Voltando aos trilhos

Voltando aos trilhos
FacebookLinkedInTwitterFacebook MessengerWhatsAppShare

A vitória que traz a alegria de volta. Jogadores do Flamengo comemoram segundo gol em grupo, uma das amostras da união do elenco. (Foto: Divulgação/Flamengo)

Rubro-Negro supera baque psicológico de eliminação traumática na Libertadores e consquista vitória com facilidade fora de casa

Era impossível sintonizar nos canais de transmissão da partida deste sábado sem se lembrar da tragédia que havia ocorrido com o Flamengo na quarta-feira. Não será fácil de esquecer uma desclassificação no torneio no qual todo flamenguista sonhava com o título. Mas se existe alguma maneira dessa tarefa ser menos árdua, O Mais Querido a executou com perfeição logo na partida seguinte. Atuação de gala de um time que entrou em campo disposto a mostrar que pode sim superar esse trauma e passou por cima do Atlético-GO.

Superioridade total durante os 90 minutos

Desde o apito inicial do árbitro Igor Junio Benevenutto, o Flamengo assumiu as rédeas da partida. O time controlou o jogo, manteve a posse de bola a maior parte do tempo e evitou com que o adversário pudesse representar qualquer tipo de ameaça, tanto pelo domínio exercido, quanto pela incapacidade técnica do Dragão de levar perigo à meta defendida por Alex Muralha. No entanto, faltava algo a mais, algo que fizesse o domínio se traduzir em chances de gol – o que não havia acontecido durante os primeiros 15 minutos de jogo.

A primeira oportunidade do Fla veio em chute fraco de William Arão, depois de jogada que trouxe preocupação para ambos os lados. Isso porque ela foi originada após forte choque de cabeça entre Ederson e Ricardo Silva, levando os dois ao chão. Para o torcedor flamenguista, o susto foi ainda maior, devido à uma certa “fragilidade” do meia-atacante, que vem sofrendo com lesões durante toda sua carreira – inclusive no Flamengo. Porém, para alívio de todos, a recuperação foi rápida, o sangramento estancado e Ederson voltou à campo, com a já famosa touquinha de natação.

A equipe do técnico Zé Ricardo insistia muito nas jogadas pelo setor esquerdo de ataque, já que do lado direito Pará não encontrava o apoio de Gabriel, que novamente errou mais do que acertou – mostrando que a fase vivida pelo jogador não é das melhores (se eu fosse maldoso, diria que não é das melhores desde que foi contratado pelo clube da Gávea). Com isso, Trauco e Everton eram os jogadores mais acionados. O entendimento entre os dois facilitava a troca de passes e o envolvimento do adversário. No entanto, a falta de precisão nos cruzamentos do lateral peruano fazia com que a definição das jogadas não fosse o ideal.

Mas quando o cruzamento certo veio, o gol também saiu. E com participação fundamental de um dos jogadores mais criticados pela torcida: Leandro Damião.

O contestado centroavante resvalou de cabeça na bola, fazendo ela chegar a Trauco; o peruano avançou, cruzou na direção do atacante, que deu um carrinho na bola e a fez sobrar para Everton que, com gol aberto, finalizou e abriu o placar. Enfim saía um gol que já estava muito bem desenhado. Um alívio para um time que precisava da vitória a qualquer custo. E o caminho para isso estava aberto.

Ederson, Everton e Trauco comemorando o primeiro gol: trio fez ótima partida em Goiânia. (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Obrigação cumprida da melhor maneira possível.

Por mais que o chavão do Campeonato Brasileiro seja “todo jogo é difícil”, o Flamengo entrou em campo com o dever de, não só apresentar um bom futebol, mas ganhar os três pontos a qualquer custo. Ainda mais porque foi exatamente a falta de conciliação entre esses dois aspectos que fez com que o Fla caísse precocemente na Libertadores – vide partidas contra Universidade Católica e Atlético-PR, ambas fora de casa. Isto posto, Capitão Nascimento então diria que “Missão dada é missão cumprida”. Uma atuação que já havia sido boa nos primeiros 45 minutos, ficou ainda melhor na segunda etapa.

Um Flamengo envolvente, inteiramente superior, com todos os jogadores desempenhando bom futebol, com exceção de Gabriel, que saiu lesionado, para entrada de Matheus Sávio. Um dos destaques da partida, Miguel Trauco, que já havia participado da jogada do primeiro gol, fez parte da construção do segundo e terceiro gols. Na primeira ocasião, o lançamento longo, característica marcante do repertório do peruano, achou William Arão livre dentro da grande área, que com estilo, ajeitou de peito para Leandro Damião chegar batendo para marcar.

E no gol que concretizou a vitória, Trauco cruzou na área e Damião cabeceou para o gol. O goleiro Felipe fez grande defesa, Rodinei chegou finalizando no rebote e Felipe fez outro milagre. Quando parecia que o Atlético iria se safar momentaneamente de sofrer o gol, Matheus Sávio puxou para o pé direito, chutou forte, obrigando o goleiro a fazer a terceira defesa em sequência. Mas dessa vez, o iluminado Rodinei marcou seu 4° gol no ano, uma marca tão alta quanto inusitada, tendo em vista que o lateral não havia feito nenhum gol até a partida da Libertadores contra a Católica. O Flamengo conseguiu cumprir à risca o seu dever: vencer de maneira convincente.

O iluminado: Rodinei sai pra comemorar seu 4° gol no ano; lateral vive fase inspirada. (Foto: Divulgação/Flamengo)

O ressurgimento de um camisa 10.

Ele não fez gol. Nem sequer deu assistência. Mas é preciso destacar a ótima partida que fez o meia Ederson. Não é fácil assumir a responsabilidade de substituir um grande jogador como Diego, que talvez seja o melhor em terras tupiniquins. Muito menos se você faz isso vestindo a camisa 10 que de um clube que já teve ninguém menos do que Zico. Mas foi isso que Ederson fez. E não decepcionou.

Para um jogador que voltou aos campos há menos de 3 semanas, depois de ter ficado cerca de 10 meses em inatividade, o vigor físico e o ritmo de jogo que Ederson apresentou contra o Atlético-GO são de encher os olhos. Extremamente participativo, buscando o jogo, flutuando entre as linhas de marcação do adversário e esperto o suficiente para dar o bote certeiro, como fez no segundo tempo, ao roubar a bola do zagueiro já no campo de ataque e quase definir o jogo para o Flamengo.

O que ficou bem claro é que o O Mais Querido tem sim um camisa 10. O camisa 35 sabe exercer bem essa função. O camisa 19 também, embora nem tenha entrado em campo ainda. Diego e Conca obviamente são e serão fundamentais para que o Fla desempenhe uma boa campanha no Brasileirão, que, para muitos, já se tornou obsessão. Mas ficou comprovado que quando solicitado, Ederson é um cara em que a Nação pode confiar.

FacebookLinkedInTwitterFacebook MessengerWhatsAppShare
Roberto Accioly

Roberto Accioly

Apaixonado por esportes em geral, independentemente da modalidade. Fanático por futebol desde o berço, por NFL, onde minha torcida vai para o Seahawks desde 2010 e por NBA desde que Dirk Nowitzki detonou o Big Three de Miami nas finais de 2011.



Related Articles

Time de guerreiros

A cobrança, apesar de pesada, é sinal de afeição. Deve ser levada em consideração, e não ser ignorada. (Foto: Antonio Carlos

Os três meses difíceis do Vasco em 2017

A eliminação na Copa do Brasil foi, sem dúvida, o saldo de escolhas erradas do Vasco. (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br) Olhando

Nada de novo sob o Sol

Nenê completou 100 jogos pelo Gigante: marca passou em branco diante do resultado (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br) Três semanas depois,

No comments

Write a comment
No Comments Yet! You can be first to comment this post!

Write a Comment

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*

error: Couteúdo protegido