o cara querendo ceifar dentro da nossa casa… Aqui não, Dourado! (foto: Lucas Merçon/Fluminense F.C.)

Milton Mendes optou por substituir Kelvin e lançar o colombiano Manga Escobar no jogo. Em apenas seis minutos, o atacante vascaíno chegaria ao gol do empate e levaria a torcida em São Januário à loucura. O time vinha aguerrido, buscando o resultado sem se deixar intimidar pelo Fluminense.

Decisivos: Nenê e Manga saíram do banco para dar a vitória ao Vasco (foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Quando tudo parecia se encaminhar para um empate extremamente conformista, Manga achou Nenê na área aos 47 minutos, e o meia mandou a bola para o fundo da rede, incendiando de vez o Caldeirão. O time da virada conseguiu, na emoção e na raça, vencer o Fluminense contando com a força de sua torcida em uma tarde memorável. Na volta do Clássico dos Gigantes à Colina Histórica, deu Vasco. O torcedor pôde, mais uma vez, sair do estádio orgulhoso da partida – e que partida!

Raphaela Reis

Raphaela Reis

Estudante de publicidade, 19 anos, nascida e criada no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro. Apaixonada por futebol e pelo Vasco desde criança, viciada em ler o caderno de esportes do jornal e desafiante oficial dos tios e primos no FIFA. Infelizmente não realizou a fantasia de se tornar a nova Marta, mas hoje busca nas palavras uma forma de se manter conectada ao mundo da bola.



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