Mourinho, o gênio do não-futebol

Mourinho, o gênio do não-futebol
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O gênio do não-futebol é português: José Mourinho (Foto: Mike Hewitt/Getty Images)

O United de José Mourinho, com méritos e superioridade, levou a taça da UEFA Europa League

Dizer que José Mourinho, dentro de todas as suas peculiaridades, não é um ícone do futebol mundial, é uma loucura. Há quem goste, há quem não goste, de fato. O Special One nunca foi e nunca será uma unanimidade. Mas, a vitória sobre o Ajax na tarde dessa quarta, por 2 a 0, levando o título da Europa League para Old Trafford, mostrou que, Mourinho, apesar de tudo, é um gênio. Um gênio do não-futebol.

Sim, gênio do não-futebol. A explicação dessa teoria vem na sequência. Mas antes disso, o jogo.

O peso dos investimentos

O peso das camisas de Ajax e United é certamente gigante. Há quem diga que, pelo número de títulos nacionais e de Champions League, os holandeses tenham mais história para preencher uma sala de troféus ou um livro de recordações. Mas, uma coisa é fato: a discrepância nos investimentos fez a diferença. Em uma final, camisa e coração decidem a partida. Mas, antes de tudo, vem a bola. E na bola, os Red Devils e seus medalhões milionários fizeram valer a grana usada para montar o elenco.

A demonstração de força chegou antes de um minuto de jogo, em chance de Pogba. Depois da dividida entre o goleiro Onana e o lateral direito Veltman, a bola sobrou para o meia francês que bateu para o gol, mas errou a meta holandesa. Com mais posse de bola e maior disposição para chegar ao ataque, o United viu, aos 14, Younes achar Traoré e bater para o gol de Romero, na primeira chance do Ajax. Mas, como dito, a superioridade se mostrou presente. E não demorou muito: três minutos depois, em chegada pela esquerda, Fellaini achou Pogba. O francês bateu firme de fora da área e a bola desvia. Chute desviado, com força e na direção do gol, geralmente não termina bem para o goleiro. E não foi diferente dessa vez. Um a zero para o United.

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O gol de Pogba, por um ângulo diferente. (Foto: Reprodução/UEFA)

A essa altura, com melhores peças no time, os ingleses controlavam a partida, mesmo com a forma peculiar de Mourinho montar suas equipes. Aos 22, Valencia entrou na área e soltou o sapato nela, para a defesa de Onana. Aos 36, foi a vez do Ajax. Vendo o United acomodado com o resultado e adotando uma postura um pouco mais defensiva, Traoré entortou Blind, mas o zagueirão vermelho conseguiu se recuperar para evitar um mal maior.

Com a partida morna até o apito para o intervalo, via-se, sobretudo, a cara de José Mourinho em campo. Mas, faltando o segundo tempo, ainda não é a hora de explicar mais sobre o técnico português

Segundo tempo e mais Mourinho em campo

Para acabar de vez com qualquer estratégia do Ajax para o segundo tempo, o United fez aquilo que todo treinador adversário mais detesta: um gol logo no começo. Aos 2 minutos, em escanteio cobrado por Mata, a bola, que foi desviada por Smalling, sobrou para Mhkitaryan. Apesar do nome complicado, o futebol dele é simples e efetivo: uma puxeta, como recurso que tinha e a redonda balança o capim no fundo das redes. Com o 2 a 0, chegou a hora da explicação.

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O armênio autor do segundo gol: Henrikh Mkhitaryan (Foto: Reprodução/UEFA)

Sim, Mourinho é um gênio do não-futebol. Explico o porquê: antagonista do futebol aberto e ofensivo, o Special One não é um mestre do futebol tático. Diferente de Diego Simeone, Mourinho não é um tático nato. Ao contrário de muitos entendedores do jogo de xadrez em campo, o português é ímpar. Único. Conhecido pelo uso da expressão “park the bus” (estacionar o ônibus), à mínima vantagem que seu time tem, José abre mão de jogar futebol. O jogo vira exatamente o que diz a expressão: o adversário ataca e encontra na frente da meta, um ônibus. Não no sentido literal. Mas, se possível, 11 jogadores abarrotando a área, defensivamente.

A prova disso é que, só aos 41 minutos veio a chance de gol do Ajax: Van de Beek, ao receber e cortar o marcador, parou em Romero, após ótimo chute. Aos 49, o brasileiro David Neres ainda tentou, mas parou no seu preciosismo e na vontade de Valencia. O United, dentro da partida, apesar de ser um time claramente melhor, se resumiu a atacar muito esporadicamente, quando possível.

O que se viu em campo foi, certamente, José Mourinho. O jeito peculiar e, na maioria das vezes, arrogante, o faz ser icônico. O Porto, surpreendente campeão europeu em 2003/2004 sob seu comando tinha muito desse jogo “Mourinho”. O United pelo elenco e camisa que tem, levou a Europa League diante de adversários abaixo do seu atual patamar, tanto técnico, quanto econômico. Mas dizer que, a equipe jogou bonito, é estar distante da realidade.

A genialidade de Mourinho, mais uma vez, resultou em um caneco. Não se pode dizer que ele não é efetivo. Com 2 títulos de Champions, campeonatos e copas nacionais na Inglaterra, Portugal, Itália e Espanha, e agora a taça da Europa League, dá para afirmar que, de alguma coisa, ele entende. É sim, um gênio em sua proposta. Mas, para o tamanho do United e para o tamanho do futebol moderno, Mourinho ainda é pouco.

Campeão com méritos

Tirar os méritos do título do United seria uma lástima. Foi campeão por merecimento, por vencer quando precisava. Mas, para alçar voos maiores, ainda falta. E Mourinho, o gênio do não-futebol, pode não ser o caminho.

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O United, de azul, levou o título diante do vice campeão holandês, o Ajax. (Foto: Reprodução/UEFA)

Não-futebol por usar o “park the bus” como solução. Não-futebol por, diferente de usar a provocação do boleiro, às vezes faltar com respeito e noção. Mas, como dizem, o futebol precisa de loucos. Para sorte (ou não) do United, o louco, dessa vez, trouxe consigo o resultado. Na próxima, quem sabe, não vem a derrota e o caos.

Até lá, todos saúdam Mourinho. Todos saúdam o Manchester United. Até o dia 3 de junho, a Europa veste vermelho.

 

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Guilherme Porto

Guilherme Porto

Algo entre o famoso soccer e o lacrosse universitário da Irlanda do Norte me interessam. A paixão por esportes (lê-se quase todos), acompanhada de uma boa resenha e uma cerveja gelada me encantam bastante. E, apesar de não podermos beber aqui, o resto garanto passar com agilidade e muita informação.



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