Wolfsburg tem a obrigação de se manter na Bundesliga

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Mario Gomez pode ser a salvação da temporada dos Lobos (Foto: Christian Charisius/dpa)

Os lobos fizeram uma ótima temporada no ano passado, mas não repetiram a fase em 2016/17 e agora correm o risco do descenso com os playoffs

A última rodada da Bundesliga foi cheia de emoções na parte de baixo da tabela. Leverkusen, Augsburg (esses com chances ínfimas), Mainz, Hamburgo e Wolfsburg brigavam para escapar da indesejada vaga nos playoffs de rebaixamento. A missão para os lobos era simples: com a derrota por 2 a 0 do Mainz para o Colônia – classificado à Liga Europa – bastava um empate para a manutenção na primeira divisão. No entanto, a equipe levou um balde de água fria nos minutos finais.

Hamburgo e Wolfsburg se enfrentaram em um jogo de seis pontos, no Volksparkstadion, casa do HSV. O início foi promissor para a equipe visitante, que abriu o placar aos 22 minutos com gol de Knoche. Na segunda metade da etapa inicial, foi a vez de Kostic marcar e igualar o score. No entanto, apesar de ter segurado o ânimo da equipe da casa durante boa parte do jogo, o Wolfs sucumbiu. Aos 87 minutos, Waldschmidt marcou o gol que manteve o Dino na Bundesliga.

Para o Hamburgo, o clima foi de festa: com o resultado, a equipe ultrapassou o Wolfsburg e o Mainz, terminando na 14ª posição e se safando do rebaixamento por mais um ano. No fim da partida, festa e invasão de campo da torcida para comemorar. O problema é que, do outro lado, a realidade é dura. A temporada ainda não acabou. E pode terminar muito mal.

É bom recordar como foi a última temporada dos lobos. A equipe terminou em uma tranquila 8ª posição, fora das competições continentais, mas sem qualquer risco de cair. Além disso, venceu a Supercopa da Alemanha contra o poderoso Bayern. Na Champions League, uma campanha para recordar. Primeiro, o Wolfs avançou para as oitavas de final na liderança de um grupo equilibrado – e que contava com o gigante Manchester United. Depois de passar pelo Gent nas oitavas, chegou a hora de enfrentar o Real Madrid nas quartas. No jogo de ida, um show: 2 a 0 de forma surpreendente. Na volta, não deu para a equipe alemã, que perdeu por 3 a 0 com hat-trick de Cristiano Ronaldo.

Não é difícil entender o que aconteceu com a equipe para amargurar tamanha decadência. Faltou reposição, padrão de jogo e paciência. Durante as janelas, o Wolfsburg perdeu nomes importantes. Kruse foi para o Werder Bremen, Schürrle aterrissou no Dortmund, Naldo saiu para o Schalke 04, Dante para o Nice e Dost para o Sporting. No meio do ano, talvez a ausência mais sentida: grande nome daquele time, Draxler foi vendido ao PSG.

O problema é que o time não repôs as saídas como deveria. Apostou em nomes como Didavi, Bruma, Guilavogui, Kuba e Borja Mayoral. Pagou 13 milhões de euros em Gerhardt e 12 em Bazoer, jogadores que não marcaram um gol sequer na temporada. A única chegada digna de aplausos é a do experiente Mario Gómez, autor de 16 gols no ano.

O grande desafio que uma equipe com tantas movimentações de elenco como a do Wolfsburg enfrenta é justamente encaixar as novas peças e formar um conjunto – pois foi justamente isso que não aconteceu durante toda a temporada. A equipe viveu de espasmos causados por demissões de treinadores, que foram responsáveis por uma parte considerável dos pontos na liga.

Dieter Hecking foi demitido depois de conquistar apenas seis pontos em sete jogos e substituído por Valerien Ismael, que inicialmente seria interino. Depois de uma vitória fora de casa contra o Freiburg, ele foi efetivado. Nos 12 jogos em que comandou a equipe de forma “oficial”, conquistou apenas 13 pontos. Desses 13, nove foram conquistados em sequência, com três vitórias seguidas. Com isso, também foi demitido. Sobrou para Andries Jonker a missão de tentar reerguer o clube. Tudo começou bem, com oito pontos de 12 disputados. O problema é que os velhos erros do clube voltaram e a equipe foi parar na zona de playoffs, justamente na última rodada.

No entanto, mesmo com todos os problemas, é obrigação do Wolfsburg vencer os playoffs e se manter na elite. Stuttgart e Hannover 96 estão praticamente garantidos na elite e são as equipes que poderiam causar problemas em uma disputa de mata-mata. O terceiro colocado (aquele que enfrentará o Wolfs) deve ser o Braunschweig. Para subir direto, precisa torcer para derrota do Hannover e tirar um saldo de seis gols. Situação difícil para uma equipe que tomou seis do Arminia Bielefeld (equipe ameaçada de rebaixamento) na última rodada.

O Braunschweig é uma equipe modesta. Disputou a Bundesliga pela última vez em 2013/14 e foi rebaixada na última posição. O “craque” da equipe é Christoffer Nyman, atacante com algumas passagens pela seleção sueca. Nada disso é muito assustador para a equipe do Wolfsburg. A situação fica pior ainda quando comparamos os valores de mercado das equipes.

De acordo com o site Transfermarkt, especializado em valores de mercado, toda a equipe do Braunschweig vale, somada, 20 milhões de euros. Para se ter uma ideia, em uma tabela com os 20 clubes da Série A do Brasileiro, o Braunschweig só ficaria à frente de Avaí e Atlético Goianiense nesse quesito. A situação fica ainda pior quando os números são comparados aos dos lobos. A equipe da Volkswagen tem elenco avaliado em 154 milhões de euros – um número mais de sete vezes maior. O único problema para o Wolfsburg é que a decisão será na casa da equipe adversária. Mas para uma equipe tão forte como essa, isso não pode ser problema.

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Breno Peçanha

Breno Peçanha

Natural de São Gonçalo, estudante de jornalismo na UFF e estagiário do Globoesporte.com. Vascaíno fanático e torcedor do Leeds United em solo europeu, além de simpatizar com o St. Pauli na Alemanha. Uma das coisas que mais gosto é ler e contar histórias do futebol que pouca gente conhece, especialmente se der para colocar humor. Introvertido, apesar de tudo.



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